Minas Gerais tem 48.606 médicos para atender 21 milhões de habitantes – o que representa 2,30 médicos para cada mil habitantes. O índice supera a média nacional, de 2,19 médicos para cada mil habitantes, mas é o pior da região Sudeste, que concentra o maior número desses profissionais.

No Sudeste, o Rio de Janeiro lidera a distribuição, com 3,55 médicos para cada mil habitantes. Os dados fazem parte da pesquisa Demografia Médica 2018, realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e divulgada na última semana.

O presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), o médico pediatra Fábio Guerra, explica que o índice em Minas está próximo ao de alguns países desenvolvidos. O problema, segundo Guerra, está na distribuição desse profissionais, concentrados nas capitais e nas cidades maiores.

“Minas segue o padrão do que está acontecendo no país. Em termos de distribuição, os Estados do Norte e do Nordeste têm uma distribuição pior do que os Estados do Sul e do Sudeste. Se a gente for comparar de forma geral, Minas está em uma situação menos complicada do que o Norte e Nordeste”, explica o presidente do CRM-MG.

Guerra lembra, no entanto, que é possível ver essa desigualdade da distribuição dentro de Minas Gerais. “Há uma maior concentração de médicos na capital mineira, no Sul e no Triângulo (Mineiro) e menor no Norte de Minas, por exemplo”, compara.

Solução

“A grande mensagem desse trabalho, o grande entendimento que nós podemos tirar é que a solução para essa questão da oferta do atendimento médico não passa pelo aumento do número de profissionais”, critica o presidente do CRM-MG.

“Obviamente que a gente precisa ter profissionais, e o nosso entendimento é que hoje nós já temos esse número de médicos até mesmo pela relação 2,19 que está muito próxima de outros países, inclusive de países desenvolvidos, e que trabalham com essa proporção”, defende Guerra.

“O que nós precisamos é de políticas públicas de saúde que busquem a fixação dos médicos em municípios menores, em municípios do interior”, afirma o médico. Ele cita, como exemplo dessas políticas, uma melhor qualificação das estruturas de serviço, melhora do parque tecnológico dos hospitais e clínicas localizados nessas cidades do interior,

Guerra sugere, ainda, uma regionalização do atendimento, a criação de uma rede adequada de referência e contra-referência para que exista um fluxo de atendimento baseado na gravidade ou na complexidade do atendimento e também políticas trabalhistas que facilitem a fixação do médico.

“Defendemos o estabelecimento da carreira de Estado para o médico, para fazer uma distribuição de acordo com a necessidade, com a possibilidade de o médico ir migrando de acordo com o tempo, com o seu desempenho e com uma série de outros indicadores que podem ser norteadores para essa forma de trabalho”, explica o presidente do CRM-MG.

 Mais de metade dos médicos atende 25% da população

No país, as capitais das 27 Unidades da Federação (UFs) reúnem 23,8% da população e 55,1% dos médicos. Isso significa que mais da metade dos médicos brasileiros atende menos de um quarto da população. Os três quartos restantes estariam sem acesso a atendimento médico.

Os dados são da pesquisa Demografia Médica 2018. Ainda de acordo com o estudo, esse percentual é ainda mais contrastante na capital mineira, onde 36,8% dos médicos de Minas Gerais moram, mas atendem apenas 12% da população do Estado. Em Belo Horizonte, há 7,09 médicos para cada mil habitantes.

Desses profissionais que atuam na capital mineira, 52% são do sexo masculino e 48%, do sexo feminino. Os especialistas representam 68,7% dos médicos que atendem em Belo Horizonte, e os generalistas, 31,3%. Esses percentuais estão dentro das médias nacional e de Minas Gerais.

Perfil

O número de médicos no país cresceu 7,7 vezes em cinco décadas. Esse crescimento vem acompanhado de uma mudança no perfil – tem aumentado o número de jovens e de mulheres entre os profissionais.

 

 

Fonte: O Tempo Online||

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