Centenas de manifestantes de Hong Kong se reuniram nesta quarta-feira (2) em frente à escola do jovem de 18 anos ferido no dia anterior por um tiro da polícia. Tsang Chi-kin foi o primeiro manifestante vítima de um tiro desde junho quando começaram os protestos pró-democracia neste território semiautônomo.

Em frente à escola, os alunos mostravam fotos do incidente, que aconteceu no bairro Tsuen Wan, a cerca de 10 km do centro da cidade. O policial atirou no jovem depois que sua unidade foi atacada por manifestantes armados com paus e guarda-chuvas.

O chefe da polícia de Hong Kong, Stephen Lo, afirmou que policial disparou porque temia por sua vida e “em um período muito curto de tempo, ele tomou a decisão e atirou contra seu agressor”.

Em um comunicado, o governo informou que o estado de saúde do jovem é estável, de acordo com as últimas informações do hospital.

Na terça-feira, centenas de milhares de pessoas foram às ruas em Hong Kong, em um desafio a Pequim que comemorava o 70º aniversário da fundação da República Popular da China.

A mobilização começou contra um projeto de lei sobre extradições para a China continental, já retirado, e depois expandiu-se para demandas por maior democracia e contra a interferência de Pequim nos assuntos locais.

A cidade foi palco de violentos confrontos na terça. Policiais e os jornalistas ficaram feridos por líquido corrosivo lançado pelos manifestantes mais radicais. Várias barricadas foram incendiadas em vários bairros. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo, canhões de água e balas de borracha.

Polícia prende manifestante durante protesto em Hong Kong, nesta terça-feira (1º) — Foto: Nicolas Asfouri / AFP


‘Estado policial’

No entanto, os manifestantes negam esta versão e afirmam que o policial atacou as pessoas e sacou sua arma.

“Hong Kong se tornou um Estado policial de fato”, tuitou Joshua Wong, uma das figuras emblemáticas do movimento pró-democracia na ex-colônia britânica.

Marco, um colega de classe de Tsang Chi-kin, explicou que seu amigo, apaixonado por basquete, estava indignado com o retrocesso das liberdades em Hong Kong e com a violência policial.

“Quandi ele vê problemas ou injustiças, se opõe a elas e as enfrenta com coragem, em vez de sofrer em silêncio”, disse à AFP.

Diretores do hospital disseram que admitiram mais de 70 pessoas na terça-feira, enquanto a polícia relatou 25 agentes feridos.

A polícia conduziu 160 prisões e fez seis disparos no total.

Manifestantes contra o governo se protegem com guarda-chuvas durante manifestação em Hong Kong, nesta terça-feira (1º) — Foto: Jorge Silva/ Reuters

Nesta quarta-feira, 96 manifestantes presos no domingo, em outro dia particularmente violento, compareceram perante o tribunal acusados de participar em confrontos com a polícia. Eles têm entre 14 e 39 anos.

Hong Kong enfrenta desde junho sua mais grave crise política desde o seu retrocesso a Pequim em 1997.

Além de pedir mais democracia e opor-se à interferência de Pequim, os manifestantes denunciam a violação, segundo eles, do princípio de “um país, dois sistemas”. Este princípio, que lhes concede liberdades muito mais amplas do que no resto do país, foi acordado na época de seu retorno à China.

 

Fonte: G1/ France Presse||
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