O presidente Jair Bolsonaro tem proferido afirmações agressivas contra instituições, pessoas e países, sobre desmatamento e queimada, com geração de armadilhas diplomáticas.
O Brasil passa por apuros e com diplomacia pode até vir a lucrar com a situação.
Tivemos a demissão de Ricardo Galvão, presidente do Instituto Nacional de Pesquisas (Inpe), no início de agosto, por ter divulgado dados sobre o aumento do desmatamento na Amazônia.
A Alemanha e a Noruega suspenderam repasse de recursos para o Fundo Amazônia, após o governo rever unilateralmente a composição do seu conselho. O presidente afirmou para a Alemanha aplicar os recursos no reflorestamento do seu país e acusou a Noruega de sacrificar baleias.
Também, no dia 21 deste mês, Bolsonaro afirmou, sem provas, estarem as Organizações Não Governamentais (ONGs) a fazerem queimadas na floresta amazônica. As ONGs negaram as afirmações.
Já na terça-feira (27), o presidente recusou a ajuda de 20 milhões de dólares, oferecida pelos países do G7, para o combate aos incêndios na Amazônia.
Por esses fatos, o Brasil se vê envolvido em disputas diplomáticas e pode sofrer bloqueios econômicos.
Na Europa já existe discurso, na imprensa e de políticos, para serem feitos boicotes aos produtos brasileiros. Pelo mundo, o consumidor, não quer comprar produtos de áreas desmatadas e cobra a rastreabilidade de sua procedência.
A economia brasileira depende do agronegócio e exportar é questão de sobrevivência. A nossa agricultura está alicerçada em tecnologia e produtividade, não depende de desmatamento, pois já tem terras suficientes. Por outro lado, a pecuária brasileira ainda depende do uso extensivo de solo e exerce um papel importante no desmatamento. O desmatamento inicia com a derrubada da madeira de lei, para uso em madeireiras. As outras madeiras são utilizadas para produzir carvão. Por último, para justificar a posse da terra e lhe dar fim econômico, vem o gado.
O aumento do desmatamento no Brasil é seguido pela disparada das queimadas, principalmente nesse período seco do ano, agravados pela diminuição da fiscalização, por falta de vontade política e de recursos públicos.
Agora, quando o presidente fala não ser o meio ambiente o foco de seu governo, passa-se a percepção de as pessoas poderem desmatar e com respaldo federal.
Por outro lado, o Brasil tem mais de 60% de sua área coberta por florestas e isso tem um custo, sejam gastos com órgãos públicos, segurança, áreas administrativas, monitoramento das áreas.
O momento é de apreensão ambiental no mundo, o Brasil deve ressaltar a importância da floresta amazônica no ciclo de chuvas, negociar e pedir o ressarcimento dos custos de sua conservação e recompensa por deixar de dar outro uso a esses espaços, além de ter prioridade nas suas exportações. Paralelamente, o Brasil pode intensificar políticas preventivas e repressivas contra o desmatamento e as queimadas.

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