A Justiça do Chipre condenou uma britânica de 19 anos de inventar acusações de que ela foi estuprada por 12 israelenses em um quarto de hotel em um resort. Para o juiz, a história dela não tinha credibilidade.

Michalis Papathanasiou, juiz da corte de Famagusta, disse que a mulher não contou a verdade e tentou enganar a corte com declarações evasivas em seu testemunho.

O caso repercutiu no Reino Unido e em Israel. Foi relatado como um estupro cometido por uma gangue até que as autoridades de Chipre minimizaram o relato da mulher.

A identidade dela não foi revelada. Ela foi considerada culpada por dano público, que implica uma multa máxima de 1.700 euros (R$ 7.670 ) e até um ano de prisão. Ela permanecerá em Chipre até sua sentença, em 7 de janeiro.

Ao sair da corte, ela e a mãe usavam tecidos de pano amarrados na boca.

Depoimentos controversos

O juiz disse que a mulher admitiu aos investigadores que ela havia mentido, e pediu desculpas. De acordo com ele, ela inventou a história porque estava envergonhada depois de descobrir que alguns dos israelenses haviam feito vídeos dela durante uma relação consensual que ele manteve com seu namorado, que também é de Israel.

O juiz disse que a mulher admitiu que os acontecimentos no quarto de hotel tiveram sua aprovação. Para o magistrado, essa foi a única vez em que ela disse a verdade.

A corte ouviu que o exame físico da mulher depois que ela protocolou a acusação não encontrou evidência de estupro.

O juiz rejeitou as declarações de um patologista, testemunha da defesa, de que mesmo com esse exame não se poderia excluir a possibilidade de estupro.

A mulher disse aos investigadores que ela tinha sido estuprada por até 12 israelenses, de idades entre 15 e 20 anos, no dia 17 de julho.

A polícia do Chipre disse que ela voltou atrás depois de 10 dias, depois que os investigadores apontaram inconsistências nos relatos.

Confissão de culpa

Os 12 israelenses voltaram para casa pouco depois de terem sido liberados e seus advogados de defesa disseram que eles processaram a mulher por danos morais.

Ao testemunhar na corte, em uma fase inicial do processo, a mulher disse que ele estava tendo uma relação com seu namorado quando foi imobilizada, e os outros entraram no cômodo e a estupraram.

Ela disse ter se sentido ameaçada por investigadores enquanto era questionada e que ela teve medo de que seria presa se não assinasse a retração. No seu testemunho, afirmou ter ficado até mesmo com medo pela sua própria vida.

O juiz Papathanasiou desqualificou suas declarações, que ele classificou como exageradas, confusas, contraditórias e incoerentes.

A advogada de defesa, Ritsa Pekri, pediu à corte para mitigar a sentença, dizendo que a britânica se arrependeu de suas ações e que é uma mulher imatura, além de ter sofrido uma pressão psicológica intensa, além de usar antidepressivos.

Do lado de fora da corte, Nicoletta Charalambidou, outra advogada da defesa, disse que a condenação era esperada e que eles devem apelar à Suprema Corte de Chipre.

O grupo de defesa diz considerar que o direito a um julgamento justo foi violado.

Charalambidou afirmou que testemunhos para a defesa criaram uma dúvida razoável que sua cliente fosse mesmo condenada, mas que o juiz não os levou em conta.

A fala da outra advogada não implica uma confissão de culpa, disse Charalambidou.

Um terceiro advogado, Michael Polak, de um grupo chamado Justice Abroad, também trabalhou no caso. O apelo, segundo ele, é baseado na premissa de que a evidência indicada que a mulher foi estuprada, mas que o juiz se recusou a levar isso em consideração.

O advogado Nir Yaslovitzh, que defende uma parte dos 12 israelenses comemorou a decisão. Ele afirma que a pena precisa ser dura para impedir que outros acusadores considerem ser tolerável inventar acusações falsas.

Houve um protesto de cerca de 30 pessoas do lado de fora do edifício.

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