?A Emmel voltará a ser como antes?. Essa foi a promessa feita pelo prefeito Moacir Ribeiro, no dia 28 de agosto do ano passado, durante reunião no Gabinete, na presença de professores, alunos e pais de alunos da Escola Municipal de Música Eunésimo Lima.
À época, uma das reclamações que recebeu maior atenção do prefeito, foi o fato de que a Orquestra Sinfônica, assim como os grupos Asas do Tempo e Banda Lira São José não estavam recebendo o menor apoio por parte da administração, segundo disseram os membros da comissão montada para interceder junto ao prefeito por melhorias na escola.
De lá para cá, as então responsáveis pela pasta da Cultura, Elizabeth Baptista (secretária) e Maria José Boaventura (adjunta) foram substituídas por André Gouvêa e Joe Basílio e foi divulgado, com grande alarde, a contratação, ainda no mês de agosto, do maestro Cassiano Maçaneiro, que seria responsável pela condução dos trabalhos da Orquestra Sinfônica de Formiga, criada por meio da aprovação do projeto de lei 480/2011 e de grupos instrumentais da escola (Asas do Tempo e Banda Lira São José). Gabaritado para tal cargo, o contratado formou-se pelo Conservatório Brasileiro de Música, no curso de Composição e Regência em 2009 e é natural da cidade de Varginha.
O que seria a solução para a escola de música, parece ter servido apenas para ?assentar a poeira? levantada diante das muitas reclamações da comunidade sobre os rumos dados à Emmel. Parece; porque, em menos de sete meses, o maestro já foi ?avisado? que será exonerado do cargo e as reclamações continuam, levando ao progressivo ?esvaziamento? da escola, que tudo indica, novamente cairá no descrédito de músicos e aspirantes a músico na cidade.
Diante do inesperado aviso de dispensa, o maestro enviou ao jornal Nova Imprensa, com exclusividade, uma carta aberta, falando de todos os problemas que encontrou durante o tempo em que trabalhou na cidade e o quanto se esforçou para mudar a triste realidade imposta, por má gestão, à Emmel.
Confira, na íntegra, o comunicado do maestro Cassiano Maçaneiro:

Carta aberta à população de Formiga
?Fui contratado em agosto de 2014, como resposta às reivindicações dos alunos sobre a demissão dos antigos maestros (dois foram demitidos sucessivamente, Adailton e Gibran), com dois objetivos claros, dar apoio a formação na EMMEL e propiciar a formação real da Orquestra Sinfônica Municipal (orquestra que permanece fantasma apesar de ser criada por Lei Municipal).
Durante todo o tempo que trabalhei na EMMEL, LUTEI PARA CONQUISTAR OS ALUNOS QUE SAÍRAM DE LÁ POR ANTIPATIA COM A ATUAL GESTÃO MUNICIPAL!
Visitas a alunos, pais de alunos, conversas que duravam horas, convencendo-os que a EMMEL está acima de políticos, secretários de cultura e gestões municipais – a EMMEL é um PATRIMÔNIO IMPORTANTE DA CIDADE DE FORMIGA-MG.
Simultaneamente, trabalhei de forma ostensiva para criação de futuros artistas, dando aulas de iniciantes até avançados, com a única preocupação de formar futuros artistas com conhecimentos sólidos. Iniciamos também, já em setembro os ensaios com os novos grupos, que demoraram a conquistar a confiança dos jovens e antigos participantes.
Agora em 2015, quando os frutos iriam começar a aparecer, fiquei sabendo através da INTERNET que outra pessoa estaria sendo contratada para o meu lugar, sem conhecimento da direção da EMMEL, dos alunos, ou por mim, o que demonstra claramente como para esta gestão, profissionais são descartáveis, ainda que estejam realizando suas funções.
Em reunião (que possuo gravação) o atual morador da Casa do Engenheiro, que usurpou a posição de secretário de cultura de pessoa muito mais capacitada, garantiu-me duas coisas:
1- o vereador que na internet havia declarado minha demissão estava equivocado e que eu não seria exonerado, o novo profissional seria contratado para trabalhar JUNTO com a gente.
2- caso precisasse ser exonerado seria avisado com antecedência.
O não cumprimento de duas coisas tão simples demostram a falta de compromisso que o morador casa do engenheiro tem com o profissional e com a EMMEL.
NÃO DISCUTO AQUI A QUALIDADE DO PRÓXIMO OCUPANTE DA MINHA FUNÇÃO, discuto aqui a incapacidade da gestão municipal em entender a importância da EMMEL, e a importância da continuidade dos trabalhos para resultados permanentes acontecerem.
A incapacidade de entender que sem investimento e dinheiro para manutenção as coisas não acontecem! Desde que entrei na EMMEL nunca, NUNCA a EMMEL recebeu recursos para coisas básicas necessárias para seu funcionamento, cabendo a professores e alunos arcar com isso financeiramente.
Eu trabalho em muitos lugares, e afirmo sem medo de errar, os profissionais da EMMEL estão entre os melhores que conheço, e poderiam estar despontando alunos de alto nível, não fosse o descomprometimento de uma gestão preocupada apenas com propaganda e marketing para a próxima eleição.
A EMMEL é dos alunos e da população formiguense, não para ser vítima dos caprichos de políticos que mal entendem suas funções, quanto mais a função de um equipamento cultural importante como esta escola!
Não falo isso preocupado com meu ?emprego?, quinze minutos depois do aviso de minha exoneração, eu já estava contratado para outro trabalho. Digo isso interessado unicamente no futuro e sucesso dos alunos que, mais uma vez, terão que começar do zero.
Atenciosamente

Maestro Cassiano Maçaneiro?.

Na prefeitura
Indagada a respeito, a Secretaria de Comunicação, enviou a seguinte nota: ?Conforme apurado, o maestro Cassiano Masçaneiro continua responsável pela escola de música Emell (Escola Municipal de Musica Enésimo Lima)? [sic].

Imprimir
Comentários