Após quatro anos seguidos em baixa, o consumo de veículos no Brasil está crescendo mais de 7% em 2017 e, na avaliação de executivos da indústria automobilística, essa recuperação deve se dar em ritmo ainda mais acelerado em 2018. Nessa segunda-feira (9), ao participarem de um congresso na capital paulista, dirigentes de montadoras e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), traçaram cenários de crescimento de dois dígitos tanto das vendas domésticas quanto da produção. O otimismo, que vem da melhora da confiança dos consumidores e das empresas, já reflete nos planos do setor.

Nessa segunda-feira (9), a MAN, que produz os caminhões e ônibus da marca Volkswagen, confirmou o cancelamento das ferias coletivas previstas para o fim deste ano em sua fábrica no sul do Rio de Janeiro. As novas projeções também encorajaram a General Motors (GM) a preparar mais investimentos no Brasil, notícia confirmada nessa segunda-feira pelo presidente da montadora no Mercosul, Carlos Zarlenga.

Em sua apresentação no congresso, realizado pela Autodata, Zarlenga – que já havia sido certeiro ao prever, há três anos, a intensidade da crise que atingiu o mercado automotivo – divulgou previsões de crescimento de 7% a 16% nas vendas de veículos novos no Brasil em 2018. Se suas contas estiverem certas, os brasileiros vão comprar entre 2,4 milhões e 2,6 milhões de veículos no ano que vem.

Nos anos seguintes, os cálculos da GM indicam que o mercado continuará crescendo a um ritmo anual próximo de 8% até chegar a 3,3 milhões de unidades em 2021. O número é 50% a mais do que previsto para este ano, porém, ainda abaixo do pré-crise, quando o setor chegou a emplacar quase 3,8 milhões de unidades.

Potencial

 O presidente da Anfavea, Antonio Megale, avaliou no congresso que o pior momento já foi superado, considerou que o país tem potencial de voltar a estar entre os cinco maiores mercados do mundo até meados da próxima década e, incluindo na análise a retomada das exportações, previu que as montadoras devem voltar a montar 3 milhões de veículos em 2018, 11% acima do previsto para este ano.

Na mesma linha, o presidente da MAN, Roberto Cortes, estimou crescimento de dois dígitos tanto do mercado quanto da produção de veículos comerciais pesados em 2018. “A Bolsa cresceu 77% nos últimos seis meses, o risco Brasil caiu, o real está estável e a taxas de juros são a metade do que eram”, comentou Cortes.

O vice-presidente da Ford, Rogelio Golfarb, disse ser possível um crescimento próximo dos 10% no ano que vem, mas mostrou desconfiança em relação à manutenção das altas taxas de crescimento. “O motor do crescimento não é igual ao do passado, mas isso não significa que não teremos crescimento”, assinalou Goldfarb.

O que dificulta-Financiamento ainda caro e alta seletividade bancária nas liberações de crédito são apontados como maiores obstáculos à recuperação mais rápida da venda de veículos.

Confiança

“Estamos observando uma melhora considerável na economia (…) Devemos atingir esse patamar de crescimento (9,9%) se as nossas previsões, de vender a média de 200 mil unidades mensais, se confirmarem de outubro a dezembro.”
Alarico Assumpção Júnior
Presidente da Fenabrave

Números

199,2 mil total de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus emplacados em setembro

24,5% crescimento do volume de veículos emplacados em relação a setembro de 2016

1,6 milhão veículos emplacados de janeiro a setembro de 2017

7,9% crescimento em relação ao mesmo período em 2016

9,9% projeção da Fenabrave para alta das vendas em 2017


Mercedes injetará R$2,4 bi até 2020

A Mercedes-Benz anunciou nessa segunda-feira um investimento de R$2,4 bilhões para o período de 2018 a 2020 no Brasil. O valor será gasto principalmente na modernização da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Uma parte menor também vai para fábrica de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, por onde passa parte do processo de produção dos caminhões extrapesados Actros e dos leves Accelo.

O valor anunciado é adicional aos R$730 milhões que o grupo está aplicando de 2015 a 2018, que está em fase final.

Segundo o presidente da Mercedes, Philipp Schiemer, no momento não estão previstas contrações. “Estamos com o quadro ajustado”, afirmou.

A fábrica do ABC emprega hoje 7.700 funcionários e opera com jornada normal de trabalho, após mais de um ano de jornada reduzida. Também não há mais funcionários em lay-off. Além da retomada da economia brasileira o grupo aposta no aumento das exportações, que neste ano já cresceram 25% em relação ao ano passado.

 

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Fonte:

O Tempo