Fonte: G1

Os corpos de três das quatro pessoas de uma mesma família que foram achadas mortas na manhã desta segunda-feira (29) em um edifício na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro serão enterrados em Formiga. Lais Khouri, de 48 anos, será sepultada na cidade onde nasceu e possuía familiares. Também serão sepultados na cidade os dois únicos filhos dela: Arthur, de 7 anos, e Henrique, de 10 anos. A informação foi confirmada ao G1 por parentes dela.

A data e horário dos velórios e sepultamentos ainda não foram definidos já que a família de Lais aguarda a liberação dos corpos, o que poderá ocorrer apenas nesta terça-feira (30).

A formiguense é filha de Cesar Khouri, empresário de Formiga que fundou a Associação Comercial local. Ainda jovem, Laís se mudou para Belo Horizonte. Da capital mineira ela  se mudou para a capital carioca com o marido, Nabor Coutinho Oliveira Junior, de 43 anos, que também foi achado morto e é apontado pela Polícia Civil como possível autor do possível homicídio seguido por suicídio.

O crime que ocorreu no dia seguinte ao assassinato de um jovem de 25 anos por motivos fúteis durante uma festa, aumentou a consternação dos moradores de Formiga.

Marido achado morto é suspeito

A polícia investiga se Nabor Coutinho de Oliveira, de 43 anos, matou a mulher e os dois filhos antes de se matar. O G1conversou com ex-colegas do administrador, que relataram que ele era um homem querido na empresa onde trabalhou por quase 15 anos, até julho deste ano.

Segundo a assessoria da TIM, Nabor pediu desligamento da empresa por decisão própria, alegando “um novo desafio”.

“É com profundo pesar que todos os colaboradores da TIM Brasil receberam a trágica notícia da morte do ex-funcionário Nabor Coutinho e sua família. Nabor era um profissional respeitado e querido por toda equipe e havia se desligado voluntariamente da companhia no último mês de julho, depois de muitos anos de colaboração, para se dedicar a um novo desafio em sua carreira. A TIM está solidária aos familiares e amigos”.

De acordo com o perfil de Nabor no Linkedin, site de relacionamento profissional, o administrador estava trabalhando como chefe de desenvolvimento de negócios na empresa estrangeira Datami. Harjot Saluja, presidente e CEO da empresa, diz que lamenta o ocorrido.

“Nas últimas seis semanas, desde que ele se tornou um consultor, todos nós gostamos de conhecê-lo e trabalhar ao lado dele. Todos nós estamos profundamente tristes com a notícia de Nabor Coutinho de Oliveira Júnior, e sua família. Nossos corações e orações estão com a sua família e amigos durante este tempo mais difícil”, comentou Harjot.

“Nabor foi meu chefe. Lembro de ter ido almoçar na casa dele para conhecer o Henrique, que era um lindo bebezinho na época. Hoje não consegui trabalhar. Não consegui falar sem chorar. Dói saber que partiram para o plano espiritual dessa forma. Que nos amemos mais, que saibamos lidar com nossas dificuldades, que tenhamos mais fé. Que tristeza, que dor, que coração apertado, meu Deus!”, escreveu uma pessoa que foi chefiada por Nabor, que preferiu não ser identificada.

Em uma carta, que teria sido deixada por Nabor, de acordo com as primeiras investigações, o autor relata insegurança quanto ao seu emprego e diz que não vai conseguir sustentar a família. Cita ainda que estava sendo excluído de projetos e que ia trazer sofrimento a todos.

“Ele era um cara muito tranquilo, adorado pela equipe. Quando foi embora da Tim, saiu aplaudido por todos. Achamos que ele estava bem no novo emprego, porque falou que ia para uma proposta irrecusável. Ele era na dele, muito focado. Também era valorizado e assediado no mercado”, contou um colega de equipe dele.

Uma outra pessoa contou que estão todos chocados e que foram pegos de surpresa, já que o perfil de Nabor sempre foi de uma cara querido e muito tranquilo.

“Ainda estamos abalados. Era um cara muito tranquilo, realmente foi chocante pra todo mundo. Lembro que quando ele pediu demissão, achei estranho, pois tinha bastante tempo de casa. Mas ele me disse que seria uma aposta. Me surpreendeu a forma [da morte]”, comentou outro colega de trabalho.

Segundo colegas, Nabor era gerente sênior, um cargo abaixo da diretoria, e chegou a chefiar uma equipe de dez pessoas. O salário dele na TIM girava em torno de R$ 20 mil, e ele teria largado a empresa para ganhar o dobro no novo emprego.

Na tarde desta segunda-feira, um primo de Nabor e outros familiares chegaram na Divisão de Homicídios, na Barra da Tijuca, para prestar depoimento.

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