Lorene Pedrosa

No ano de 2014, a Santa Casa de Caridade de Formiga recebeu a indicação de várias emendas parlamentares para a compra de equipamentos. Tais valores custearam a compra de diversos itens, dentre eles, duas máquinas de lavar. Uma com capacidade para 200 kg de roupas e outra com capacidade para 100 kg. Porém, a estrutura do hospital não comporta a instalação de nenhuma das duas que, juntas, custaram R$310 mil.

 

Lavadora com capacidade de lavagem de 200 kg (Fotos: Lorene Pedrosa)

A lavadora de maior capacidade, que custou R$192 mil, chegou ao hospital no fim de 2016. Como não cabe na lavanderia e sequer passa por alguma das portas de acesso à área de lavanderia do hospital, o equipamento foi colocado em um pátio externo e uma cobertura para protege-lo foi improvisada com telhas de amianto.

Lavadora com capacidade de lavagem de 100 kg. Preço: R$ 118 mil.

O outro equipamento chegou há poucos dias e também foi deixado em local aberto. Inclusive, foi necessária a realização de obras em um dos portões de acesso ao pátio para que fosse possível que um caminhão munck pudesse adentrar no local e mover a lavadora para área mais adequada.

Para entender melhor o caso, o Nova Imprensa buscou informações junto à atual administração da entidade.

O secretário de Relações Públicas, Kleber Vaz (Charuto), e uma das responsáveis pelo administrativo, Meila Tassiane, deram detalhes da compra e do que deverá ser feito com os equipamentos que se transformaram em verdadeiros elefantes brancos.

Segundo a Santa Casa, a decisão para a compra das lavadoras foi tomada pela diretoria da época, composta pela administradora Mariana Xavier e pelo médico Fabrini Garcia Leão Vidal. Os valores conseguidos para o custeio da compra são fruto de quatro emendas parlamentares. Duas dos deputados Jaime Martins (federal) e Carlos Meles (estadual), uma de Jaiminho Martins e Domingos Sávio (federal) e a quarta de Jaiminho com Clésio Andrade (ex-senador). Juntas, as emendas chegam a quase R$3,5 milhões. Recursos que foram liberados apenas em 26 de outubro de 2015, por isso, coube ao atual provedor da Santa Casa, Alexandre Amaral, assinar, no início de 2016, o contrato anteriormente negociado para de compra das máquinas.

“Quando a lavadora de 200 kg chegou, percebemos que estávamos diante de um grande problema que sequer poderíamos evitar, uma vez que a ordem de compra dos equipamentos é anterior ao nosso trabalho frente à Santa Casa”, explicou Kleber Vaz.

Com uma enorme capacidade de lavagem, muito superior à necessidade do hospital, o secretário de Relações Públicas disse que pode ser que a gestão da época pretendesse utilizar o equipamento para lavar enxovais de outras unidades de saúde, vendendo este serviço.

O jornal tentou contato, via telefone com o médico Fabrini para entender a compra de tais equipamentos, mas ele não atendeu as ligações.

A máquina que está em uso no hospital é de capacidade para 50 kg de roupas, mas, segundo Kleber, está velha e apresenta problemas constantes. Por isso, será realizado um planejamento arquitetônico na Santa Casa para que o equipamento com capacidade para 100 kg seja instalado e colocado em funcionamento.

Já o “futuro” da máquina de maior capacidade ainda é incerto. Segundo Meila Taciane, o hospital está em contato com o Ministério da Saúde para ver quais as possibilidades de se desfazer do equipamento. Seja cedendo-o para outra entidade, em acordo feito sob a supervisão do Ministério Público ou o devolvendo para a fabricante, ficando com crédito junto à empresa. “Infelizmente, a chance desse recurso retornar ao caixa da Santa Casa é quase inexistente”, comentou Meila.

Para evitar erros graves como a compra das duas lavadoras, Kleber explicou que, desde a posse da nova gestão da Santa Casa, foi montada uma comissão para analisar o uso do dinheiro proveniente de emendas parlamentares, partindo das necessidades mais urgentes do hospital e fazendo a melhor aplicação de tais valores destinados à aquisição de bens de uso.

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