No fim da tarde de sexta-feira (6), estiveram reunidos com parte da imprensa da cidade, os membros da mesa interventora da Santa Casa, juntamente com membros do corpo clínico da entidade e o representante do Ministério Público, Dr. Láurence Albergaria Oliveira.
Desde o dia 19 de dezembro, a entidade está sob intervenção da justiça para a verificação das ações administrativas da antiga gestão e para o restabelecimento, dentro das possibilidades, do atendimento em saúde, que vinha sendo prestado de forma precária. A coletiva foi realizada para que fossem prestadas informações do que já foi feito até o momento.
Além da dívida, que chega à R$16 milhões, foi levantado um déficit de R$300 mil/mês. Para diminuí-lo, cortes estão sendo feitos, como demissões de funcionários com altos salários e revisão de contratos de prestação de serviços que em alguns casos, se mostram desvantajosos para a entidade. A mesa também tem buscado junto à administração municipal e ao governo do Estado a quitação de dívidas com a entidade, que minimizariam os graves problemas financeiros. ?Temos o compromisso da Secretaria de Estado de Saúde de pagar pelo menos parte dos R$2.200 milhões que devem até o próximo dia 10?, comentou o provedor Sidney Ferreira.
Com respeito ao atendimento, de acordo com o provedor e demais membros da mesa, a falta de credibilidade, devido aos constantes atrasos nos pagamentos da equipe médica, tem afastado profissionais e dificultado a recomposição do quadro em setores importantes como a maternidade. Vários médicos pediram demissão e desde então estamos tentando incansavelmente buscar profissionais, mas não tem sido uma tarefa fácil. Já comunicamos com hospitais de Divinópolis, Belo Horizonte e já tivemos algum sucesso, mas faltam muitos médicos, comentou o obstetra Dr. Carlos Eduardo Senne, que completou: O correto, diante das condições atuais, era fecharmos a maternidade, mas estamos nos esforçando para que isso não ocorra.
?Não temos propósito de retroceder em nenhum setor de assistência do que já é prestado para moradores da cidade, da região ou da macro, mas faremos tudo dentro de uma sustentabilidade financeira, para reerguer a Santa Casa?, completou Sidney.
Em sua fala, o promotor explicou que são imensas as dificuldades encontradas pela mesa e que não há possibilidade de solucionar tantos problemas em menos de 50 dias. ?Ainda assim, vem sendo feito um excelente trabalho pela mesa interventora e por pessoas como Dr. Carlos Eduardo e Dr. Fabrini, que tem colaborado para sanar esses problemas?.
?Os problemas foram se avolumando ao longo de oito anos, então não podemos levantar todos os dados e compreender todos os contratos firmados com a Santa Casa nesse curto período. Não podemos dizer, ainda, se houveram desvios, ou má fé, mas uma coisa é certa, trata-se de uma gestão extremamente irresponsável, que colocou a entidade nessa situação?, disse o vice-provedor, Carlos Lamounier.
O prazo para o encerramento das ações da mesa administrativa, inicialmente, era de três meses, mas poderá ser estendido. ?Podemos estender esse prazo devido a complexidade do trabalho. Vale ressaltar que a intervenção tem um motivo principal: reestabelecer o atendimento na Santa Casa, de acordo com o que é pago e dentro da expectativa da população ou até mais. É com esse objetivo que a mesa interventora e eu estamos trabalhando incansavelmente, todas as outras questões são secundárias?, encerrou o representante do Ministério Público, que tem acompanhado de perto as ações dos interventores que tem, inclusive, prestado periodicamente, contas do que vendo sendo feito na, e pela, entidade para alcançar esse objetivo.
Além dos citados na reportagem, participaram da coletiva, a secretária de saúde e representante do Executivo na comissão Maria Inês Macedo, o representante do Legislativo, vereador Cabo Cunha, o médico Fabrini Leão Vidal, que tem colaborado com a equipe interventora.

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