Redação Últimas Notícias

Por inciativa do vereador Marcelo Fernandes foram exibidas, durante a reunião de segunda-feira (5), da Câmara, várias fotos e vídeos que tratam do que, na verdade, todo mundo já sabia. “A cidade está um caos e a minha intenção foi registrar isso aqui no Legislativo, pois, pedido de providência, está comprovado que não funciona. Eles sequer nos respondem ou justificam os motivos pelos quais não nos atendem. Este prefeito precisa sair nas ruas, como nós vereadores de bairro para constatar que os seus secretários não conhecem a cidade e muito menos os problemas que lhes cabem resolver”.

Foto: Paulo Coelho/Últimas Notícias

Em síntese, foi isso que Marcelo Fernandes mostrou aos colegas e ao público presente além de muitos outros comentários que, merecem destaque.

O vereador iniciou sua fala lembrando que aquela era a quarta vez que fazia o uso da Tribuna do Povo. Nas três ocasiões anteriores, falou em nome da Associação de Moradores e Amigos dos bairros Ouro Verde, Jardim Montanhês, Rosa Mística e Ouro Branco (Amab) que representa e reivindicou melhorias e providências do Executivo em favor da região que reafirmou, é mais que carente.  “Estou aqui falando com a legitimidade de quem foi eleito e tem obrigação de fiscalizar e de cobrar do Executivo tudo que julgar como prejudicial ao povo”

 

       

Marcelo fez um relato minucioso e bem documentado sobre a falta de capina e de cuidado com as vias públicas, dentre outros problemas existentes e persistentes nos bairros Novo Horizonte, Ouro Verde, Rosa Mística, Coronel Balbino, Jardim Montanhês, Santa Luzia, dentre outros. Tais questões já foram objeto de pedidos de providências feitos por diversos vereadores, mas os problemas continuam.

Marcelo questionou também os R$25 milhões, no orçamento à disposição das secretarias de Gestão Ambiental (R$7 milhões) e de Obras (R$18 milhões) o que, para ele, se opõe à cantilena de que não tem recurso no Executivo, o que justifica a inércia existente.

O vereador mostrou ainda vídeos do matagal que existe em alguns locais públicos como escolas, creches e Postos de Saúde, colocando em risco os usuários, o que para ele é inadmissível.

Como não podia deixar de ocorrer, Marcelo repetiu o que já vem reclamando há tempos em diversas reuniões anteriores, com relação à péssima condição de atendimento do Saae, sempre sob a alegação de que falta mão de obra. “Lá pelo que sabemos não faltam recursos. Falta administração, pois, dizer que falta mão de obra, não tendo tomado providências para a realização de um concurso público que está autorizado por esta Casa desde o ano passado é um absurdo”, disse Marcelo.

O vereador ainda disse que o prefeito só fica no gabinete e que ele deveria andar pela cidade para conhecer os problemas, já que os secretários também, dificilmente, saem de suas cadeiras. “Este prefeito já foi vereador e deve saber o que é enfrentar diariamente a cobrança dos moradores de seu bairro”.

Falta de cumprimento de leis

    

Marcelo disse que o Executivo descumpre as próprias leis por ele sancionadas e citou como exemplo o fato de as lotéricas não estarem sendo fiscalizadas e descumprindo a exigência de distribuir senhas. Também falou da falta de cumprimento da  lei que regulamentou o comércio de ambulantes, por falta de fiscalização. “Fim de semana na região da ponte dos Três Irmãos, se forma um varal de camisas, roupas e outros objetos comercializados nas muretas da ponte”.

Falta diálogo entre os poderes

Já se encaminhando para o final de sua fala, o vereador lembrou que desde 2017 está pedindo que o Executivo coloque em funcionamento o banheiro público localizado ao lado da ponte dos Três Irmãos.  “Até hoje nada, nem resposta. O que esperar de um governo que não consegue colocar em funcionamento um sanitário? Temos que nos unir, colegas, pois está mais que provado que pedido de providência, no Executivo, não é nada. Estamos aqui fazendo papel de bobos? Acho que a nossa comissão de Fiscalização do Serviço Público Municipal, precisa se reunir, quem sabe numa audiência pública, convocando os secretários e exigindo resposta de nossos pedidos e questionamentos?

Apelo final:

Percebendo a sinalização e ouvindo a interpelação do presidente da Casa, Evandro Donizeth (Piruca) alertando “ao caro colega que seu tempo já terminou”, Marcelo sugeriu que o prefeito ouça os vereadores e se reúna com eles, “pois nós estamos aqui para defender o município, não para atrapalhar. A falta de diálogo entre o Legislativo e os secretários é mais que evidente. Se continuar assim, não sei onde vamos parar,” concluiu.

 

(Foto: Arquivo UN)

Repercussões da fala de Marcelo

Sidney Ferreira:

Sidney Ferreira cumprimentou o colega e foi incisivo em sua crítica dirigida ao prefeito, secretários, membros do primeiro escalão e a alguns que no início deste mandato, “caíram de pau nos vereadores” pretenderam obter a correção nos subsídios, pelo INPC. “Agora senhores, eu gostaria que vocês que são agentes políticos, detentores de cargos de confiança e que vão receber a correção do INPC e mais 0,5%  como aumento concedido pelo prefeito, mantenham, suas coerências e devolvam tais importâncias aos cofres públicos. Falar e criticar nas redes sociais, em especial no grupo formado para alavancar a candidatura do prefeito, foi fácil. Vão lá agora e expliquem os motivos que justifica vocês receberem tais aumentos”, disse.

Diagnosticando a falta de recursos

Para mim é muito simples explicar as razões pelas quais os recursos minguaram, apesar do orçamento deste ano ser de R$169 milhões.  Com 14 secretários, os vices, mais uns importados e que vez por outra aparecem no gabinete ou em outras repartições, ou seja, com mais de 300 cargos públicos, fica mesmo inviabilizada a concessão de aumento de salários para os concursados. Para mim, os recursos orçamentários estão sendo utilizados de forma indevida,” concluiu

Previfor

Sidney sugeriu que uma comissão do Legislativo verifique com mais cuidado as contas da Previfor e anunciou que ficou sabendo da exoneração do competente Everaldo Alves Pacheco. O vereador quer que se esclareça por quais razões ele se exonerou.

Saae

Fazendo coro com Marcelo no tocante ao não atendimento dos pedidos de providências de origem do Legislativo, Sidney Ferreira lembrou que a resposta a ele encaminhada sobre oficio em que pleiteou que o Saae revise as contas dos usuários, não o convenceu. “No período de seca, em que efetivamente não produziu nem entregou água tratada com regularidade, pedi que a autarquia estudasse forma de devolver aos consumidores o que lhes foi cobrado a maior, pelo ar entregue nas residências. O aumento verificado no faturamento naquele período, comprova que meu pedido é justo”, disse o vereador.

 

Foto Arquivo/UN

Joice Alvarenga

Joice elogiou a coragem de Marcelo Fernandes e disse que estava muito feliz pois, tão logo regressou à Casa, após haver se afastado gozando da licença maternidade, percebeu que a Câmara estava diferente. Mas corajosa, menos submissa, mais unida. “Isto é muito bom. Porém é preciso lembrar que esta falta de recursos que o prefeito usa como desculpa a toda hora, no rádio, na TV, e nas suas falas, eu já havia anunciado quando esta Casa aprovou aquele projeto da Reforma Administrativa. Aquela época eu disse que o projeto iria onerar a folha em mais de  R$600 mil. É muita secretaria [14] e mais de 300 cargos em comissão. E olha que tem alguns, ou melhor, muitos, com salário bem alto. Acho que aquela total sintonia de antes, com o prefeito, já não é mais a mesma. E isto bom que ocorra. Democracia é assim, os poderes se respeitam, mas, não devem ser submissos uns aos outros. É preciso deixar bem claro que este reajuste alcança a todo o funcionalismo. Inclusive aos detentores de cargos de confiança, que já tiveram reajustes bem consideráveis com a implantação da Reforma Administrativa. A gente sabe que houve uma série de remanejamentos e para adequar os muitos indicados pelos 22 partidos”.  

Recado ao prefeito:

“Você Eugênio, já esteve aqui nesta cadeira do Legislativo e deve se lembrar que talvez, tenha sido o mais ferrenho algoz [adversário] do prefeito Aluísio. Agora você está do lado de lá e provavelmente aprendeu que no Executivo, assim como acontece aqui também, nem sempre as coisas andam como nós queremos. Daí o descumprimento de promessas e o abandono de certos projetos. Agora meu caro, você está provando do mesmo veneno que antes destilava”, concluiu Joice sob a insistência do presidente que repetia: “cara colega, seu tempo regulamentar já terminou”.

 

(Foto: Gleiton Arantes)

Sandrinho da Looping

Sandrinho da Lopping também elogiou a posição tomada por Marcelo, promovendo uma denúncia tão bem fundamentada e lembrou ao colega, que todos os vereadores estavam aptos a reclamar da falta de apoio do Executivo, já que o hábito de determinados secretários não responderem aos questionamentos ou pedidos de providência, não era exclusividade do vereador. “Todos aqui, assinamos esta queixa sem medo de errar”, disse.

A seguir, disse mostrando que também ele faz muitos pedidos e cobranças e lembrou que na semana anterior cobrou da saúde a falta de cirurgias eletivas e, como de costume, relacionou ruas em que os serviços da Gestão Ambiental e do Saae deixam a desejar.

Verba para pavimentação no Cidade Nova

O vereador, em outro momento da reunião, mais precisamente na Palavra Livre, anunciou aos presentes que a verba de R$ 700 mil, obtida junto do governo federal através de emenda do deputado Jaime Martins e destinada à pavimentação dos bairros Cidade Nova, Balbino Ribeiro, e construção de ciclovia, calçadão e nova pavimentação no acesso ao bairro, já está com o processo concluído e aguarda apenas a licitação por parte da Prefeitura para ser liberada.

Também cobrou mais agilidade da Secretaria de Regulação Urbana, que por excesso de burocracia, na opinião do vereador, tem dificultado a emissão de alvarás para a instalação de empresas na cidade.

 

Foto Arquivo/UN

Wilse Marques

Wilse Marques concordou com tudo que o Marcelo disse e reforçou:  “realmente pedidos de providências aqui, de nada adiantam. Falta diálogo dos secretários com o Legislativo. Acho também que a coisa lá pela Secretaria de Gestão Ambiental não anda bem. É grande o número de reclamações. A coisa está complicada” finalizou.

 

 

 

Foto Arquivo/UN

Flávio Martins 

O vereador Flávio Martins que faz parte da Comissão de Serviços Públicos disse que realmente é preciso cobrar melhorias. “Cobrei a capina na quadra no bairro Água Vermelha durante três semanas. Lá tem o Banco de Alimentos e um posto de saúde. Nessa quadra ocorrem jogos do Instituto Fumaça, com mais de 80 crianças, e o Tatame do Bem. A falta de respeito está muito grande, pois a gente cobra e não há nenhum respaldo. Parece que as respostas já vêm automáticas, é só clicar em uma tecla, é sempre a mesma coisa. Acho que temos que nos mobilizar e cobrar para que de alguma forma seja executado. A situação nas margens do rio Formiga está muito ruim, um lugar que deveria ser o cartão postal da cidade”.   

 

 

 

Foto Arquivo/UN

Flávio Couto

De acordo com Flávio Couto, a situação da rua nas proximidades da Lagoa e atrás do Parque de Exposições está crítica. “O primeiro pedido de providência cobrando uma solução foi feito por mim. Está um caos e ainda estou aguardando a resposta. Todos nós estamos cobrando, a Casa está unida, mas, infelizmente vereador não tem o poder de executar, isso fica provado que pedido de providência não resolve, pois não estão atendendo aos vereadores”.

 

 

Foto: Arquivo UN

Cabo Cunha

 É preciso sim, chamar os secretários municipais para virem à Câmara. Em relação a Executivo e Legislativo não podemos ser inimigos, precisamos andar em prol do povo formiguense. Creio que o Executivo não fugirá, se for por meio de convite. É preciso vir aqui dar esclarecimentos à população, contar porque não está fazendo. Oportunidade de dizer o que não fez e quando serão resolvidos esses problemas, para que toda a cidade ganhe. É um convite saudável para que falem publicamente. Algumas cobranças levam tempo”.    

 

 

 

Foto Arquivo/UN

Mauro César

O “águia” saiu-se bem na primeira empreitada. Ouviu a todos calado, ausentou-se algumas vezes do recinto e ao final fez uma breve defesa do Executivo, sem, é claro negar a realidade que esteve o tempo todo estampada na tela através da exibição de fotos e de vídeos. Concordou que realmente os pedidos de providência até então não tinham alguns deles merecido o tratamento esperado pelos vereadores e mostrou que alguns dos pontos ali reclamados já foram igualmente cobrados por ele, e , infelizmente o problema persiste. Os problemas relativos ao Saae, capina e poda de árvores e os relacionados com a falta de iluminação pública foram por ele relembrados.

Saindo do tema local, partiu para o ataque contra o governo do Estado, na tentativa de justificar a falta de recursos que para o governo municipal é causa de todos os problemas.  A sensação que ficou foi a de que o líder do governo na Câmara tentou cumprir sua missão, inclusive se oferecendo para intermediar encontros dos vereadores com o prefeito e secretários, atuando como uma espécie de moderador. É claro que o vereador Mauro César, sentiu o clima e ao que tudo indica terá algum trabalho para apaziguar as coisas por ali.

 

Foto Arquivo/UN

Piruca

Na condição de presidente da Mesa, agiu como tal, no que tange ao controle dos horários de fala dos vereadores. Ouviu tudo e esboçou em certos momentos, gestos de contrariedade, em especial quando as críticas ao governo, vinham em tom mais elevado. Em outras ocasiões, demonstrava concordar com as queixas e foi severo com a plateia. Aliás, se aquela Casa é mesmo a “casa do povo”, os poucos gatos pingados que frequentam as reuniões, ensaiam encabeçar um projeto popular que mude tal circunstância. Estar ali para ouvir e engolir goela abaixo tudo que a Casa produz, é no mínimo, uma incoerência, pois soa como concordância tácita.

 

 

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