A era dos financiamentos de veículos a perder de vista, com entrada zero e juros de 1% ao mês está com as horas contadas. Desde sexta-feira passada (3), quando o Banco Central anunciou uma série de medidas de restrição ao crédito, o mercado de automóveis aguarda pela divulgação, a qualquer momento, das novas tabelas de juros cobrados pelos bancos para financiamento. Ou seja, para quem já está namorando um modelo específico, é melhor fechar negócio rápido e aproveitar as taxas antigas.
O cliente tem que aproveitar que ainda temos em mãos as condições antigas, com juros em torno de 1,3%. Mas tudo pode mudar até o final da semana, avisa o gerente de vendas da concessionária Roma Fiat, Gilmar Martins.
De acordo com as normas do Banco Central (BC), desde segunda-feira (6), os financiamentos com prazo superior a 24 meses estão sofrendo restrição de recursos, ou seja, o BC aumentou a quantidade de capital que os bancos terão que reservar para garantir o empréstimo. Para não cair na restrição, as instituições de crédito deverão exigir uma entrada de pelo menos 20% nos financiamentos entre 24 e 36 meses para carros novos ou usados. Entre 36 e 48 meses, a entrada sobe para 30% e, entre 48 e 60 meses, para 40%.
Com as restrições, que encarecem o custo dos empréstimos para os bancos, o reflexo no aumento dos juros é inevitável. Alguns bancos já reajustaram a taxa em até 38%, passando de 1,3% ao mês para 1,8%, no caso de financiamentos sem entrada. Mas para o professor de pós-graduação automotiva da Fundação Getúlio Vargas Paulo Garbossa, esse aumento pode ser freado pela concorrência entre as instituições. Os bancos não querem perder as carteiras de financiamento e quem pode ganhar com isso é o consumidor, explica Garbossa.
Segundo o especialista, quem quiser fechar a compra de um carro nesta semana deve fazer as contas direito para saber se está fazendo um bom negócio. Caso haja dúvidas, o melhor é esperar mais um pouco. Quem puder juntar o dinheiro e dar uma entrada maior depois, vai encontrar um cenário mais definido para fechar negócio, aconselha.

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