Internautas criticaram uma das maiores influenciadoras da internet, a italiana Chiara Ferragni, por causa de uma foto em que a modelo mostrava o primeiro passeio do filho após dois meses de isolamento. Na imagem, o menino de 2 anos não usa a máscara de proteção.

A recomendação oficial na Itália, como alegou a influencer em resposta é a de que máscaras em locais públicos não são obrigatórias para crianças menores de seis anos.

No Brasil, o Ministério da Saúde diz que qualquer pessoa deve usá-las, “inclusive crianças e pessoas debilitadas, mas desde que respeitadas a tolerância, o ajuste e a higiene do material” como consta no manual de máscaras caseiras.

Mas Sociedade Brasileira de Pediatria juntamente com o ministério orienta que menores de dois anos não usem a máscara por causa do risco de sufocamento. Além disso, os pequenos são incapazes de remover o acessório sem ajuda, o que favorece a contaminação.

Abaixo, infectologistas falam de outras situações e indicam as melhores práticas para máscaras em crianças:

Clarissa Cerqueira, infectologista pediátrica do Hospital Ana Nery, em Salvador, afirma que pais ou responsáveis devem considerar a capacidade da criança pequena de tolerar o uso da máscara ao decidirem se ela usará ou não a proteção ao sair de casa.

“Crianças pequenas têm muito forte o reflexo de levar a mãe no rosto, na boca e no nariz. Elas farão isso mesmo utilizando a máscara, principalmente se não forem capazes de entender as orientações de uso”, explica Cerqueira.

Este é o caso da filha de dois anos e 9 meses da astrônoma Erika Rosseta, de Curitiba, que não consegue ficar de máscara.

A mãe tem explicado para a filha o que é o coronavírus. “Ela sabe que tem um ‘bichinho’ que a gente não vê, e deixa a gente doente. Ela entende que é por isso que não podemos sair. Se alguém pede para vir em casa, ela mesma diz que não pode porque o coronavírus está ‘andando por aí’”, diz Erika. “Ela gosta da ideia de usar a máscara, mas não tem autocontrole para usá-la corretamente.”

A primeira vez que a menina usou a máscara foi esta semana, quando pediu para ir com a mãe levar o cachorro para passear no quarteirão de casa. Segundo Erika, a experiência foi um “desastre”.

“Na rua, minha filha disse que a máscara estava machucando os olhos e puxou-a do rosto. O elástico se soltou da orelha dela e tive que arrumar a máscara ali mesmo. Dois minutos depois, ela colocou a mão na máscara de novo e ainda esfregou os olhos”, conta Erika.

Em casos como o da filha de Erika, a infectologista Cerqueira alerta que “a máscara será mais um fator de contaminação do que de proteção, então é melhor evitar usá-la.”

Além da personalidade e comportamento de cada criança, Cerqueira indica que os pais devem considerar ao colocar a máscara nos filhos pequenos:


  • O local em que irão: a criança terá que ficar perto de outras pessoas? É um transporte público? Terá concentração de gente?
  • Se a criança é capaz de entender a importância de usar a máscara
  • Se a máscara cobre o queixo da criança, assim como metade do nariz e fica bem ajustada às bochechas
  • Se a criança é capaz de não tocar na máscara durante o uso

Crianças podem ser assintomáticas

A pediatra Samanta Matos, da seção de infectologia pediátrica do hospital Santa Casa, em São Paulo, defende que toda criança a partir dos dois anos deve usar a máscara quando necessitar sair de casa.

“A máscara facial serve para tanto para a proteção da criança como para proteger as pessoas ao seu redor, pois, muitas vezes, as crianças podem carregar o coronavírus sem apresentarem sintomas”, explica Matos.

A profissional recomenda que as crianças entre dois e quatro anos devem ser observadas pelo adulto enquanto usam a máscara. “Nesta faixa etária, nem todas se adaptarão à máscara e muitas, por não respeitarem as medidas de proteção individual, podem não se beneficiar do seu uso”.

Quando não usar a máscara de pano

Crianças que estão em fase de nascimento dos dentes babam com frequência. Além disso, criança pequenas têm dificuldade e assoar o nariz. Nestes casos, a pediatra Matos orienta que as máscaras de pano devem ser substituídas pela descartável.

A máscara descartável também deverá ser usada em crianças com os seguintes sintomas, de acordo com Matos:

  • febre
  • tosse ou espirros
  • secreção nasal
  • sintomas gastrintestinais

Além disso, toda vez que a máscara descartável ficar molhada por causa das secreções da criança, ela deve ser descartada, já que perde o seu efeito quando úmida. O ideal é levar máscaras sobressalentes quando sair à rua.

Distanciamento social reforçado

Caso a criança não consiga usar a máscara seguindo as orientações para não se contaminar, mas realmente precise sair de casa, Cerqueira indica que ela deverá ficar no colo dos pais e se manter distante em dois metros de qualquer pessoa de fora de casa.

“Se você está a mais de um metro de distância dos outros, não tem como suas gotículas atingirem alguém ou ser atingido pelas gotículas de saliva do outro”, explica a infectologista pediátrica.

Em relação às crianças menores de dois anos, que não podem utilizar a máscara por causa do risco de sufocamento, caso seja de extrema necessidade sair de casa, Matos orienta que “os pais devem evitar aglomerações, mantendo distanciamento pessoal mínimo de 1 metro e meio. Caso não seja possível, a criança pode ser coberta com um cobertor leve, que não prejudique sua respiração”.

A pediatra lembra que, ao chegar em casa, os pais devem sempre deve-se retirar para lavagem toda a roupa e o calçado da criança.

Matéria do G1

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