A grande utilização de usinas termelétricas foi a principal justificativa dada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o reajuste de 11,23% proposto para clientes residenciais no terceiro ciclo de revisão tarifária. O aumento foi anunciado pouco depois da Medida Provisória (MP) 579, de janeiro deste ano, que reduziu as tarifas das concessionárias em 18,14%.
Caso a proposta da Aneel seja confirmada – a sugestão será debatida em audiências públicas – o impacto acumulado para o consumidor residencial será de uma queda de 8,95%, metade do inicialmente anunciado. Os novos índices passam a valer a partir de 8 de abril.
Mais da metade da energia nova que a Cemig teve de comprar nos leilões da Aneel veio de termelétricas, explicou o diretor da Aneel, Edvaldo Santana, que esteve em Belo Horizonte na manhã desta quarta-feira (20) . Segundo ele, isso explica porque, entre as quatro concessionárias que já tiveram seus índices de reajustes divulgados pela Aneel, a Cemig foi a que apresentou maior percentual.
No último reajuste autorizado pelo governo, a Aneel previu um custo da Cemig com termelétricas de R$ 173 milhões em 2012, mas a empresa desembolsou R$ 428 milhões, R$ 255 milhões a mais. Além de reembolsar esse custo extra, o reajuste também já leva em conta uma perspectiva pessimista de que as termelétricas continuarão a ser usadas em 2013. Tudo isso, segundo a Aneel, entrou na composição do índice.
A demanda por energia vai aumentar, e não cresce na mesma proporção a capacidade de produzir energia hidrelétrica. Não há saída senão as termelétricas, diz Santana. O preço médio do megawatt-hora (MW/H) de energia termelétrica é de R$ 310, enquanto a mesma quantidade de energia hidrelétrica custa R$ 105.
O presidente do Conselho de Consumidores da Cemig, José Luis Ribeiro, diz que aguarda da empresa uma explicação para a grande utilização das termelétricas. Não dá para comparar os reajustes de outras concessionárias do Brasil, porque cada uma tem suas peculiaridades. Mas já foi solicitado à Cemig uma exposição clara dos motivos que fizeram a empresa ter sido tão dependente das termelétricas no ano passado.

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