Da redação

Após  a Santa Casa de Caridade de Formiga divulgar nota informando que o setor de maternidade poderá paralisar os serviços, o diretor técnico da entidade, o médico Lécio Vasconcelos, fez uso da ‘Tribuna do Povo’, na reunião do Legislativo desta semana  e solicitou o apoio dos vereadores para que as sobras orçamentárias de 2016 da Casa sejam usadas para o pagamento dos médicos que prestam serviço na maternidade.

Na nota, divulgada na terça-feira passada (6), a administração da entidade alegou que um dos motivos para a paralisação do setor seria uma dívida que a Prefeitura de Formiga tem com o hospital, referente ao convênio nº 067/2016.Esse convênio estaria atrasado desde agosto, gerando um déficit de R$ 435.600 e,de acordo com a Santa Casa, os médicos não recebem há 4 meses.

De acordo com o presidente da Casa, Evandro Donizeth (Piruca) a Câmara fará a devolução para a Prefeitura de aproximadamente, R$170 mil, no dia 29 deste mês. O total era de R$260 mil, mas R$90 mil já foram repassados para o Executivo usar como contrapartida na pavimentação de 20 ruas em vários bairros da cidade.

Lécio explicou que a equipe do hospital presta os serviços com otimismo, mas que a Santa Casa trabalha com 90% de verba via SUS. “Quando me deparei com a nota emitida pelo hospital, de que a maternidade iria fechar, pensei em pedir demissão. A Santa Casa não tem condições financeiras e a Prefeitura tem que ter um respaldo em relação a essa dívida. Peço ao prefeito que olhe essa situação com carinho”, disse.

Na reunião, os vereadores fizeram vários questionamentos ao diretor técnico. Após ele dizer que a intervenção do hospital não tinha surtido muito efeito, Cabo Cunha, que participou da equipe de intervenção, disse que a afirmação do médico era uma inverdade, pois várias pessoas trabalharam com afinco para sanar parte da dívida do hospital. “O senhor está sendo ingrato. A Santa Casa tinha quase R$15 milhões de dívida e quanto tem hoje? Podem ficar despreocupados que a maternidade não vai fechar”.

(foto: Gleiton Arantes)

Lécio se desculpou pelo comentário e disse que a situação da entidade é desesperadora. “Esses médicos que estão lá querem continuar, mas os convênios não são grandes. Os recursos para os custeios são insuficientes. Não estamos pedindo nenhum aditivo, mas sim que essa dívida seja sanada”.

O médico destacou ainda que a reputação da entidade não pode continuar manchada por coisas que aconteceram no passado. “Vim aqui pedir esse dinheiro humildemente e, se possível, que fosse antes do dia 22. O hospital não consegue viver só com recursos do SUS e é preciso que vocês acreditem na Santa Casa. Será que vamos começar mais um ano endividados?”, concluiu.

Os vereadores explicaram que não cabe a eles direcionar verbas, pois isso é uma decisão do chefe do Executivo. A obrigação do Legislativo é apenas devolver as sobras no final de cada ano.

Reunião no Ministério Público

Na terça-feira (13) representantes da mesa  administrativa da Santa Casa e da clínica médica de obstetrícia da entidade se reuniram no Ministério Público com a promotora Clarissa Gobbo dos Santos. Participaram também do encontro,  o vereador Cabo Cunha, o secretário de Saúde, Ronan Rodrigues de Castro Júnior, a procuradora do município, Sandra Micheline Salviano, o chefe de Gabinete, Carlos Henrique Vespúcio, além do prefeito eleito Eugênio Vilela e a equipe que assumirá a pasta da Saúde.

Na reunião, foi exposta a situação da clínica obstetra e o atraso dos salários dos médicos que atuam no setor.

A Santa Casa, mais uma vez, alegou que  a dívida da Prefeitura causou o atraso dos honorários dos profissionais. Apesar dos vereadores terem afirmado, na segunda-feira,  que não cabe a eles direcionar verbas, Cabo Cunha, que estava representando o presidente do Legislativo, Evandro Donizeth, propôs repassar o valor das sobras do duodécimo orçamentário para o hospital.  Como o prefeito Eduardo Brás não estava presente na reunião, o acordo não pôde ser firmado.

Outra alternativa proposta seria o chefe do Executivo se comprometer a repassar o restante do valor do convênio com a prorrogação da notificação de paralisação do serviço para o dia 10 de janeiro  com o comprometimento do prefeito eleito, Eugênio Vilela, quitar o valor do convênio no início de janeiro.  O acordo não foi aceito pela clínica médica.

Ficou estabelecido então que o advogado da Santa Casa, Antônio Monteiro, a procuradora do município e o chefe de Gabinete  tentariam marcar uma reunião com Eduardo Brás  para viabilizar um possível acordo.

 

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