Dezoito pessoas da Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale), com sede em Uberaba, no Triângulo Mineiro, foram denunciadas ontem pelo Ministério Público Federal (MPF) por formação de quadrilha e por terem cometido crime contra a saúde pública quando montaram um esquema de fraude para adulterar a produção do leite longa vida.
A denúncia é resultado da Operação Ouro Branco, que foi montada pela Polícia Federal em outubro do ano passado para desvendar o esquema. Na época, a fraude também foi descoberta na Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), em Passos, no Sul de Minas.
O inquérito que investiga a fraude na Casmil ainda está em andamento. Quando as investigações forem concluídas, a empresa também será denunciada pelo Ministério Público Federal. Na denúncia, o MPF descreve todo o esquema criminoso montado pela Coopervale, que, segundo o órgão, consistia na adição de uma solução química composta por soda cáustica, ácido cítrico, citrato de sódio, sal, açúcar e água para aumentar o volume e o prazo de validade do leite.
Segundo o MPF, a fraude vinha ocorrendo há quase dois anos e essa solução, além de ser nociva à saúde humana, também reduzia o valor nutricional do produto. Entre os denunciados estão o diretor e presidente da Coopervale, Luiz Gualberto Ribeiro Ferreira, que teria determinado a adição da solução química com o objetivo de conseguir maior lucratividade com as vendas do leite.
Além dele, o engenheiro químico Pedro Renato Borges, acusado de criar a fórmula, o fiscal agropecuário federal Afonso Antônio da Silva (acusado de ser conivente com o esquema), o gerente industrial da Copervale, Romes Monteiro da Fonseca Júnior (acusado de supervisionar o processo de adulteração), além de 14 funcionários da cooperativa, que teriam conhecimento da fraude e participariam dos atos que resultaram na adulteração.
De acordo com o MPF, o benefício de delação premiada foi pedido pela maioria dos funcionários que teriam colaborado no esclarecimento dos fatos.
Se a Justiça aceitar a denúncia, os demais acusados serão processados por formação de quadrilha e crime contra a saúde pública, com pena que pode chegar a 11 anos de prisão. Ninguém da Coopervale foi localizado ontem para falar sobre o assunto.

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