Substâncias tóxicas foram encontradas na água utilizada para produzir cervejas da Backer, na fábrica do bairro Olhos d’Água, região Oeste de Belo Horizonte. A constatação indica a possibilidade de contaminação em todos os rótulos da marca. A informação foi dada pelo Ministério da Agricultura (Mapa) nessa quinta-feira (16), mesmo dia em que mais uma morte por síndrome nefroneural – doença que pode estar ligada ao consumo da bebida contaminada – foi registrada.

Já são dois óbitos confirmados e um terceiro sob suspeita. O número de casos investigados subiu para 18, segundo a Polícia Civil. Exames de sangue de quatro pacientes detectaram a enfermidade. Não constam na lista notificações feitas pelas prefeituras de Itaúna, no Centro-Oeste de Minas, e Araxá, no Alto Paranaíba. Os registros, conforme as administrações municipais, foram encaminhados à Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Em meio ao avanço da síndrome, segue o mistério entre o consumo da bebida e o surgimento dos sintomas, como a insuficiência renal, que pode ser provocada após contato com monoetilenoglicol e dietilenoglicol. Ambas substâncias tóxicas foram detectadas em mais de um tanque e em sete lotes de cervejas da Belorizontina e Capixaba.

Apesar da constatação, autoridades ainda não conseguem explicar como ocorreu a falha na fábrica da Backer, o que impede responsabilizar a empresa pela contaminação. Porém, o próprio Mapa já adiantou que, comprovada a utilização incorreta dos insumos, a cervejaria pode ter o registro cassado. Por enquanto, segue a interdição do espaço até o fim das investigações.

Hipóteses
Sabotagem, vazamento e uso incorreto de insumos estão entre as suspeitas. “A gente encontrou essa água contaminada no processo produtivo e existem diversas hipóteses, já que o produto era usado no resfriamento e não deveria ter contato com a água”, afirmou o coordenador-geral de Vinhos e Bebidas do Mapa, Carlos Vitor Müller.

Até o momento, o órgão federal recolheu 139 mil litros de cerveja e 8.840 litros de chope da Backer. Notas fiscais foram analisadas. Segundo o órgão, 15 toneladas de monoetilenoglicol foram adquiridas pela empresa mineira desde 2018, com picos em novembro e dezembro de 2019.

Em nota, a Backer informou que, nos últimos dois anos, precisou aumentar a compra da substância “para atender a demanda de ampliação constante da sua planta produtiva”. No período foram adquiridos 29 novos tanques de fermentação.

A empresa voltou a negar o uso de dietilenoglicol. Na terça-feira (14), a diretora de Marketing da cervejaria, Paula Lebbos, disse que, em 20 anos, a Backer nunca comprou a substância. “O monoetilenoglicol é utilizado. E ele é utilizado por centenas de outras cervejarias do Brasil e do mundo”, garantiu. “Para a gente, tudo isso também é um mistério”.

Famílias

Nessa quarta, por meio de nota, a fabricante disse ter disponibilizado um telefone exclusivo para parentes dos hospitalizados com sintomas da síndrome nefroneural. Garantiu que “está aberta para receber o contato desses familiares sempre que desejarem e continua colaborando com as autoridades e verificando seus processos para contribuir com as investigações e ter respostas o quanto antes”.
O número é (31) 3228-8859, de 8h às 17h.

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