s juros médios cobrados pelas instituições financeiras no cartão de crédito rotativo recuaram para 271,4% ao ano em julho, o menor patamar em quase cinco anos, assim como a taxa do cheque especial caiu para 303,2% ao ano no mês passado, informou nesta quarta-feira (29) o Banco Central.

  • taxa média do cheque especial, de acordo com a instituição, passou de 304,9%, em junho, para 303,2% ao ano em julho (a menor desde março de 2016). No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, o juro recuou 19,8 pontos percentuais, pois estava em 323% ao ano no fim de 2017.
  • Já o juro médio do cartão de crédito rotativo para pessoas físicas recuou de 291,8% ao ano, em junho, para 271,4% ao ano em julho (a mais baixa desde outubro de 2013). Na parcial do ano, a taxa caiu 60,7 pontos percentuais, pois somou 332,1% ao ano no fechamento do ano passado.

Apesar da redução nos últimos meses, essas taxas ainda seguem elevadas na comparação com outros países e também com outras linhas de crédito ofertadas pelos bancos. A recomendação de economistas é que os clientes bancários não usem essas modalidades, ou que as utilizem por um período de tempo muito limitado.

A redução das taxas cobradas nessas modalidades de crédito acontece em um cenário de estabilidade da taxa básica da economia, a Selic, que atualmente está na mínima histórica de 6,5% ao ano. Essa estabilidade acontece desde março. Antes disso, a taxa havia recuado 12 vezes seguidas.

“As taxas de juros, em termos relativos, estão em patamares relativamente baixos acompanhando a política monetária [definição da taxa Selic pelo BC]. Mas ainda estão altas pra determinadas linhas. Existe também uma desalavancagem das famílias [redução de dívidas]”, afirmou o chefe adjunto do Departamento de Estatística do Banco Central, Renato Baldini.

No ano passado, o governo chegou a anunciar medidas para reduzir os juros do rotativo do cartão de crédito, que estão recuando nos últimos meses. Recentemente, a federação que representa os bancos no país anunciou novas regras para uso do cheque especial, que entraram em vigor justamente em julho.

De acordo com Baldini, do BC, o início da nova regra de financiamento do saldo devedor do cheque especial das pessoas físicas ainda não teve muito impacto nas taxas cobradas pelos bancos em julho. “A taxa de juros até caiu um pouco, mas caiu na mesma proporção que vinha caindo nos meses anteriores. Deve haver redução do risco dessa modalidade e, com isso, uma redução dos juros, mas isso não acontece imediatamente. Deve acontecer de forma mais gradual”, concluiu.

Inadimplência de pessoa física fica estável

O Banco Central também informou que houve estabilidade da inadimplência nas operações com recursos livres para pessoas físicas, que somou 5% em julho, mesmo patamar do mês anterior.

Já a taxa média geral de inadimplência (pessoas físicas e jurídicas) passou de 4,4% em junho para 4,3% em julho. No fim do ano passado, estava em 4,9%.

No caso das empresas, a taxa de inadimplência passou de 3,7% para 3,4%, nesta comparação (na parcial do ano, caiu 1,1 ponto percentual).

Juros bancários médios

Os números do BC mostram também que houve queda nos juros médios das instituições com recursos livres (sem contar BNDES, crédito rural e imobiliário) em julho e na parcial dos sete primeiros meses deste ano.

  • A taxa média total (pessoa física e jurídica) passou de 38,5% ao ano em junho para 38,1% ao ano em julho. No ano, ela recuou 2,2 pontos percentuais, pois somava 40,3% ao ano no fechamento de 2017.
  • Os juros nas operações com pessoas físicas caíram de 53,1% ao ano, em junho, para 52% ao ano, em julho; no acumulado do ano taxa caiu 3 pontos percentuais, pois estava em 55% ao ano no fim do ano passado.
  • A taxa cobrada das empresas, porém, subiu de 20,2% ao ano em junho para 21,6% ao ano na mesma comparação, mas na parcial do ano recuou 1 ponto percentual (pois totalizou 21,6% ao ano no fechamento de 2017).

Spread bancário fica estável

Apesar da queda dos juros médios de todas as operações das instituições financeiras, o chamado “spread bancário” (diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e o que cobram de seus clientes) ficou estável no mês passado, mas recuou no acumulado de 2018.

No caso das operações com pessoas físicas e com empresas, o “spread” permaneceu em 29,4 pontos em julho. Para pessoas físicas, recuou de 43,4 pontos em junho para 42,7 pontos em julho.

No ano, o indicador (para pessoas físicas) caiu 3,4 pontos percentuais, pois somava 46,5 pontos percentuais no fim de 2017. Mesmo assim, esse índice ainda é elevado quando comparado à média praticada pelos bancos em outros países.

O “spread” é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

No segundo trimestre deste ano, o lucro dos 4 maiores bancos com ações na bolsa cresceu 17%, para R$ 16,88 bilhões. Segundo dados da Economatica, trata-se do maior lucro consolidado nominal (sem considerar a inflação) desde o 2º trimestre de 2015.

Dados do BC mostram que os quatro maiores conglomerados bancários – Itaú-Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – detinham, no fim de 2017, 78% de todas as operações de crédito feitas por instituições financeiras no país e também 76% dos depósitos.

Recentemente, a instituição informou que a chamada “margem financeira” dos bancos, ou seja, seu lucro, representou 14,04% do custo do crédito em 2017. Nesse estudo, houve mudança da metodologia empregada no cálculo. Pelo formato anterior, o lucro dos bancos representava cerca de 23% do custo do crédito.

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Fonte:

G1