O vereador Moacir Ribeiro/PMDB participou da reunião na Câmara Municipal na segunda-feira (6). Ele fez uso da ?Tribuna do Povo? e contou toda a sua trajetória durante os seis meses que esteve afastado do cenário político. No plenário, familiares e vários amigos marcaram presença, manifestando o apoio ao vereador com cartazes.
Emocionado, Moacir Ribeiro disse que, naquele momento, estava se sentindo no ano de 1982, época em que foi eleito pela primeira vez como vereador. ?Assumi em 83 e estou me sentindo como naquela mesma emoção. Quase 30 anos se passaram e, com tudo isso que aconteceu, fiquei deprimido, sem coragem de sair para a rua. Agradeço ao Dr. Reginaldo [vereador Reginaldo Henrique dos Santos], se não fosse esse homem, naquele momento que eu estava passando, ele viu a situação psicológica que eu estava. Ele me internou, pois eu estava a ponto de fazer uma loucura. Foi tudo custeado por conta dele, eu não gastei nenhum centavo. Se não fosse o apoio dele, eu tinha morrido. Isso é papel de poucos. Agradeço também a todos os vereadores que me apoiaram, que me visitaram. Agradeço o apoio do Dr. Eduardo Brás?.
O vereador contou que saiu da política com R$600 no bolso e com uma dívida de R$3 mil para pagar todo o mês. ?Falei com a minha esposa, Gleides: o meu reinado acabou e nós lá em casa todos chorando. Um homem que não roubou nada, não faz o mal para ninguém e encontrou só castigo. Eu falava que sentia falta até de vestir meu terno no dia de segunda-feira. Afastaram o vereador de onde ele nunca deveria ter saído. Agradeço ao apoio dos meus familiares e amigos. No início eu sobrevivia com o salário da minha esposa?.
Moacir Ribeiro explicou que em sua opinião tudo já estava perdido e que uma pessoa o chamou para ir até a cidade de Campo Belo. ?Lá estava dois deputados e o ex-ministro Roberto Brant. Eles ligaram para o advogado Antônio Carlos de Paula e pediram para que ele ?procurasse? os meus direitos. Ele estudou o meu processo durante todo o dia, são 1.200 páginas. Agradeço a todos eles?, disse.
O peemedebista disse que na época em que foi acusado, em 2002, ele era presidente da Câmara e colocou os veículos do Legislativo à disposição da Secretaria de Saúde. ?É uma vergonha a situação do Pronto Atendimento. Com quatro veículos e três motoristas na Câmara eu não poderia deixar formiguenses morrerem em uma cama. Eu autorizei o uso dos carros para transportarem essas pessoas. Isso é mau? É por isso que eu fui cassado. Muita gente pensava que eu tinha roubado, que eu tinha levado dinheiro para a minha casa?.
Em relação ao uso do equipamento de som, Moacir Ribeiro explicou que na época ele usou a câmara de eco de sua banda no lugar do aparelho da Câmara Municipal. ?Na verdade, eu fiz uma troca, eu emprestei a minha, pois a da Câmara estava caducada, era de 1973 e não prestava. Eu tive a infelicidade de levar a da Câmara e guardar em um cômodo onde eu guardava o meu som?.
Ainda de acordo com o vereador, naquele ano, em 2002, foi uma eleição muito tumultuada. ?Terminou o meu mandato de presidente. O seu Baldomiro foi eleito presidente e o pessoal da mesa queria destruir quem não tinha votado neles. Tinha muita gente maldosa na época, com rancor no coração. Eu nem lembrava dessa câmara de eco. Se juntaram o Baldomiro e o prefeito Aluísio, vereador na época e trancaram os carros da Câmara, para não transportarem ninguém. Eles me denunciaram para um jornal, por causa dessa câmara de eco. O Amilton do Vale, vereador na época, me alertou que estavam armando para mim. Ele me perguntou se eu estava com a câmara de eco da Câmara, que não valia nem R$30 e eu disse que sim, mas nem me lembrava mais dela. Eles me denunciaram e o promotor acatou a denúncia. Aí começou o martírio em minha vida. Até peritos julgaram as minhas contas e deram favoráveis que não tinha nada?, desabafou Moacir Ribeiro.
?Em 2005 eu fui julgado pelo Dr. Altair Resende de Alvarenga. O despacho dele retirou todas as acusações, que eu não tinha dado nenhum prejuízo ao município, que o que eu fiz foi a favor do município. Fiz tudo isso, levava pessoas para consultar, pensando no bem do povo. Não tive o apoio de muita gente que sabia da minha dificuldade, isso sem falar que eu tinha perdido a minha mãe um mês antes? [de ser cassado em junho de 2011], disse.
O vereador profetizou que todos podem aguardá-lo nas eleições deste ano. ?Vocês vão ver é nas urnas. Nas urnas eu vou mostrar para os adversários que estavam rindo, que eu estou voltando muito mais forte do que eu era, pois o clamor do povo era muito grande com minha ausência nesta Casa?, completou.

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