Quase um ano e meio após a intervenção judicial que afastou a então Mesa Administrativa da Santa Casa de Caridade de Formiga comandada pelo médico Geraldo Antunes Couto, constata-se que as condições financeiras da entidade ainda continuam críticas.

Mesmo com os esforços das mesas interventoras, por onde passaram, como provedores, Sidney Ferreira e Waltercídes Montijo e onde, ao fim da intervenção, atua no cargo o médico Alexandre Amaral, a situação continua preocupante e passiva de intervenções para que a Santa Casa e setores importantes como a maternidade e as UTI’s Neonatal e Adulto continuem em funcionamento.

Em busca de apoio para uma nova proposta e no intuito de prestar contas do que vem sendo feito pela nova administração da entidade, estiveram presentes à reunião do Legislativo formiguense, o secretário de relações públicas, Kleber Almeida Vaz e o segundo secretário, Carlos Eduardo Senne de Moraes.

O primeiro a falar foi Kleber, que explicou sobre os esforços que a administração tem feito para fazer acordo com fornecedores e evitar o desabastecimento do hospital no que diz respeito a medicamentos e insumos. Falou ainda, sobre a dívida mensal da entidade, explicando que 75% do déficit são referentes ao pagamento de médicos que estão recebendo com até três meses de atraso.

A face mais crítica da crise financeira do hospital está relacionada aos empréstimos que foram sendo contraídos ao longo dos anos, principalmente na gestão destituída pela Justiça. Hoje, a dívida acumulada com instituições financeiras chega a R$14.328.745,05. “Atualmente, 35% da renda da produção SUS é automaticamente debitada de nossas contas para pagar empréstimos cuja produção foi dada como garantia, já que o repasse dos valores é certo. Isso é um problema grave que desestabiliza ainda mais a gestão e atinge diretamente a prestação de serviço”, explicou Kleber.

Sobre os repasses da Prefeitura para cobrir procedimentos ortopédicos, obstétricos e outros, os quais estão previstos em convênio firmado entre a Santa Casa e a administração municipal, Kleber informou que há dois meses, os repasses no valor de R$108.900 estão sendo feitos com a devida regularidade e que está na Justiça uma ação movida pela Santa Casa cobrando da Prefeitura uma dívida de cerca de R$1,4 milhão.

Já o médico Carlos Eduardo expôs em sua fala, as questões de atendimento da entidade, as conquistas dos últimos meses e apresentou uma proposta, que ainda não passou pelo crivo dos Irmãos Benfeitores, para a qual pediu o apoio dos vereadores.

A proposta – Projeto Amigos da Santa Casa

Diante da crise nacional que atingiu todas as esferas, a proposta se baseia na criação do Cartão Benemérito, que como o próprio nome diz, traria benefícios para apoiadores da Santa Casa.

Os benefícios oferecidos são os seguintes:

  • Atendimento preferencial em 24 áreas como: clínica médica, pediatria, ginecologia-cirurgia geral, obstetrícia, ortopedia, anestesia a preços populares;
  • Consultas especializadas também a preços populares;
  • Exames laboratoriais a preços reduzidos;
  • Ultrassom, tomografia e ressonância magnética e preços reduzidos;
  • Descontos em tratamentos cirúrgicos;
  • Descontos em tratamento clínico hospitalar;
  • Descontos em empresas que fizerem esta parceria.

As doações vão de R$15 a R$100 e para cada “cota” há um número de benefícios a que se tem direito. Outras regras estão previstas como carência em alguns casos e outras questões.

“É necessário ressaltar que essa proposta ainda NÃO FOI APROVADA pelos Irmãos Benfeitores e a palavra final é deles. O que estamos tentando é salvar a Santa Casa e beneficiar a população que nos apoiar e esperamos que essa proposta saia do papel”, disse Carlos Eduardo.

A proposta foi elogiada pelos vereadores que se comprometeram a apoiar a Mesa Administrativa nos esforços de salvar a instituição.

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