A polícia da Nicarágua reprimiu neste domingo (14) um grupo de opositores e, segundo o jornal de oposição “La Prensa”, deteve 38 pessoas que pretendiam protestar nas ruas de Manágua contra o presidente do país, Daniel Ortega.

O episódio, mai um na crise sociopolítica que a Nicarágua vive desde abril deste ano e que deixou centenas de mortos, foi repudiado por organizações internacionais, que exigiram que Ortega respeite os direitos dos cidadãos e a liberdade de manifestação.

Os incidentes começaram quando um grupo de pessoas esperava para se juntar a um protesto convocado para este domingo pela coalizão opositora União Nacional Azul e Branco (UNAB), que não foi realizado.

Dezenas de agentes antidistúrbios e policiais chegaram ao local e entraram em confronto com os opositores, dos quais vários foram detidos pelas forças de segurança.

Entre os detidos está a diretora na Nicarágua da ONG Teto Internacional, Ana Lucía Álvarez, denunciou a organização em comunicado.

Horas depois dos incidentes não estava claro quem tinha sido libertado, como foi o caso do repórter Uriel Velásquez, do jornal local “El Nuevo Diario”, detido e libertado pouco depois.

Os membros da UNAB prometeram seguir adiante com os protestos por uma “Nicarágua Livre”, enquanto a polícia reiterou na véspera que não vai permitir “manifestações ou mobilizações que não contem com a devida permissão”.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, exigiu que Ortega liberte os manifestantes detidos, respeite o seu direito de protesto pacífico e que dê fim à “repressão”.

O secretário-executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o brasileiro Paulo Abrão, lamentou os incidentes e considerou “inaceitáveis” as “atitudes repressivas e autoritárias” do presidente.

A mesa de diálogo entre a Aliança Cívica, composta por setores civis, e o governo de Ortega está suspensa desde julho, depois que grupos governistas agrediram membros do Episcopado que participam como mediadores.

A Nicarágua vive uma crise sociopolítica que começou em abril, quando tiveram início no país manifestações contra a reforma da previdência e que posteriormente exigiam a renúncia de Ortega.

Segundo organizações humanitárias locais e internacionais, desde então os atos de violência deixaram entre 322 e 512 mortos, enquanto o governo informa que 199 pessoas morreram e denuncia uma tentativa de golpe de Estado.

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Fonte:

G1