“O que estou pedindo é que não bebam a [cerveja] Belorizontina, qualquer que seja o lote. Eu não sei o que está acontecendo”, afirmou a diretora de marketing da cervejaria Backer, Paula Lebbos, em entrevista coletiva à imprensa no fim da manhã desta terça-feira (14), na sede da cervejaria, no bairro Olhos D’Água, na Região Oeste de Belo Horizonte. No momento da entrevista, a fábrica passava por nova vistoria por equipes da polícia e do Ministério da Agricultura.

Paula Lebbos reforçou que a orientação vale também para a cerveja Capixaba, que é produzida no mesmo tanque e possui a mesma fórmula da Belorizontina, porém tem rótulos diferentes. A cerveja Capixaba é vendida no Espírito Santo, mas, segundo Paula, nenhum caso de síndrome nefroneural foi identificado no estado.

Segundo Paula, as autoridades já receberam todas as notas fiscais de insumos comprados pela cervejaria. Ela voltou a reforçar que o único produto utilizado no processo de resfriamento é o monoetilenoglicol. “A Backer nunca comprou o dietilenoglicol”, disse. E afirmou: “O monoetilenoglicol é utilizado em centenas de cervejas no país e no mundo”.

Ainda de acordo com a diretora de marketing, os quase 650 funcionários diretos e indiretos da cervejaria estão em casa, por causa da interdição da fábrica. “Apenas alguns funcionários técnicos estão trabalhando”. Ainda não há prazo para a Backer retomar as atividades, segundo a diretora de marketing.

Durante a entrevista, Paula pediu para que as cervejarias artesanais não sejam condenadas pelo que está acontecendo com a Backer. “O mercado cervejeiro não pode ser indiciado”, disse.
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Ainda segundo Paula, a Backer não fez nenhum tipo de boletim de ocorrência contra um ex-funcionário, que teria ameaçado o supervisor após ser demitido. “O gerente da Backer fez, mas isso diz respeito a algo pessoal. Não tem nada a ver com a cervejaria”, afirmou.

Ela reforçou a inocência da cervejaria e disse que em hora nenhuma a Backer se negou a entregar ou a esclarecer fatos para as autoridades. “Tudo está sendo uma surpresa assustadora para todos nós”.

Ao ser questionada sobre as famílias prejudicadas por causa da cerveja Belorizontina, Paula falou que todas elas serão contactadas a partir desta terça-feira. “Tem uma pessoa que vai entrar em contato com essas pessoas”.

Nova vistoria na fábrica

A coletiva foi realizada no momento em que a Polícia Civil e equipes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estavam na cervejaria, no bairro Olhos D’Água. As equipes realizavam uma inspeção no tanque 10, onde, segundo Paula, era produzida a Belorizontina e o reservatório de monoetilenoglicol, que foi lacrado.

O Ministério da Agricultura determinou, nesta segunda, que todas as cervejas da marca sejam recolhidas e que seja suspensa a venda de produtos. A medida é válida para qualquer rótulo da cerveja, além dos chopes, fabricado entre outubro de 2019 e janeiro de 2020.

De acordo com o Mapa, foram apreendidos 139 mil litros de cervejas já engarrafadas e 8 mil litros de chope na última sexta-feira (10). Na ocasião, a fábrica foi interditada. O restaurante da cervejaria, na mesma área, funcionou normalmente durante o fim de semana.

Mais um lote contaminado
Nessa segunda-feira (13), a Polícia Civil divulgou, em entrevista coletiva, que mais um lote da cerveja Belorizontina, o 1354 linha 2, também está contaminado com dietilenoglicol, substância tóxica que pode ter relação com os sintomas de insuficiência renal e alterações neurológicas apresentadas pelos pacientes internados com a síndrome nefroneural.

A Polícia Civil disse que, dos pacientes internados, quatro tiveram resultado positivo nos exames de sangue para a presença do dietilenoglicol.

 

Fonte: G1 ||
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