A lista apresentada pelo executivo Benedicto Junior, delator da Odebrecht, cita nominalmente 40 mineiros dentro de uma relação de 187 políticos. O relatório de BJ, como o delator é conhecido, revela repasses de caixa 2 que teriam sido feitos entre os anos de 2008 e 2014 a figuras de diversos partidos.

Entre os nomes com atuação no Estado, mais da metade ocupa hoje um cargo eletivo no Legislativo ou no Executivo. Entre os 24 que cumprem mandatos, o documento entregue à operação Lava Jato implica dois senadores, 12 deputados federais, cinco estaduais, dois prefeitos, um vereador, além do governador Fernando Pimentel (PT) e de seu vice, Antônio Andrade (PMDB).

Entre os mineiros, o senador Antonio Anastasia (PSDB) é o que teria recebido o maior repasse por meio de caixa 2. De acordo com a planilha, foram R$5,47 milhões em oito parcelas ao longo de 2010, quando Anastasia disputou e venceu a reeleição para governador de Minas. Na planilha, Antonio Anastasia é apelidado de “Dengo”.

O segundo maior favorecido seria o também senador tucano Aécio Neves, que ganhou o apelido de “Mineirinho”. Aécio teria recebido R$5,25 milhões em cinco transferências, em 2010. Os valores, segundo BJ, foram tratados diretamente com Aécio, sem interlocutores.

O então vice-governador de Anastasia, Alberto Pinto Coelho (PP), é apontado como destinatário de dez parcelas que, somadas, chegam a R$825 mil. Segundo o delator, os valores seriam para apoiar o PP e aliados da sua base. O dinheiro teria sido entregue a “Da Casa” entre 2010 e 2014. Em contrapartida, Pinto Coelho trabalharia no “desenvolvimento de projetos de infraestrutura de interesse da empresa”.

Ainda de acordo com as anotações de BJ, o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB), que tinha o codinome de “Poste” na lista, é citado três vezes. Um dos repasses teria acontecido em 2012, ano em que Lacerda se reelegeu. Os outros dois em 2014, somando R$1 milhão. O trato teria ocorrido diretamente com Lacerda.

Pimentel aparece com duas doações no total de R$250 mil em 2010, ano em que foi nomeado ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio da ex-presidente Dilma Rousseff. O seu atual vice, Antônio Andrade, o “Wanda”, teria recebido R$275 mil em caixa 2 no mesmo ano, quando foi reeleito para a Câmara Federal.

A menor cota entre os mineiros teria ficado com o ex-deputado e atual secretário de Direitos Humanos de Minas Nilmário Miranda: R$12 mil em 2010.

Detalhes

Ao todo, o executivo apresentou a relação de R$246,6 milhões que teriam sido doados em forma de caixa 2. As doações aos mineiros somam R$ 22,2 milhões.

 

Os repasses a representantes de Minas foram divididos entre 14 partidos que atuaram na base e na oposição ao governo federal entre 2008 e 2014: PSDB, PP, PMDB, PSD, PT, PSB, PV, PCdoB, PR, PTN, PMB, PDT, PPS e DEM.

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Fonte:

O Tempo