O novo desgaste com a China ocorre justamente no momento em que há uma disputa no mercado internacional por máscaras, luvas, respiradores. A China produz a maior parte dos equipamentos de proteção usados por hospitais e profissionais de saúde.

É na China que está a maior produção de equipamentos para o combate à Covid-19. O país detém 90% da produção mundial de EPIs, equipamentos de proteção individual, e um quinto da produção de respiradores.

Especialistas nesse mercado dizem que, se o Brasil quiser conseguir esses produtos, tem que ser ágil, pagar à vista e providenciar o transporte. O processo de compra virou um verdadeiro leilão, do tipo “quem dá mais”.

O presidente da Câmara de Comércio Brasil China, Charles Tang, diz que a saída seria o Brasil pagar adiantado para garantir a entrega dos produtos.

“Nós estamos em contato com várias empresas grandes chinesas que podem colocar à disposição vários produtos. Mas o que mais pega é o pagamento antecipado que os chineses, que as fábricas chinesas querem, e a dificuldade dos governos brasileiros de pagar antecipadamente”, defendeu.

Paulo Fraccaro, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos (Abimo), reiterou a importância do pagamento adiantado. Segundo ele, há casos de fornecedores quebrando contratos, preferindo pagar multa para vender mais caro a outros países. Ele menciona que a disputa pelos equipamentos tem sido acirrada.

“É o caso dos Estados Unidos, que vocês estão acompanhando, que têm bloqueado a venda dos produtos que ele fabrica internamente para outros países, ou desviando alguns pedidos que a China estava programando a entregar para o Brasil sendo desviado para outros países. Então, é uma guerra, eu diria, muito complexa. Precisamos ser ágeis”, afirmou.

A embaixada americana negou. Disse que o governo dos Estados Unidos não comprou nem bloqueou nenhum material ou equipamento médico da China destinado ao Brasil. “Relatórios em contrário são completamente falsos”.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já conseguiu comprar e distribuir 40 milhões de EPIs, como máscaras, macacões, aventais, luvas, e ainda está em processo de aquisição de 200 milhões desses equipamentos de proteção, com entrega para daqui há um mês. Em tempos normais, o governo tem que cumprir uma burocracia: empenha, reconhece a entrega do material ou do serviço e só depois paga. Mas o estado de calamidade pública e também o orçamento de guerra quando for aprovado pelo Senado, por causa da pandemia, vão permitir a importação de equipamentos de forma mais rápida.

Mas, é transação comercial que varia de acordo com cada contrato.

No total, o Brasil tem 65 mil respiradores, 46 mil só no SUS. Mas, para enfrentar a pandemia, segundo o Ministério da Saúde, ainda são necessários mais 15 mil aparelhos. Se a encomenda vai chegar nas mãos dos compradores, depende dos termos dos contratos, segundo o conselheiro da embaixada da China no Brasil. E ele ainda aconselha o governo aqui a providenciar o transporte.

“Eu não estou dizendo que quem pagar primeiro vai levar vantagens, mas quem confirmar as intenções de compra vai levar a vantagem. Depois, quem vai fornecer a logísticas mais ágeis, certamente vai levar vantagem nesse processo”, explicou.

O governo chegou a anunciar que poderia mandar aviões da FAB para buscar equipamentos médicos na China, mas essa medida ainda não foi adotada.

Fonte: G1

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