O Dia Mundial do Diabetes é lembrado nesta terça-feira (14) e traz um alerta para os cerca de 9 milhões de pessoas com a doença no país. Um novo estudo sugere que o sedentarismo contribui para o aumento de 21% nas quedas dos diabéticos. Os dados foram obtidos recentemente por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

O experimento envolveu 45 participantes na faixa etária de 48 a 72 anos, em três grupos – 15 em cada. O primeiro era formado por diabéticos com neuropatia diabética (sensibilidade nas extremidades do corpo. O segundo, por pessoas sem neuropatia. O terceiro era um grupo de controle, composto por não diabéticos.

Usando um sistema de câmeras com imagens para análise tridimensional do movimento, os pesquisadores avaliaram a marcha dos três grupos, durante quatro dias. Os voluntários realizaram seis caminhadas de 8 m cada, sendo três iniciadas com o membro inferior esquerdo e outras três com o direito. No fim da análise dos dados, os pesquisadores descobriram que a velocidade da marcha sugeriu que os diabéticos apresentam chances de um evento de queda aproximadamente 21% maiores que as demais pessoas.

Segundo a professora Amanda Silvatti, uma das envolvidas no projeto, a pesquisa segue em andamento. “Vamos aumentar o número de participantes e acrescentar mais elementos ao projeto aqui na universidade. Nosso objetivo é pensar futuramente em um programa de atividade física voltado a esse público”, diz.

Faz bem quem faz

Segundo o fisioterapeuta Rogerio Celso Ferreira, professor da Universidade Salgado de Oliveira (MG), a atividade física deixa a parte muscular com mais competência para consumir a energia disponível no corpo.

“O exercício faz com que os tecidos trabalhem com mais eficiência, desenvolvendo uma série de adaptações bioquímicas ajudar o diabético a fazer qualquer tarefa utilizando menos glicose e, assim, precisando menos de insulina”, explica o especialista.

Para o endocrinologista Márcio Krakauer, diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), deixar o corpo em movimento diminui, e muito, as chances de complicações comuns do diabetes. “Além de uma alimentação balanceada, o diabético que faz atividade física ajuda a manter a glicose bem-controlada, o que evita o surgimento de doenças como hipertensão, lesões renais, cegueira e até amputações dos membros”, esclarece o médico.

De acordo com a endocrinologista Ana Paula Zanini, professora de pós-graduação da Faculdade Ipemed, estimular um estilo de vida saudável é o segredo. “Isso inclui o controle adequado da glicemia, do colesterol e da pressão arterial”, salienta.

 Hidroterapia ajuda no controle

A aposentada Diúlia Silva, 74, descobriu o diabetes há apenas um ano. Praticante da hidroterapia desde 2015, ela afirma que a atividade ajuda no controle de sua glicose. “Faço exames todo mês, e as taxas ficam dentro do considerado normal para a doença. Mas, se fico sem me exercitar, a coisa piora”, comenta.

Ela conta que ficou o mês passado todo sem entrar na piscina, o que afetou diretamente os exames. “Graças a Deus, voltei em novembro e tenho certeza de que, em dezembro, estará tudo certo”, diz.

O fisioterapeuta Rogério Ferreira afirma que a hidroterapia é um ótimo aliado porque, na água, a opção de movimentos é maior. “A piscina dá equilíbrio à pessoa, com menos impacto e mais possibilidades de ação”, afirma.

 

 

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Fonte:

O Tempo