O governador Aécio Neves anuncia hoje uma série de medidas, sobretudo na área fiscal e na ampliação de crédito, que pode dar maior fôlego para a economia mineira atravessar a crise mundial. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Robson Braga de Andrade, disse que a entidade encaminhou na semana passada ao governo um documento com sugestões e que grande parte das reivindicações deve ser atendida. ?Estamos sofrendo com a retração de crédito. O adiamento no pagamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços), por exemplo, pode dar mais fôlego às indústrias, principalmente às exportadoras?, afirmou.
O anúncio do governo acontece menos de uma semana depois que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, divulgou ações que, juntas, somaram cerca de R$ 45 bilhões. Entre elas, linhas de crédito para diversos setores via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Brasil (BB). O ministro confirmou ainda o adiamento no prazo do pagamento de alguns tributos, em uma média de 10 dias, para elevar o capital de giro no setor produtivo, como o Imposto de Produto Industrializado (IPI) e PIS/Cofins.
Para o presidente do Sindicato da Indústria Mecânica do Estado de Minas Gerais (Sindmec), o empresário Petrônio Machado Zica, a dilatação no prazo do pagamento de impostos e a redução deles seriam o ideal para ampliar o fluxo de caixa das indústrias e garantir um crescimento sustentado. ?Além de anunciar novas medidas, o governador pode revalidar ou prorrogar outras ações adotadas anteriormente?, ressaltou.
Em dezembro do ano passado, Aécio Neves sancionou parcialmente projeto de lei que promovia alterações no sistema tributário do estado por meio de reduções no ICMS de 93 produtos. Entre eles, materiais de construção e de escritório, produtos hospitalares, energia elétrica para irrigação e produtos derivados do leite, entre outros. Naquela data, ainda atendeu uma antiga reivindicação ao reduzir de 25% para 12% o ICMS aplicado sobre o álcool combustível na operação entre a usina e o distribuidor. Algumas dessas medidas, válidas até 31 de dezembro deste ano, podem ser prorrogadas.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Roberto Simões, destacou que a ?equalização fiscal? seria um benefício que daria grande fôlego para o setor. ?A redução do imposto resulta em preço mais baixo para a população, que, conseqüentemente, alavanca o consumo?, afirmou. Por outro lado, frisou que as principais medidas teriam de ser federais. ?A retração de crédito é o principal problema. Por isso, o ponto principal para nosso setor enfrentar a crise é renegociar as dívidas rurais?, ponderou Simões.
O presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis e de Malhas do Estado de Minas Gerais (Sindimalhas-MG), Flávio Roscoe, chamou a atenção ainda para a possibilidade de uma atuação mais forte do Banco de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais (BDMG). ?Penso que pode ser ampliada, em caráter emergencial, a liberação de recursos de fundos estaduais para reforçar os financiamentos aprovados pelo banco?, observou.
As medidas podem transmitir maior otimismo aos mineiros, na opinião do vice-presidente da Área Imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Jackson Camara. ?Os consumidores estão assustados, com medo de comprar. Mesmo porque não sabem se terão empregos no longo prazo. Uma maior segurança para atravessar a crise atinge o mercado positivamente?, avaliou. Camara ressaltou ainda a importância em se manter investimentos públicos.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) já apontam a desacelaração das vendas externas mineiras. As exportações do estado em outubro somaram pouco mais de R$ 2 bilhões, contra R$ 2,83 bilhões registrados em setembro. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) admitiu que o resultado ?pode sinalizar inflexão na tendência de crescimento verificada nos meses anteriores?.

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