Mesmo após uma semana em recuperação, as dores e o trauma ainda impedem um garotinho de 2 anos de conseguir andar. Ele sofreu queimaduras de segundo grau nos pés enquanto estava na escola onde passa o dia, em Raposos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O incidente aconteceu no dia 12 de setembro, mas só foi divulgado pela família do garotinho nesta semana. Além dele, uma outra menina da mesma idade também sofreu queimaduras nos pés no mesmo dia, porém, com menor gravidade.

O Hoje em Dia conversou, nesta sexta-feira (21), com o pai da vítima, Douglas Weilender Dutra Custódio, 26 anos, que afirma que, desde o primeiro momento, a história contada pelos funcionários da Escola Municipal Professora Maria Antônia de Souza França não o convenceu.

“O que eles falaram a princípio é que ele queimou ao pisar em uma pedra de ardósia. Pela gravidade do ferimento só podemos pensar que ele ficou muito tempo lá. A outra criança teria pisado e saído, mas, segundo eles, meu filho não teve reação. Mas é óbvio que ele chorou, a conclusão mais óbvia é que não havia ninguém, nenhuma professora por perto”, argumenta.

As queimaduras teriam acontecido por volta das 14h, momento mais quente do dia. O menino estava descalço, algo que, segundo o pai, o filho não gosta. “Em hipótese nenhuma ele poderia estar fora da sala de aula, neste horário. Acreditamos que não tinha ninguém olhando ele”, reafirma.

Ainda conforme Douglas, as duas crianças foram encaminhadas por funcionários da escola para o Posto de Saúde da cidade. “Deixaram eles lá e retornaram. A minha namorada foi para lá e eles já iam liberar meu filho para outro hospital, pois lá não tinha recursos. Liberaram as duas crianças sem sequer acionar a polícia”, completa o pai.

A escola chegou a fazer uma reunião com os pais das duas crianças que se feriram, na qual, ainda segundo Douglas, responsáveis pela instituição afirmaram que o garotinho foi socorrido por um funcionário da mineradora Vale (por conta do risco de rompimento, a empresa mantém um posto fixo na cidade), que teria visto ele se queimando e correu para socorrer. “Pra mim isso é a prova mais clara de que não tinha ninguém perto dele na hora, já que precisou de uma pessoa de fora para ajudá-lo”, pontuou.

Agora, o pai já pensa em uma alternativa, já que não pretende deixar o filho voltar para a mesma escola. “Eu trabalho em Belo Horizonte, minha namorada também está trabalhando. Vamos ter que pagar alguma escola particular. A prefeitura fala que está nos apoiando, mas a única coisa que fizeram foi disponibilizar um carro para fazer os curativos. Se não tivéssemos convênio médico, sabe-se lá como estaríamos”, conclui Douglas.

Sindicância foi aberta

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Raposos, por meio da Secretaria Municipal de Educação, se posicionou em nota. O município afirma que foi aberta uma sindicância interna para apurar o que realmente causou as queimaduras nos pés das duas crianças.

“Além disso, as famílias e os outros alunos estão recebendo todo o apoio da Administração Municipal, desde o primeiro momento, no que diz respeito ao atendimento médico”, afirma.

Em seguida, a nota afirma que “não houve negligência por parte das professoras, mas sim uma triste fatalidade”. “A Secretaria Municipal de Educação preza pelo zelo e cuidado com todos os seus alunos, prova disso que este é um fato isolado nesta administração. Além disso, a qualidade da nossa educação é referência em toda Região Metropolitana”, finaliza o texto.

Confira a nota completa:

Imprimir