Mais de 10 mil pessoas ainda estão fora de casa no Espírito Santo em consequência das fortes chuvas que atingem o Estado desde o dia 17 de janeiro. A informação está no Boletim da Defesa Civil Estadual divulgado no fim da manhã desta segunda-feira (27). O número vem aumentando de acordo com as apurações do Corpo de Bombeiros nas localidades afetadas.

Na atualização do boletim consta ainda que 20 municípios de Norte a Sul do Estado estão em alerta máximo para alagamentos e deslizamentos de terra. Na manhã desta segunda, o nível do Rio Doce em Colatina ultrapassou a cota de inundação e a água começou a invadir a cidade, mas ainda não há registros de que tenha invadido imóveis.

Desde que as chuvas começaram, nove pessoas morreram, incluindo duas crianças. Três vítimas que estavam desaparecidas em Castelo foram encontradas com vida neste domingo, segundo a Defesa Civil. No total, 8.777 pessoas estão desalojadas e 1.312 estão desabrigadas em todo o Estado.

Alegre é o município com mais pessoas desabrigadas, com 2.300 moradores que não têm condições de ficar em suas casas e também não têm para onde ir. Eles estão acomodadas em abrigos na igreja da comunidade de Rive e no ginásio de Rive.

Isso aconteceu após o alerta de risco de rompimento de barragem Francisco Gros, mais conhecida como barragem São João, válido para as comunidades de Rive e Placa, que precisaram deixar suas casas. O volume de água é grande. O aviso continua válido nesta segunda-feira (27).

O governo federal reconheceu o decreto de estado de calamidade pública para quatro municípios: Iconha, Alfredo Chaves, Vargem Alta e Rio Novo do Sul. Neste sábado, um mutirão de voluntários convocado pelo governo do estado esteve em Iconha para fazer a limpeza da cidade.

Das nove mortes registradas desde o dia 17, duas aconteceram neste sábado (25), quando duas crianças morreram soterradas, sendo uma em Conceição do Castelo e a outra em Iúna. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil informaram que ainda não têm mais detalhes sobre esses casos.

Há diversos pontos de interdição parcial e total em estradas e rodovias que cortam o Estado, o que dificulta a operação de resgate e a comunicação das equipes, em alguns casos.

Resgates do fim de semana

As equipes de resgate do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer) fizeram 28 resgates durante as chuvas deste final de semana no Sul do Espírito Santo. A maioria desses resgates foi feita em Cachoeiro de Itapemirim e Alegre.

No sábado (25), um homem foi retirado do telhado da casa pelo cesto de resgate da aeronave depois que a localidade de Pacutuba, em Cachoeiro de Itapemirim, ficou alagada.

Na mesma localidade, três pescadores que estavam em um pé de jamelão também foram resgatados. Segundo o major Cristian do Notaer, os homens já estavam ilhados há quatro dias e, nos últimos dois, decidiram subir no pé de jamelão porque estavam sem comida.

Ainda em Pacotuba, um produtor rural identificado como Gilson, de 64 anos, foi resgatado depois de ficar ilhado em casa. Ele contou para a equipe de salvamento que ficou quatro dias sem comer.

O Notaer também resgatou um idoso de 80 anos que precisava fazer hemodiálise e um outro casal de idosos que ficou preso em um carro ao tentar deixar a cidade pela rodovia.

Cachoeiro de Itapemirim

Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, foi uma das cidades mais prejudicadas pela chuva neste sábado (25). O nível do rio que corta a cidade subiu de 10 a 12 metros, alagando boa parte do município. O nível da água começou a baixar neste domingo (26), mas foi nesta segunda-feira (27) que os moradores começaram a ter a real noção dos prejuízos.

A manhã desta segunda foi dedicada à limpeza para muitos moradores e comerciantes. Segundo o coordenador da Defesa Civil Municipal, Inácio Daroz, essa foi a maior calamidade que Cachoeiro de Itapemirim já sofreu.

O município continua em estado de alerta e ainda há bairros alagados na cidade.

“Constatamos que foi a maior calamidade que Cachoeiro de Itapemirim já sofreu. Agora é o momento de limpeza da nossa cidade, de reconstrução da nossa cidade. Vários serviços da prefeitura foram atingidos e a gente espera restabelecer esses serviços o mais rápido possível”, informou Daroz.

O abastecimento de água na cidade também está parcialmente afetado. De acordo com a BRK Ambiental, a empresa está trabalhando para normalizar a situação em até três dias.

Homem arrastado em Castelo

Um vídeo mostra um homem sendo levado pela correnteza na enchente de Castelo no sábado, quando tentava entrar em uma imóvel. A cidade foi uma das mais prejudicadas pelo temporal do fim de semana, que fez o rio subir cerca de oito metros. Segundo testemunhas, a vítima conseguiu se salvar.

Nas imagens é possível ver quando o homem cai na água e imediatamente é levado pela correnteza. Pessoas gritam para ele se agarrar a um poste, que estava mais a frente. Ele consegue segurar na estrutura.

O vídeo que viralizou nas redes sociais no Espírito Santo não mostra o fim da história, mas segundo testemunhas, um amigo jogou um fio de antena e conseguiu puxá-lo de lá.

Visita do Ministro

O Ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, esteve no Espírito Santo neste domingo (26) e sobrevoou os municípios atingidos pela chuva, junto com o governador Renato Casagrande e outros membros no governo.

O Ministro Gustavo Canuto explicou que o governo federal tem uma quantia de R$ 90 milhões disponível para uso emergencial de socorro e atendimento às vítimas, que poderia ser usado por Espírito Santo e Minas Gerais, mas Casagrande explicou que essa verba não é necessária para esse fim.

Agora, o Espírito Santo fará um levantamento dos estragos nas cidades afetadas pelas chuvas e do dinheiro necessário para obras. Na quinta-feira (30), o ministro deve retornar ao Estado e o governador deve pedir o valor necessário para as reconstruções.

Cidades em calamidade pública

O governo federal reconheceu o decreto de estado de calamidade pública para quatro cidades na quarta-feira (22). São elas: Iconha, Alfredo Chaves, Vargem Alta e Rio Novo do Sul.

Ela foram mais prejudicadas pelo temporal do dia 17 de janeiro e onde ocorreram as nove mortes registradas.

Iconha, que chegou a ser descrita pelo governador do Espírito Santo como “cenário de guerra” depois que o nível de água baixou, só teve uma avanço na limpeza depois que um mutirão de mais de 500 voluntários esteve na cidade neste fim de semana, tamanha foi a destruição.

Defesa Civil não sabe dizer quantos imóveis estão com a estrutura comprometida, em Iconha, no ES — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

As demais cidades também continuam prejudicadas. Muitos moradores perderam tudo o que tinham e os comércios ficaram devastados.

Em Iconha, 1.977 pessoas continuam foram de casa; em Alfredo Chaves são 1.984 moradores; em Vargem Alta são 1.109 e em Rio Novo do Sul são 15.

 

Fonte: G1 ||
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