Em 1944, na Conferência de Bretton Woods, foi criado o Fundo Monetário Internacional (FMI), para ser um dos instrumentos de garantia da ordem econômica no pós-guerra, com a função de conceder empréstimos a países em dificuldades financeiras.
Durante o Regime Militar, após grande investimento em infraestrutura, o mundo vivia uma crise do petróleo, juros altos e aumento do custo do endividamento externo, o Brasil teve que recorrer por diversas vezes ao FMI para receber empréstimos emergenciais e, em contrapartida, teve de aplicar medidas econômicas enérgicas. Após a redemocratização, em 1994 o Plano Real estabilizou a economia, em 2005 foi quitada a dívida com o FMI e o país passou a ser credor do FMI.
A experiência de receber empréstimos do FMI sempre foi penosa para todos os países, inclusive para o Brasil. Seu receituário imposto inclui medidas impopulares, de cunho liberal, feitas por burocratas, sem preocupação com as condições sociais específicas dos países, e, por consequência, geram um resultado indigesto, como aumento da pobreza e da desigualdade, desemprego, especulação financeira, etc. O Brasil muitas das vezes, para atender ao FMI, foi obrigado a adotar ações, como aumento dos juros, privatização, demissão de funcionários públicos, controle do câmbio, e ainda tinha de suportar as visitas periódicas midiáticas de auditores do FMI para fiscalizar o cumprimento das condições acordadas.
A Argentina, nosso vizinho, vive a experiência de ter de cumprir as condições ditadas pelo FMI. Em 2018, com uma situação econômica delicada, negociou, com o apoio dos Estados Unidos, a aprovação, em tempo recorde, do maior pacote de ajuda financeira da história do FMI, cerca de 57 bilhões de dólares.
O empréstimo foi inócuo e em 2019 se tornou um fardo para os argentinos. Os eleitores, insatisfeitos com a recessão, deram vitória para a oposição nas prévias eleitorais e inviabilizou a reeleição de Macri. Esse resultado provocou pânico entre os investidores e o governo pediu aos credores mais tempo para quitar a dívida externa de 101 bilhões de dólares, para evitar um novo calote.
A peronista Cristina Kirchner deixou o país com déficit público, inflação de 25% ao ano, reservas cambiais baixas, recessão, congelamento de preços. A posse de Macri em 2015 trouxe euforia ao mercado, mas demorou a fazer ajustes na economia e Macri deixará para o seu sucessor, uma Argentina em recessão, com inflação, controle de preços, déficit público, aumento da pobreza.
Um país é feliz por não precisar de empréstimos do FMI e deve fazer reformas e adequações para manter os alicerces econômicos fortes, como é o caso atual do Brasil, detentor de grandes reservas cambiais, inflação controlada, taxa de juros em queda, superávit em conta corrente e com reformas econômicas em andamento para melhorar as nossas condições estruturais, como déficit público, tributos, concorrência, competitividade, etc.

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