Não há dúvidas de que está inaugurada no país uma nova era em que surgem mudanças radicais no proceder daqueles que exercem de alguma forma o poder político nesta nação, nas mais diversas áreas e setores da administração pública.

O mesmo se deu e se dá, em relação às formas de comunicação com o povão (eleitor ou não), com ênfase no uso dos meios de comunicação de massa, notadamente as redes sociais.

Através delas, de forma mais econômica e extremamente eficaz, propagam-se ideias e promessas que, a exemplo do que ocorreu nas últimas eleições, foram capazes de derrubar uma presidentA, substituída por seu vice, para, ao final, ser eleito um novo mandatário, até então desconhecido e desprovido de recursos financeiros e apoios da máquina pública e da mídia, tradicionalmente vistos como ferramentas indispensáveis para se eleger alguém para ocupar o mais alto cargo da República.

O mesmo se deu em esferas ditas inferiores, onde governadores foram eleitos sem a necessidade de investirem enormes quantias na divulgação de suas candidaturas. O exemplo do ocorrido em Minas comprova isso. Aqui, um ilustre desconhecido de grande parte da população acabou chegando ao Palácio da Liberdade, local que antes só fora ocupado por figurões políticos de grande trânsito junto ao povão, isto de forma inusitada até para ele próprio.

Para a eleição de alguns deputados estaduais, federais e senadores, a história se repetiu.

De comum a todos, a ideia e o compromisso de virem de encontro ao principal anseio dos eleitores brasileiros, prometendo a mudança radical nos procedimentos até então adotados pela classe política e que, sabidamente, resultaram no caos em que nos meteram ao longo dos séculos, a partir do descobrimento do Brasil.

O desemprego e a desesperança, talvez, tenham sido as molas que impulsionaram grande parte do povo brasileiro a querer a mudança. É claro que existiu também um contingente enorme dos seguidores da “seita petista” que merecem ter suas opiniões respeitadas, desde que eles também respeitem as novas práticas que as urnas sancionaram como vontade livre e democrática de mudança do que aqui havia vigorado até aqui.

Na próxima semana, mais precisamente na segunda-feira (10), aqui mesmo neste município, a Câmara Municipal deverá decidir sobre a composição de sua Mesa Diretora para o exercício de 2019.
Por enquanto, apenas uma chapa se apresentou e, a valer o que divulgou, pretende colocar o Legislativo em sintonia com a vontade de mudança expressada pelo povo, conforme o resultado que ficou patente após as eleições de 2018.

O sentimento de apoio às mudanças nos parece haver sido a tônica principal e dela resultaram derrotas de figurões conhecidos ou de seus “herdeiros”, que não lograram êxito na tentativa de busca da manutenção de mando, perpetuando a prática daquilo que se convencionou chamar de “capitânias hereditárias”.

De acordo com o regimento da Casa Legislativa, hoje, sexta-feira (7), é o último dia para a apresentação de novas chapas. Portanto, aguardemos, na esperança de que, se as houver, que elas também explicitem publicamente o compromisso com a renovação, para que, no mínimo, o povo formiguense volte a participar das reuniões legislativas, onde, é preciso frisar, os destinos da cidade devem ser discutidos e adotados sob a forma de leis, permitindo que elas facilitem a administração do Executivo, responsável direto pela prestação dos serviços a que nossos impostos se destinam.

A população precisa se sentir como partícipe do governo. A representação legal deve se dar não só através de seus representantes eleitos para atuarem na Câmara. Ela, a representação, pode e deve ser mais efetiva quando exercida pela presença nas reuniões, pressionando, sim, fiscalizando e exigindo o perfeito funcionamento de tudo aquilo a que o povo tem direito enquanto pagador de impostos. Se o poder emana do povo, as prioridades devem e podem ser discutidas naquela Casa de forma livre e democrática, respeitando-se o previsto na Constituição, no que tange à harmonia e independência dos poderes, sem submissão ou preferência de interesses de um ou mais grupos que, sabidamente, se formam no decorrer do ano legislativo.

É isso que torna perpétuas certas presenças que se multiplicam via prática do clientelismo, que, sob a capa de ajuda, torna-se, muitas vezes, em algo nefasto aos interesses públicos.

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