Na semana passada, os moradores e empresários do entorno do Terminal Rodoviário voltaram a reclamar da baderna nos finais de semana, principalmente após às 23h. As queixas são de que os bares não têm estrutura, nem banheiros adequados para atender ao público, além disso, os comerciantes colocam mesas e cadeiras nos passeios, prejudicando a passagem de pedestres, e os proprietários de veículos ligam som em alto volume, atrapalhando o sono de quem mora nas imediações ou está hospedado no hotel próximo à praça do Coreto.
Outra reclamação é de que alguns frequentadores da praça estão urinando e até vomitando no passeio em frente ao hotel e de outros estabelecimentos comerciais daquele local ou residências. Os moradores ainda alegam que, enquanto eles pagam água e energia elétrica, os donos de trailers e barracas roubam energia e água da Prefeitura para lavar e iluminar os seus estabelecimentos.
A dona do hotel AD Palace, Adriane Alvarenga, ressaltou que: ?Na madrugada de sábado [30] quebraram os canos que vão da rua para o meu hotel, então liguei para o plantão do Saae, que veio arrumar os canos, perceberam que não havia hidrômetro, e estão aqui hoje [4] colocando o hidrômetro. Eu acho justo que todo mundo pague água, só que eu não acho justo os trailers de frente com a minha porta roubarem água da Prefeitura, enquanto os clientes deles vêm aqui todo dia e urinar, derramar cerveja e vomitar na porta do hotel. Só que eu não vou pagar água para lavar o passeio e a rua onde os clientes deles fazem estas porcariadas, pois o bar está ilegal, eu já denunciei e ninguém quer tomar a providência. Então vou começar a roubar água da Prefeitura para lavar a rua e o passeio do estabelecimento. Liguei, falei com Paulo Quitiliano [diretor do Saae], eu vou pagar a água que entra dentro da minha casa, me recuso a pagar água que eu uso para lavar imundice dos outros. Além disso, roubamenergia elétrica para colocarem luz nos comércios móveis que ficam parado aqui de frente.?
O proprietário da Casa Branca Materiais de Limpeza, Eduardo Vieira, também reclama da situação: ?Os donos dos bares fecham os banheiros e o pessoal começa a urinar na rua e na porta da minha loja, aí no outro dia está aquele inferno, fora as drogas, aqui é um ponto de drogas. Sem falar que roubam energia da Prefeitura, que colocam um som alto que incomoda a noite inteira. A Prefeitura tem que fiscalizar mais estes bares, pois a maioria não tem alvará para trabalhar e falta policiamento.?
Flagrante
A redação do jornal Nova Imprensa foi chamada na semana passada para comprovar as reclamações feitas. Em plena segunda-feira tinha uma considerável concentração de pessoas em um quiosque na Praça do Coreto, até às 3h. Gente intitulada da ?alta sociedade? e que vive fazendo denúncias e reclamando do governo estava lá, sentada em cadeiras espalhadas pelo passeio, ouvindo som alto, com uma churrasqueira no meio da rua e a redação flagrou alguns deles urinando na rua e na porta de residências. No outro dia, pela manhã, muito lixo estava espalhado no local, para ser recolhido pelos servidores da Secretaria de Gestão Ambiental e os comerciantes ainda lavavam os seus estabelecimentos com água da Prefeitura, já que ligam as mangueiras nas torneiras que têm nos canteiros da rodoviária.
Dono de bar se defende
O proprietário do bar Rotatória II, Giovane Pimenta se defende:?essa questão do pessoal estar urinando na rua é o seguinte: os banheiros da rodoviária fecham 22h, do coreto também, e sacrifica a gente, pois pediram que eu abrisse firma. O Dingos também [teve que abrir firma], e este problema não é só do quiosque, é um problema geral, pois o pessoal vem de vários cantos da cidade urinar aqui na rua, porque está fechado o banheiro da rodoviária que, aliás, só fica fechado. É só colocar banheiro público aqui e acabou o problema, aliás, para o jovem de Formiga, não tem outro lugar de lazer a não ser aqui. E, indiretamente, aqui é fonte de renda para mais de 40 pessoas e então a dona do hotel está olhando só o lado dela.
Questionado sobre o roubo de água da Prefeitura, Giovane Pimenta respondeu que ?não tem ninguém roubando água, esta água quem paga é o Paulinho do Coreto, que paga mais de R$200 mensais. Ele quis justificar que se um deles paga os outros têm direito de usar.
Providências
A administração municipal, por meio de alguns secretários, ressalta que está tomando as providências e em busca de solução até mesmo junto ao Ministério Público. Está sendo estudado o que pode ser feito para sanar os problemas, sem prejuízos para as partes envolvidas, mas dentro da lei. Também está em elaboração um projeto de revitalização para a praça do Terminal Rodoviário, com a instalação de banheiros, quiosques padronizados e um posto policial. ?O resto e questão de educação, ou melhor: da falta dela?, comentou um secretário.

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