O desemprego e a consequente queda no público são considerados pelos comerciantes as principais causas para o aumento de lojas vazias no Estado. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o número de estabelecimentos comerciais caiu 16,3% em Minas Gerais no ano de 2015. Isso significa 12,5 mil lojas a menos no Estado. Esse é saldo negativo entre fechamento e abertura de estabelecimentos.

O economista Fábio Bentes, da CNC, lembra que o desemprego em Minas Gerais em 2015 esteve acima da média nacional. No Brasil, o número de empregos formais caiu 3,7% em 2015. Esse índice, no Estado, foi de 4,6%. “A crise de commodities que o país enfrenta afeta muito o Estado. A Vale e a Samarco são exemplos. Toda a cadeia sofre – restaurante, cabeleireiro, lanchonete –, que cai o faturamento e acaba fechando as portas e demitindo também. É um ciclo vicioso”, analisa o vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL- BH), Marco Antônio Gaspar.

O dirigente acredita que a solução passa por uma nova política tributária ao menos para as Micro e Pequenas Empresas (MPEs), mas, para ele, o governo segue o caminho oposto. “Em 2004 criaram a substituição tributária, que para MPEs, no nosso entendimento, é inconstitucional. Só que numa economia aquecida, o problema era mascarado. Mas agora não tem mais jeito, tem que rever esse regime tributário para as MPEs. Além disso, o governo do Estado aumentou a alíquota do ICMS, de 12% para 18% para 200 produtos, principalmente, de material escolar, de material de construção e de medicamentos. O governo, para ajudar, deveria diminuir os impostos, não aumentar e jogar a bomba da crise na mão do contribuinte”, conclui Gaspar.

Venda menor

Minas. Segundo a CNC, até novembro de 2015, as vendas em Minas tinham caído7,3% na comparação com o mesmo período de 2014, o que também explica o aumento de lojas fechadas.

Negociação difícil e burocracia ajudam a manter cenário

Proprietários de lojas comerciais na Savassi ainda estão relutantes na hora de reduzir preços para manter o inquilino, na avaliação do diretor da Residencial Imóveis, Matheus Francisco de Oliveira. “Tem proprietário negociando, mas não acho que seja maioria e depende do ponto, da liquidez”. O diretor admite, porém, “que o mercado está favorável para a negociação”.

Na avaliação de Oliveira, os proprietários devem “estar atentos” porque aqueles que não estão dispostos a rever alguns valores “podem perder o inquilino”, diz.

“O que estamos vendo em número maior é a troca. O inquilino não deixa de ter a loja, mas troca o imóvel e, muitas vezes, não consegue manter o padrão”, avalia.

A burocracia também é considerada um empecilho. “Estava fechando o aluguel de uma loja na rua Fernandes Tourinho, mas me exigiram dois fiadores, ou um valor de garantia de R$ 100 mil. Inviável”, conta Nina Leite, 34, proprietária da Petit Luxe, um brechó de roupas infantis.

Nina relata que teve dificuldades em manter a loja aberta em 2015 e chegou a fechá-la. “Entre janeiro e junho de 2015, fechei a loja. Meu segundo filho nasceu, e não estava valendo a pena. Abri de novo, na galeria, mas acho que se estivesse em um espaço voltado para a rua, venderia mais”, lamenta. A empresária afirma que o valor da loja na galeria é quase quatro vezes menor do que pagaria em um espaço com saída para a rua.

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