Motoristas que prestam serviços de transporte escolar, fretamento e turismo em Belo Horizonte e na região metropolitana protestam na manhã desta segunda-feira (27) contra a ausência de medidas dos governos municipais e estadual para ajudá-los nesse momento de paralisação das atividades em função da pandemia do coronavírus.

A movimentação começou logo cedo, às 8h, com um encontro na praça dos trabalhadores, em Contagem, na região metropolitana de BH. Organizadores estimam que cerca de 200 carros escolares e ônibus participaram da carreata que seguiu para a sede da Prefeitura de Contagem, primeira parada dos manifestantes. A expectativa é que de lá eles percorram um trajeto até a Prefeitura de Belo Horizonte, na avenida Afonso Pena, na região Central da capital mineira, onde o movimento se dissipará.

“Nós começamos o percurso passando por Contagem, queremos protocolar a pauta que estamos reivindicando. Depois nós vamos até BH. É só isso, a intenção é seguir a carreata em fila indiana para chamar a atenção da população e das autoridades. Somos motoristas de todas as cidades, mexemos com escolar, fretamento e turismo… Todos estão engajados nessa movimentação para pedir apoio”, esclarece Carlos Alberto, uma das lideranças do ato.

A principal reivindicação dos motoristas é que as autoridades passem a apoiá-los financeiramente enquanto suas atividades permanecerem suspensas. De acordo com os participantes da carreata, muitas são as famílias que optaram por não pagar as mensalidades do transporte escolar enquanto as aulas presenciais nas escolas permanecerem suspensas. O Procon de Minas Gerais, na semana passada, já havia expedido uma recomendação para que motoristas e pais entrassem em um acordo para negociar o valor da mensalidade. Contudo, a medida não contou com boa aceitação por parte de alguns dos familiares das crianças.

“As escolas não têm previsão para voltar. Nós fomos os primeiros a parar e seremos os últimos a voltar. O único meio de sobrevivência nosso é o carro. Nós somos pais de família, pagamos boletos de apartamentos, de casa, dos nossos carros. Esse é o nosso meio de sobrevivência, e os pais não concordam em pagar a gente, nem metade, nem alguma porcentagem para ajudar”, comentou um dos motoristas, que presta serviço de transporte escolar, e preferiu não se identificar.

Além daqueles que costumam trabalhar levando e buscando crianças e adolescentes nas escolas da região metropolitana, a manifestação desta segunda-feira (27) também contempla os motoristas de ônibus que fazem fretamentos ou prestam serviços turísticos – como transportar pessoas a cidades históricas e organizar passeios. Com a rápida propagação do coronavírus, esses profissionais acabaram com suas atividades rapidamente interrompidas. A preocupação é que, mesmo sem receber, eles ainda precisam pagar todas as contas necessárias à sobrevivência e quitar, por exemplo, parcelas e documentos dos carros usados para trabalho.

A categoria reivindica redução da carga tributária, isenção do IPVA 2020/2021 e congelamento do preço do diesel, que é o combustível usado por muitos deles, pelo período de um ano após a pandemia. Os motoristas também querem receber um auxílio emergencial no valor de um salário mínimo e cestas básicas enquanto durar a paralisação das atividades. Eles pedem que sejam suspensos os planos de financiamento para compra, troca e manutenção dos veículos, além da prorrogação dos prazos para regularização da documentação.

O pedido para recebimento das cestas básicas já é atendido pela Prefeitura de Belo Horizonte que entre os meses de março e abril anunciou o auxílio para populações vulneráveis e prejudicadas pelo coronavírus. De acordo com Carlos Alberto, após a carreata passar por Contagem, o prefeito do município, Alex de Freitas (sem partido), se comprometeu a doar os alimentos aos motoristas que necessitam desse apoio. Segundo Valdeir do Escolar, outra das lideranças do movimento, a gestão do município de Contagem também acatou outro pedido dos manifestantes.  

“Nós fomos atendidos pelo prefeito Alex de Freitas e ele atendeu duas boas reivindicações da nossa categoria, a primeira delas é sobre a flexibilidade do ano do veículo. A validade vai deixar de ser 13 anos, vai esticar um pouquinho mais para facilitar para quem está com carro vencendo esse ano. E conseguimos a cesta básica”, explicou. 

Fonte: O Tempo Online

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