Na véspera de se completar o primeiro mês de contágio confirmado da Covid-19 no país, as mortes provocadas pelo novo coronavírus chegaram a 57 (aumento de 24% em relação à véspera) e, pela primeira vez, foram registradas fora do eixo Rio-São Paulo. De acordo com o balanço diário do Ministério da Saúde, Amazonas, Pernambuco e Rio Grande do Sul tiveram os primeiros óbitos confirmados. Os casos diagnosticados da enfermidade respiratória chegaram a 2.433, ou 10% a mais do que o total da terça-feira.

Na entrevista coletiva comandada pelo ministro Luiz Henrique Mandetta, a pasta confirmou a adoção de um protocolo de tratamento de cinco dias à base de cloroquina apenas para os casos considerados graves, como detalhou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos Denizar Vianna.

“Ainda há lacunas no conhecimento sobre seu efeito, mas hoje os benefícios superam os riscos envolvidos nos casos de maior gravidade. Será uma opção que se junta ao suporte já oferecido nas UTIs, como a assistência ventilatória”, destacou. O secretário fez questão de desaconselhar o uso da substância fora do ambiente hospitalar. “Ele pode registrar alterações no ritmo cardíaco e prejuízos à visão, sua toxicidade só poderá ser controlada pelos médicos”. Mandetta ressaltou que não há qualquer exigência de uso do medicamento, o que será de decisão única e exclusiva dos profissionais de saúde. “O mundo todo está fazendo pesquisas. Queremos aumentar o arsenal à disposição dos médicos para os casos críticos, em que haja risco de morte”.

Equipamentos

O ministro antecipou ainda a tendência de disparada dos casos confirmados com a adoção dos testes rápidos (que identificam a presença de anticorpos para o novo coronavírus). “Como as mortes tendem a manter sua curva, a taxa de letalidade deve cair proporcionalmente”. Sobre a distribuição de respiradores e EPIs, ele destacou que respeitará o volume de casos nos estados. “Não adianta eu ter 500 leitos prontos se não é para receber paciente. Quem mais precisa agora será atendido inicialmente”.

Sobre a importância do isolamento social e de uma quarentena, Mandetta pediu aos governadores uma ação coordenada e deixou claro que o momento deve deixar de lado questões políticas, e que eventuais mudanças na política de enfrentamento virão com amplo embasamento científico. “Nós temos muita gente debruçada nisso, salas de situação; de crise. Só vamos propor mudanças na estratégia quando estivermos certos de que é a coisa a fazer. A quarentena como estava meio quebrada, não havia uma unidade. A experiência e o avanço do contágio nos mostrarão qual o caminho a seguir, se é possível afrouxar algumas regras, ou se será necessário endurecer outras”.

Fonte: Hoje em Dia

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