O medo de contrair alguma doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypt, vetor da zika, chikungunya, dengue e febre amarela, fez não só disparar a venda de repelentes no país como também acirrar a disputa por esse mercado. Multinacionais e pequenas fabricantes entraram no segmento e marcas em ascensão, como o Exposis, foram alvo de aquisições.

Essa categoria de consumo foi uma das poucas que registrou crescimento em meio à recessão. As vendas de repelentes no Brasil saltaram 49% em volume em 2016 na comparação com 2015, após terem crescido 32,5% no ano anterior, segundo dados da consultoria Nielsen. Em receita, o crescimento foi ainda maior, de 84%, depois de um aumento de 49,5% em 2015, em meio a forte demanda pelo produto e disparada dos preços no ano passado.

Repelentes de alta duração chegaram a sumir das prateleiras entre o fim de 2015 de começo de 2016, sobretudo depois que o Ministério da Saúde reportou a relação entre o surto de zika e bebês com microcefalia.

As vendas de marcas como Exposis, que até o início de 2016 era o único repelente do mercado brasileiro com a substância icaridina (de mais longa duração), aumentaram em até 30 vezes em 1 ano, o que chamou a atenção tanto dos grandes laboratórios como de pequenos empreendedores, que decidiram apostar neste novo mercado.

Em dezembro, a gigante norte-americana SC Johnson, dona das marcas OFF! e Raid, anunciou a sua entrada no segmento de repelentes a base de icaridina com a compra do laboratório de origem francesa Osler do Brasil, fabricante do Exposis. O valor da transação não foi divulgado.

“Desde que as doenças transmitidas por mosquitos, como zika e dengue, atingiram a América Latina, vimos a demanda aumentar. Nós também identificamos um aumento significativo nas vendas repelentes este ano”, diz Stephane Reverdy, presidente da SC Johnson no Brasil. “Podemos assegurar que teremos capacidade de fabricação para atender possíveis demandas extras que podem surgir além das previsões atuais”.

A compra da Exposis foi anunciada um mês após a concorrente anglo-holandesa Reckitt Benckiser (RB), dona da marca SBP e Repelex, ter lançado a sua primeira linha de repelentes para o corpo com icaridina em sua fórmula. “A indústria vê hoje a proteção dentro de casa e fora de casa como duas categorias, estamos tentando fazer sumir essa barreira”, diz Loic Lelann, gerente de marketing da SBP. Desde a década de 70, a marca usa a assinatura “Terrível contra os insetos. Contra os insetos”, mas até então não tinha um repelente corporal, apenas soluções para a casa, como aerosol e repelente elétrico.

Embora não divulgue valores, a RB afirma que o lançamento do repelente com icaridina foi o maior investimento da história da RB no Brasil e que elevará em 30% os investimentos em publicidade em relação ao ano anterior.

A Baruel, que atua no segmento de cuidados para os pés, foi outra que decidiu lançar uma linha própria de repelentes no final do ano passado, incluindo também opções com icaridina. Segundo a empresa, já foram colocadas cerca de 150 mil unidades no mercado e a expectativa é se posicionar entre as 4 maiores marcas do segmento.

Ainda que mais caros, os produtos à base de icaridina passaram a ser os mais procurados em função de sua baixa toxidade e da longa duração de seu efeito. Alguns chegam a prometer 10 horas de proteção, ainda que médicos e fabricantes alertem que, em dias muito quentes ou no caso de contato com a água, o produto precisa ser reaplicado com maior frequência.

Além da substância icaridina, outros dois princípios ativos aprovados pela Anvisa protegem contra o Aedes aegypti: DEET e IR3535. O que os diferencia é o tempo de ação.

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Fonte:

G1