Por Paulo Coelho

Com o crescimento vertiginoso das reclamações dos consumidores que, apesar de não contarem com a menor regularidade no fornecimento de água, receberam suas contas relativas ao fornecimento de agosto, com consideráveis acréscimos, o Últimas Notícias resolveu pesquisar as prováveis razões e chegou à conclusão de que a maior probabilidade é mesmo a de que os hidrômetros estejam registrando a passagem de ar, que ao final, acaba sendo cobrado como água tratada consumida.

É claro que com o esvaziamento da rede por dias seguidos como vem ocorrendo em alguns locais, o mais provável é que ao ser regularizado o fornecimento, ainda que por poucas horas, o ar armazenado nas redes seja expulso pela pressão da água e acabe, em especial nas regiões mais altas, sendo medido. Situação que a população tem, inclusive, constatado de forma empírica.

Bombeiros hidráulicos do próprio Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) reconhecem como verdadeira esta possibilidade.

Na cidade são poucas as residências que possuem a ventosa instalada antes do hidrômetro, equipamento simples e barato que inibe  a marcação de ar, que é expulso da tubulação.

Porém, o Saae  proibiu a instalação de tais equipamentos por razões de ordem técnica, com as quais alguns engenheiros hidráulicos consultados pela reportagem discordam.

Segundo o diretor do Saae, José Pereira de Sousa  (Capitão Sousa) esses equipamentos tornam vulnerável o sistema de abastecimento, pois, segundo sua opinião, permitem a contaminação por bactérias e outros agentes externos. O diretor também se queixa que alguns modelos de ventosa, com o tempo, causam vazamentos na rede.

No comércio de Formiga, as ventosas de PVC e de metal são vendidas a preços que variam de R$ 38 a R$ 69, conforme pesquisa realizada nesta quinta-feira (21) pelo portal.

As explicações  do diretor do Saae, a este respeito podem ser verificadas no vídeo a seguir:

 

Nota editorial

Analisados os valores relativos ao faturamento da autarquia nos meses de junho, julho e agosto, assim como os montantes efetivamente recebidos pela cobrança de água e esgoto, ficamos a imaginar que, se é verdade que na Estação de Tratamento de Água (ETA) tem chegado ultimamente, dia após dia, menor volume de água, como nessa quinta (21) quando, segundo informações do próprio diretor chegava 60% a menos de água bruta, se comparado com a média do mês anterior, é mais que plausível acreditarmos que realmente estamos pagando por ar como se fosse água tratada, nas regiões consideradas mais altas e onde a falta do líquido se prolonga por dias e até semanas. É que as contas, ultimamente recebidas, apontam para consumos considerados exorbitantes e devidamente medidos, segundo informa a autarquia.

Aliás, o próprio diretor admite esta possibilidade e comenta (conforme entrevista) que, uma vez constatada esta realidade, a autarquia ressarcirá àqueles que se sentirem prejudicados.

Como confirmar esta situação?

Simplesmente comparando os consumos médios dos últimos meses com o cobrado em agosto que, conforme se sabe, em determinados locais, o fornecimento da água não ocorreu em cerca de 5, 10, 15 ou mais dias, seguidos ou alternados.

Pelo sim ou pelo não, acreditamos que a credibilidade da autarquia não pode ser manchada com a possibilidade do não atendimento da população como um todo, especialmente no que se refere a tal revisão das cobranças, quando se sabe da existência do problema. Se assim não ocorrer, que os órgãos de fiscalização como o Procon e Ministério Público, funcionem em defesa dos consumidores, a nosso ver, penalizados duplamente: com a falta d’água e com a cobrança de mercadoria não entregue.

 

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