Em solenidade acontecida na manhã de ontem (18), no auditório do UNIFOR, perante uma platéia de cerca de 100 convidados, foram diplomados pela Justiça Eleitoral, o prefeito Aluisio Veloso, seu vice, Antônio Metralha, os vereadores e suplentes, todos eleitos em outubro deste ano.
O Juiz Eleitoral da 114ª ZE, Dr. Gustavo Henrique Hauck Guimarães, com muita propriedade, centrou seu discurso, dentre outros, nos temas: ?probidade, moralidade, coerência administrativa e ética?, além de outros atributos que deveriam permear as ações dos detentores de cargos públicos, tecendo ainda, alguns comentários sobre a ilibada conduta de Milton Campos, que por vezes consecutivas abriu mão do direito de lutar em prol de sua realização própria, quando recusou cargos ambicionados, colocando a causa pública acima de seus interesses pessoais.
O promotor em, certa altura de sua fala, lembrou que ?Atualmente, perdeu-se a referência daquilo que é e não é moral. Infelizmente, muitas vezes, homens éticos passam por homens sistemáticos, antipáticos e intolerantes. Há hoje uma terrível inversão de valores?.
A fala do Promotor Eleitoral, Dr. Ângelo Ansaneli Junior, também percorreu caminhos semelhantes e igualmente, exortou os políticos recém eleitos a servirem a causa pública e não dela se servirem, tecendo comentários sobre a retidão com que a atual administração tem gerido os recursos nesta legislatura, o que, segundo chegou a ser objeto de comentários por parte de seu colega Dr. Marco Aurélio, fiscal direto do MP, nesta área da administração pública.
Aluisio e Meirinha falaram em nome dos eleitos. Ele pediu a cooperação e ajuda de toda a população, especialmente neste momento crítico pelo qual passamos, em virtude da última enchente e num gesto de humildade, agradeceu a Deus e ao povo formiguense por mais esta oportunidade de servir a esta cidade.
Meirinha, em nome dos eleitos para cargos legislativos, também agradeceu e dirigindo-se em especial às mulheres, prometeu lutar por seus direitos e igualdade de oportunidades, lembrando aos presentes que a diminuta representação feminina na própria Câmara, é sinal de que ainda é preciso muita luta.
Conheça, na íntegra o discurso do M.M. Juiz e veja mais imagens da diplomação na editoria fotos.

DISCURSO DO JUIZ ELEITORAL NA CERIMÔNIA DE DIPLOMAÇÃO DOS ELEITOS

iz Eleitoral no mês de maio deste ano, com a obrigação de fazer cumprir a Constituição Federal de 1988, que consagra a República Federativa do Brasil como sendo um ?ESTADO DEMOCRÁTICO?. A cada nova eleição reafirma-se esse mandamento constitucional, como expressão máxima da liberdade dos cidadãos de escolherem seus representantes no Poder. A Justiça Eleitoral realiza hoje essa sessão solene para coroar a grande festa da democracia nestas eleições municipais de 2008, diplomando todos aqueles que, depois de uma disputa difícil, tornaram-se, por vontade expressa e soberana do povo, os seus legítimos representantes nos cargos de Prefeito Municipal e Vereador. Por isso, a entrega desse diploma não é apenas um pedaço de papel, mas sim a representação material do desejo popular em colocá-los nos cargos do Poder Municipal. Em razão disso, peço-lhes que retribuam ao povo desta cidade a confiança depositada, exercendo o cargo pelo qual foram eleitos com probidade, dedicação e inteligência. Aliás, não poderia apresentar esse singelo discurso sem deixar uma mensagem sobre a moralidade; princípio constitucional que vem sendo desrespeitado e desconsiderado, lamentavelmente, por muitos que ocupam cargo público nos três poderes constituídos. Atualmente, perdeu-se a referência daquilo que é e não é moral. Infelizmente, muitas vezes, homens éticos passam por homens sistemáticos, antipáticos e intolerantes. Há hoje uma terrível inversão de valores.
Peço licença, para, rapidamente, contar-lhes um episódio da vida política de Milton Campos, que exemplifica bem o que é ser um homem público de moral.
?Todos sabiam do desejo de Milton Campos de ocupar o cargo de Ministro no Supremo Tribunal Federal para trabalhar em sua área de origem: a Jurídica. Tal cargo lhe foi oferecido pelo governo do Marechal Humberto Alencar Castelo Branco, mas recusado. O motivo: o número de ministros do Supremo Tribunal Federal havia acabado de passar de 11 para 16 e Milton Campos pronunciara favoravelmente a esse aumento como Ministro da Justiça. Portanto, para ele não seria ético, moral, aceitá-lo. Mais tarde, novamente, o ex-presidente Castelo Branco lhe ofereceu uma vaga, agora do quadro primitivo do Supremo. Milton Campos foi convocado para disputar a reeleição para o Senado e, com este fundamento, recusou de novo o convite. Mais tarde, disse a amigos comentando a recusa ao último convite:
?O Presidente não sabia da minha idade. Eu não poderia aceitar. Não seria escrupuloso trabalhar apenas 01 ano na mais Alta Corte e, logo depois, aposentar-me compulsoriamente com os mesmos proventos e honrarias de outros que tanto se têm dedicado ao Supremo. O gesto do Presidente me honra e me sensibiliza, mas a aceitação do convite não ficaria bem. Eu seria um Ministro muito Caro…?
Vejam senhores… a probidade administrativa é um dos principais pilares do Estado Democrático de Direito, e portanto, deve ser observada pelos senhores diplomandos. Aliás, que todos nós guardemos o episódio envolvendo Milton Campos como um exemplo para as nossas vidas, seja pessoal, social ou profissional.
2008 foi um longo ano de trabalho, um ano de grande dedicação e redobrada luta para que as eleições transcorressem com tranqüilidade. E mais uma vez, a Justiça Eleitoral, em geral, deu para o Brasil e para o mundo lições de profunda sabedoria, avançada tecnologia, elevado espírito público e qualificada competência profissional. Mais que uma tarefa a desenvolver, tínhamos uma missão a cumprir, um caminho longo a percorrer e uma obstinação a perseguir: garantir que as eleições fossem realizadas dentro do mais elevado padrão de ética, transparência e lisura, para que seu resultado viesse refletir a verdadeira e soberana vontade do eleitor.
Cumprimos a nossa obrigação: mesmo sendo nomeado pouco antes do período eleitoral, realizamos eleições que se caracterizaram pela completa normalidade do pleito, com o registro de um número insignificante de incidentes. Se as eleições transcorreram perfeitamente, deve-se muito aos serventuários da Justiça Eleitoral desta Comarca, pessoas eficientes, responsáveis e com elevado saber técnico-jurídico. Faço aqui o meu agradecimento público a vocês. Minha homenagem também às polícias, civil, militar e Federal; essa última trabalhando sigilosamente na comarca, com apenas o meu conhecimento. Graças a vocês, as eleições transcorreram de forma segura e tranqüila. O meu agradecimento também ao Ministério Público Estadual, notadamente na pessoa do Doutor Ângelo Ansanelli Júnior, que soube de forma diligente e responsável resguardar o exercício da cidadania. Enfim, a todas as pessoas que estiveram direta ou indiretamente envolvidas no processo eleitoral e que vestiram com honradez e responsabilidade a camisa da Justiça Eleitoral, propiciando a vitória de um trabalho que não é apenas de um, mas de um conjunto de indivíduos. Portanto, é com um sentimento de entusiasmo cívico e consciência do dever cumprido que me dirijo aos diplomandos para expressar palavras de encorajamento e votos de que dignifiquem o exercício de seus mandatos outorgados pelo povo desta agradável cidade.
Excelentíssimo Prefeito eleito, Senhor ALUISIO VELOSO DA CUNHA, é o nosso desejo que Vossa Excelência conduza com serenidade a chefia do executivo municipal, cumprindo e preservando a Constituição, tornando eficazes ao povo dessa cidade os direitos nela garantidos, buscando satisfazer os seus anseios e, sobretudo, ao interesse público. Que o exemplo de Milton Campos seja lembrado por V.Exa. durante todo seu mandato, bem como nas importantes decisões que terá que tomar. Aos senhores Vereadores eleitos, que sirvam com abnegação e firmeza aos cidadãos de Formiga/MG, exercendo com independência as suas funções fiscalizadoras e geradoras de normas legais respeitando as responsabilidades que lhe foram confiadas, mas, sobretudo, buscando a harmonia entre os poderes constituídos de modo a alcançar o bem estar social. Os diplomas que agora vamos entregar representam um documento oficial que ao mesmo tempo lhes concede um direito, um cargo, um privilégio, e também, de outra parte, lhes impõe um ônus, uma obrigação, qual seja, a de estarem permanentemente comprometidos em suas ações com o atendimento dos interesses populares. Encerro essas palavras com o desejo ardente de que vençam o desafio de estar sempre a serviço do cidadão, pondo em prática os fundamentos elementares da cidadania.
Muito obrigado.

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