Manifestantes foram às ruas em várias cidades nesse domingo (26) em apoio à Operação Lava Jato e contra a corrupção. Em muitas capitais, os manifestantes também protestaram contra a lista fechada, modelo de sistema eleitoral que está em discussão. De acordo com os organizadores dos movimentos “Vem Pra Rua” e “Brasil Livre”, foram programados atos em 130 cidades.

São Paulo

Os manifestantes reuniram-se na Avenida Paulista, região central da capital paulista, para protestar a favor da Operação Lava Jato, contra o financiamento público de campanha, o voto em lista fechada e o foro privilegiado. Vestidos e verde e amarelo, os participantes concentraram-se próximos a oito carros de som espalhados pela avenida. Uma faixa de 100 metros com os dizeres “fim do foro privilegiado” foi esticada na avenida.

O ato começou por volta das 14h e foi convocado por meio das redes sociais. Às 16h, os manifestantes se dividiram. A maior concentração ocorreu em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), onde estava o carro do Vem pra Rua, um dos organizadores da manifestação. O ato foi pacífico e terminou por volta das 18h – horário em que a avenida é reaberta para circulação de veículos. A Polícia Militar e os organizadores não divulgaram números de participantes.

Ocorreram também manifestações no interior do estado. A maior foi em Campinas, onde os organizadores estimam que 2,5 mil pessoas participaram do ato. Em Jundiaí, estima-se que mais de 1 mil pessoas tenham ido às ruas – a polícia não divulgou números.

Belo Horizonte

Na capital mineira, a manifestação ocorreu na Praça da Liberdade. A mobilização foi realizada pelos grupos Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre (MBL) e Patriotas, que lideraram os atos a favor do impeachment de Dilma Rousseff no ano passado.

Os manifestantes contaram com um palco e dois carros de som para fazer discursar. Os organizadores calcularam em 4 mil participantes. A Polícia Militar não fez estimativa de público.

Uma das bandeiras apresentadas no ato foi o fim do foro privilegiado. Segundo Silas Valadão, líder dos Patriotas, seria uma forma de impedir seletividade dos processos no Supremo Tribunal Federal (STF), retirando a prerrogativa dos deputados, senadores, ministros e presidente da República de serem julgados unicamente pela Corte.

Os manifestantes também protestaram contra a lista fechada nas eleições, a anistia ao caixa 2 e o aumento dos recursos do fundo partidário. Segundo a médica Kátia Pegos, líder do Vem Pra Rua em Minas Gerais, os parlamentares estão se movimentando para se blindar da Operação Lava Jato. “Eles querem manter o foro privilegiado e agora estão se articulando para aprovar o voto em lista, o que seria um grande retrocesso em um país que já saiu às ruas para pedir Diretas Já. Você vota no partido e o partido coloca os caciques de sempre, muitos dos que estão sendo investigados”. Os manifestantes não fizeram críticas ao presidente Michel Temer.

Sobre a reforma da Previdência, os grupos ainda não têm posição fechada. Para o Vem pra Rua, reformas são necessárias, mas não devem ser feitas sem participação popular. “Não dá para manter benefícios para os políticos, o Judiciário, os militares. A regra tem que valer para todos. E também achamos pesado 49 anos de contribuição para alcançar a aposentadoria integral. É o que posso te adiantar, mas ainda não temos uma posição fechada e estamos estudando”, diz Kátia Pegos.

Por outro lado, Silas Valadão vê avanços na proposta que tramita no Congresso. “Estão pegando pontos mais frágeis e mais discutíveis para demonizá-la e ignoram os pontos positivos que deixarão a Previdência mais enxuta. Hoje, o cidadão fica fazendo plano de previdência privada porque sua aposentadoria não dá para nada”, disse, acrescentando que defende o projeto de terceirização aprovado na Câmara, como forma de geração de emprego e adequação do Brasil a uma realidade mundial.

O governador Fernando Pimentel também foi alvo da manifestação. “Nós esperávamos que o judiciário fosse mais célere para nos poupar desse governo. Estamos incomodados com a cooperação institucional para sua manutenção no poder”, diz Kátia Pegos.

Pimentel foi denunciado em maio pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por corrupção e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Acrônimo. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a abertura de uma ação penal contra o governador dependeriada  autorização de dois terços dos deputados estaduais da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O assunto será analisado pelo STF em abril.

Recife

No Recife, os manifestantes se concentraram na Avenida Boa Viagem, na zona sul da cidade, por volta das 10h. Usando roupas verde e amarela, levavam faixas em apoio à Operação Lava Jato e ao juiz Sérgio Moro, que conduz as investigações na Justiça Federal. A manifestação seguiu pela orla até o 2° Jardim, onde se dispersou por volta das 12h30. Os organizadores e a polícia não divulgaram número de participantes.

Brasília

Na capital federal, os manifestantes reuniram-se na Esplanada dos Ministérios. Uma das principais pautas de reivindicação foi contra a lista fechada, que vem sendo defendida por vários políticos. O juiz federal Sérgio Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato no MP, Deltan Dallagnol, foram lembrados. O protesto começou às 10h e terminou ao meio-dia, com um enterro simbólico do que os manifestantes chamaram de “velha política”. As lápides foram levadas para a frente do espelho d’água do Congresso Nacional. Em cada uma, havia a foto de um político.  De acordo com a Polícia Militar, 630 pessoas participaram do ato.

Rio de Janeiro

Em apoio à Operação Lava Jato da Polícia Federal e contra o foro privilegiado e a impunidade, os manifestantes percorreram a orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. A advogada Adriana Balthazar, porta-voz do Vem Pra Rua no estado, disse que o grupo também é contrário ao voto em lista fechada e o aumento do fundo partidário “que são as coisas que impediriam a renovação. O foro privilegiado manteria essa turma que está aí [no Congresso Nacional]”, disse.

 

Fonte: Agência Brasil ||

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