Os baixos níveis dos reservatórios da região Sudeste do país vão se refletir em um aumento na conta de energia de consumidores de todo o país, impactando a inflação.

Também podem gerar prejuízos sobre abastecimento, agricultura, pecuária e piscicultura das regiões dos entornos das represas.

O governo de Minas Gerais garante que não há risco de racionamentos rígidos, como ocorreram no passado, ou falta de energia no momento, mas sabe que ações devem ser tomadas para minimizar os prejuízos possíveis em um cenário de crise hídrica.

A administração estadual diz que já elabora um plano de enfrentamento da situação, com participação de todos os órgãos competentes, incluindo as secretarias de Meio Ambiente e Agricultura, Defesa Civil, Copasa, Cemig e o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). 

Para a Cemig, é preciso equacionar os usos múltiplos da água dos reservatórios, especialmente nos entornos das usinas de Nova Ponte e Emborcação, ambas na região do Triângulo Mineiro. Elas estão com volumes em níveis críticos. 

“Tem diversos usos da água que dependem desses reservatórios, como captação para abastecimento humano, hidratação animal, irrigação e navegação. Temos que ter em mente que vamos ter que articular os usos da água para atravessar esse período em que vamos ter vazões muito baixas dos rios e dos reservatórios. Tem que ajustar tudo para essa condição excepcional”, afirma Ivan Sérgio Carneiro, gerente de Planejamento Energético da Cemig.

Ou seja, para que os principais reservatórios da região Sudeste não fiquem sem volume útil – ou seja, sem água suficiente para movimentar as turbinas da hidrelétrica –, será preciso ter ações pontuais nas regiões do entorno das represas.

Importante lembrar que quem administra a distribuição de energia entre os Estados é o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Poderia ser pior

Roberto Brandão, pesquisador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que os reservatórios estão relativamente vazios, mas não haverá apagão elétrico, como o ocorrido em 2001, porque o sistema de produção de energia está mais robusto.

Segundo ele, a capacidade cresceu 20% desde 2015, enquanto o aumento do consumo foi de 13,5%. 

Neste momento de crise nas hidrelétricas, o governo lança mão de outras fontes, como termelétricas, fotovoltaicas e eólicas.

A conta fica mais cara para o consumidor – com bandeira vermelha possivelmente por mais meses –, mas com mínima possibilidade de corte no fornecimento. A situação poderia ser pior, se o Brasil tivesse mantido a economia aquecida nos últimos seis anos.

“Se o consumo tivesse aumentado muito, estaríamos agora em maus lençóis. Poderíamos ter uma demanda 20% maior, e o nosso sistema não conseguiria abastecer”, afirma. 

Represa de Três Marias pode ter sobrecarga 

Com cerca de 60% do volume útil, a represa de Três Marias, na bacia do rio São Francisco, já acende o sinal amarelo para o período de estiagem, que pode fazer a situação, hoje relativamente sob controle, mudar até o fim do ano.

Como as outras usinas do Estado estarão deficitárias nos próximos meses, a tendência é que a produção de energia seja ampliada em Três Marias. 

De acordo com a Cemig, no dia 24 de maio, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) enviou à Agência Nacional de Águas (ANA) uma carta apontando a necessidade de uma operação especial nas usinas do rio São Francisco (Três Marias e Sobradinho) para atender ao período seco.

Atualmente, a ANA define um volume máximo de defluência na usina para garantir navegação no trecho Pirapora-Ibiaí e para captação nos Distritos de Irrigação de Pirapora e Jaíba

“É esperado que a geração nas usinas da bacia do São Francisco aumente, sobretudo ao final do período seco, nos meses de setembro, outubro e novembro de 2021”, diz a Cemig em nota, reforçando que isso vai depender das necessidades mapeadas pelo Sistema Interligado Nacional (SIN). 

Em portaria publicada na segunda-feira, o Ministério de Minas e Energia ampliou o leque de usinas termelétricas sem contrato que podem ser usadas para tentar evitar um racionamento de energia em 2021.

Isso quer dizer que usinas que utilizam outros combustíveis além do gás natural, como óleo e biomassa, poderão ser contratadas. 

Fonte: O Tempo

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