A Primeira Vara Criminal de Divinópolis deferiu nessa quarta-feira (13) o pedido de liberdade de Pedro Lacerda, investigado na morte do segurança Edson Carlos Ribeiro. O empresário estava no Presídio Floramar e foi solto às 20h10, segundo o advogado de defesa, William Gomes Melo.

Pedro Lacerda foi preso no dia 26 de setembro, em flagrante, após ter agredido o segurança com um soco em uma festa, no Parque de Exposições. A Polícia Civil emitiu um laudo pericial na sexta-feira (5) que concluiu que a causa da morte do segurança foi uma mal súbito cardíaco.

Liberdade

Em entrevista ao G1, a defesa disse que o pedido de revogação da prisão que foi deferido foi feito durante o feriado, após a apresentação do laudo pericial na sexta-feira (8). O inquérito isentou Pedro Lacerda da morte do segurança constatou que a lesão por si só não seria suficiente para causar morte e que o óbito ocorreu em decorrência de uma doença cardíaca.

Por conta do feriado, o pedido só foi julgado nessa quarta-feira.

“Foram três pedidos de revogação da prisão preventiva, que foram feitos inclusive extrapolando as possibilidades, um deles no feriado. Em resumo, o primeiro foi feito na ocasião da prisão. Em seguida, entramos com novo pedido, após a conclusão preliminar do inquérito, no dia 5 de outubro e um terceiro pedido foi feito no plantão, após a conclusão do inquérito, ocasião em que o Ministério Público foi favorável, porém, o juiz plantonista deixou para o juiz titular decidir nesta quarta-feira, sobre a revogação da prisão e ele foi favorável”, explicou William.

Para a família, a liberdade provisória do investigado, não se trata de um ato de justiça.

“Infelizmente em nosso país não há justiça, o que está acontecendo só nos prova isso. Nossa família foi destruída por irresponsabilidade de uma pessoa socialmente privilegiada. Se fosse ao contrário o cenário seria bem diferente”, disse a prima, Cheila Aparecida Souza.

Laudo pericial

O laudo pericial apresentado pela Polícia Civil na tarde da última sexta-feira (8) apontou que o segurança Edson Carlos Ribeiro teve morte súbita cardíaca. Segundo a equipe, a causa da morte não teve relação com a agressão sofrida pelo investigado.

“Foram duas semanas de intenso trabalho que envolveu delegados, peritos e médicos legistas. A Polícia Civil quando investiga ela não se preocupa com classe social de autor e vítima e não se preocupa com cor de pele de autor e vítima. Cada um dos profissionais envolvidos possui autonomia técnica para executar os seus trabalhos investigativos”, disse o delegado Flávio Tadeu Destro na ocasião.

Perícia

Segundo a equipe pericial, os trabalhos partiram da informação de uma agressão sofrida pela vítima enquanto trabalhava, na região superior entre a traqueia e a cabeça, por meio de um soco, com a utilização de um suposto soco inglês. Para a perícia, não houve utilização do instrumento.

De acordo com o delegado Marcelo Nunes Júnior na época, responsável pelo inquérito policial, foram ouvidas 20 testemunhas que estavam no local.

“A única testemunha que confirmou a existência da utilização de um soco-inglês, que estava na hora, era outro segurança. As outras todas, ninguém viu. Não conseguimos constatar a utilização do artefato nem pelo laudo pericial e muito menos pelas testemunhas”, informa ao completar que “houve um soco que pegou perto do supercílio”, motivo pelo qual o suspeito foi indiciado, por lesão corporal.

O médico legista, Marcell de Barros Duarte Pereira também explicou o que foi constatado no corpo do segurança.

“O que encontramos foi um hematoma na região da nuca e na parte frontal da cabeça, além de uma infiltração. Não havia feridas. Havia infiltração hemorrágica e não era visível externamente. Demos especial atenção à região da cabeça e não encontramos nenhum tipo de lesão, na traqueia, laringe, além dessa pequena infiltração. Seguimos no exame e o que nós encontramos foi um coração muito aumentado. Procedemos e verificamos que o que se destacava ainda mais era a extensão do ventrículo esquerdo e, assim, levantamos várias hipótesse. Levamos esse coração para Belo Horizonte para exame microscópico e o diagnóstico foi uma morte súbita cardíaca secundária à doença já preexistente, de cardiomiopatia hipertrófica”, disse

Durante a coletiva, a médica legista, Andressa Vinha Zauncio, disse o estado de estresse vivenciado no momento da agressão poderia de fato, ter causado a morte súbita do segurança, mas a lesão que ele sofreu, em decorrência do soco, não seria capaz de levá-lo à morte. “Nenhuma lesão apresentada o levaria à morte”, enfatizou.

Fonte: G1

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