A qualidade dos recursos proporcionados pelo meio ambiente natural, como água, ar, florestas, pescas e minérios, contribui diretamente para o bem-estar da população ao fazer parte da produção sustentada de todos os bens econômicos, sejam produtos ou serviços.

Todos os bens naturais disponibilizados pelo meio ambiente não têm vida útil infinita e o ser humano deve proporcionar as condições ideais para o crescimento e renascimento do meio ambiente, com a finalidade de se ter um futuro sustentável.

As ações econômicas fomentadoras do uso descontrolado dos recursos naturais ocasionam um futuro com crescimento desequilibrado, com estagnações e crises no médio e longo prazo.

O fato de se fazerem derrubadas inconsequentes de florestas, por exemplo, para aumentar o capital físico (construção de fábricas, prédios, etc.), quando se tem nas cidades áreas abandonadas e improdutivas, é um ataque direto ao uso racional e sustentável dos recursos existentes. Todas as cidades brasileiras têm extensas áreas construídas na região urbana que estão abandonadas e consideradas inservíveis nas atuais condições. Assim, é preciso fazer uso mais eficiente destes capitais físicos existentes, renovar e remodelar estas áreas residenciais e industriais abandonadas e não, simplesmente, deixá-las sem uso, a deteriorar-se cada vez mais com o tempo e, ainda, vir a construir novas unidades cada vez mais distantes dos centros urbanos.

Por sua vez, economias, como a brasileira, que retiram muita renda dos recursos naturais, sejam minérios, produtos agrícolas, florestas, etc. não podem sustentar por longo prazo formas agressivas de uso do meio ambiente, com retirada indiscriminada dos recursos minerais, poluição do solo por pesticidas nas culturas do agronegócio, retirada do manto florestal para criação extensiva de gado, pois crescimento sustentável, baseado na qualidade ambiental e no uso dos recursos de forma eficiente, contribui diretamente para o acúmulo, o investimento, o crescimento econômico e o bem-estar humano por gerações.

A exploração abusiva e indiscriminada das florestas, pesca e riquezas naturais, pode até causar no curto prazo o acelerado crescimento e causar a falsa sensação de melhoria de bem-estar, mas muitas vezes gera efeitos negativos, como a poluição da água e do ar, desmatamento descontrolado, perda irreparável da biodiversidade, degradação do solo, etc.

A poluição do ar pelas emissões industriais, escapamentos dos carros e combustíveis fósseis mata milhões de pessoas por ano, por danos respiratórios, doenças do coração, pulmão e câncer.

Milhões de pessoas morrem por causa de água contaminada, seja por deficiências de saneamento e poluição. Já o contato com produtos químicos contaminantes presentes na água, como pesticidas, graxa, petróleo, ácidos, metais pesados, etc., também geram problemas de saúde.

A superexploração e a degradação do solo, por sua vez, geram a desertificação e degradação de extensas áreas, antes produtivas, que se tornam impróprias para o uso.

Anualmente, milhões de hectares de florestas desaparecem no mundo e geram mudanças climáticas acentuadas, como desertificação, chuva ácida e esgotamento da camada de ozônio.

Não podemos continuar a priorizar o crescimento econômico com o uso intensivo e não sustentável dos recursos naturais. Os países desenvolvidos e os em desenvolvimento ignoram os interesses ambientais e direcionam esforços para o crescimento acelerado, mas ignoram a realidade dos danos causados serem irreversíveis.

O crescimento limpo, com o controle da poluição, gera retornos positivos para as populações envolvidas, com água e ar de qualidade, e não geram estrangulamentos da rede de saúde pelo aumento no número de doenças.

As perdas irreversíveis de material genético, de diversidade biológica (terrestre e aquática) do ecossistema fornecem mais argumentos para rejeitar um crescimento atual a qualquer custo.

O ideal é os países integrarem interesses ambientais e políticas de crescimento, ciosos de não serem excludentes e contraditórios, com a finalidade de gerar políticas produtivas e sustentáveis.

A biodiversidade preservada pode ser uma grande fonte de turismo, como por exemplo, a criação de parques verdes nacionais públicos e privados com visitação controlada, proteção das nascentes, a criação de mercados de produtos verdes, impostos para diminuir danos ao meio ambiente.

Já os impostos sobre a poluição, seja do ar ou da água, são necessários, e exige das autoridades públicas uma fiscalização rígida e eficiente.

A educação ambiental é também uma ação permanente e pode englobar a divulgação dos dados de áreas poluídas, incentivo a realização de ações realizadas e atividades pelas populações no auxílio das ações públicas executadas.

A criação de bandeiras de níveis de poluição também podem gerar conscientização da população e também pressão sobre os órgãos públicos para a realização de ações para a solução. Assim, a água de um rio ou praia e a qualidade do ar poderiam receber classificações, por exemplo, próprias ou impróprias para o uso. Algumas autoridades podem alegar que isto geraria caos, mas a população tem o direito de ser informada da qualidade do meio ambiente em que vive.

Neste quadro, o Estado assume papel importante e crucial no gerenciamento ambiental, com a função de catalisar e regular as ações públicas e dos agentes privados, em um quadro complexo e com intereses aparentemente conflitantes, onde o interesse público de um futuro sustentável deve sempre prevalecer.

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