Por Chico Maia

Aos 24 minutos do primeiro tempo Marta fazia 1 a 0 sobre a Austrália e exatamente neste momento me chegava uma mensagem de Belo Horizonte informando que o Mano Menezes pedira demissão do Cruzeiro. Daí a pouco Cristiane fez 2 a 0 e parecia que a noite em Montepellier seria da classificação da Seleção Brasileira para as oitavas de final da Copa Feminina. Mesmo com maior tempo de bola com as australianas a determinação e inspiração das brasileiras eram supremas. Mas, a melhor condição física das adversárias falava mais alto e aos 46 e 47 vieram os gols de empate.

Marta entrou sem as melhores condições físicas, problema muscular na coxa, fez o que pôde e teve que sair. Com 41 anos de idade, Formiga, que correu demais, também teve que ser substituída. Péssimos sinais. O segundo tempo foi um inferno para o time brasileiro e tudo mudou. Aos 29, Cristiane, também veterana, teve que ser substituída. E a Austrália virou o jogo.

Para quem não acompanha o dia a dia da Seleção Brasileira é fácil culpar A ou B, em especial ao técnico Vadão. Se eu não estivesse presente a este mundial e longe das informações sobre a seleção, também entraria nessa. Mas a verdade é que Vadão não tem culpa nenhuma. Foi um resultado normal, tanto pela qualidade da Austrália, páreo sempre duro e algoz do time brasileiro nos confrontos anteriores, quanto pela falta de condição física de todo o time verde e amarelo em relação às demais participantes da Copa. É a velha história que se repete: temos talentos individuais, mas não temos uma estrutura para termos uma seleção permanente, forte também fisicamente.

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