As forças tarefas de fiscalização contra o tráfico de animais silvestres desenvolvida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) resultou de 2015 ao primeiro semestre de 2018, em R$10 milhões de multas e cerca de 3.600 animais apreendidos. Além de quase 1.600 instrumentos utilizados para caça apreendidos.

A ação é desenvolvida pelo Núcleo de Fiscalização de Recursos Faunísticos da Diretoria de Fiscalização de Recursos Faunísticos e Pesqueiros (Difap).  Entre os animais resgatados estão pássaros como Canários-da-Terra, Trincas-Ferro, Azulões, Curiós, Tico-Ticos e Maritacas.

A Difap executa diversas ações de fiscalização em Minas Gerais, como o atendimento às denúncias cadastradas nos veículos oficiais do Estado, averiguação dos plantéis de criadores amadoristas de passeriformes e das categorias de uso e manejo, realização de blitzen nas estradas e rodovias, fiscalizações a partir de investigação via internet, entre outras.

Só de 2017 até agora foram R$4.384.595,12 em multas. Segundo o coordenador da Semad, Diêgo Maximiano Pereira de Oliveira, o desafio para Minas Gerais era grande, mas o resultado foi bastante exitoso. “A abundante fauna típica daqui, somada à localização geográfica com várias fronteiras estaduais, facilitava a atividade dos traficantes, porém, os números foram satisfatórios e vamos seguir trabalhando”, diz.

O maior número de denúncias concentra-se na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde é registrado o mais alto índice populacional bem como grande número de criadores amadoristas de passeriformes e de outras categorias de uso e manejo. Rodovias que cortam o Estado, como a BR-116/251, BR-020 e BR-040, que interligam a estados vizinhos, também são locais de extrema importância para a fiscalização, visto que são pontos de rota do tráfico de animais silvestres.

Além da configuração de crimes, o que os agentes fazem questão de ressaltar é que retirar um animal de seu habitat natural provoca um desequilíbrio ambiental em cadeia.“Os animais silvestres cumprem importante papel ecológico na natureza. Diversas espécies são responsáveis por fazer a polinização de plantas, como as abelhas e os beija-flores. Outros bichos ficam a cargo de dispersar sementes de vegetais pelo ambiente, como os micos, pacas e saíras, sendo muito importante na proteção, manutenção, regeneração e recuperação habitats. Ainda, são importantes no controle de biológico de insetos, roedores e de outras populações de animais que podem vir a se tornar pragas devido à falta de predadores naturais”, informou Diêgo.

Os animais apreendidos, quando não possuem condições de serem soltos imediatamente no habitat natural, são encaminhados para os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). Lá são identificados, tratados, medicados, recuperados, avaliados e, caso tenham condições de retornar à natureza, soltos novamente no habitat de ocorrência da espécie. Em casos que não há possibilidade de soltura, serão destinados a criadores devidamente autorizados pelo órgão ambiental.

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