Os progressos no Brasil são visíveis, mas precisamos melhorar muito ainda nos quesitos de segurança, saúde, educação, saneamento básico, etc.

Neste contexto, estamos nas épocas de eleições e precisamos votar em homens e mulheres públicos obstinados em melhorar as condições atuais de vida do cidadão brasileiro.

Para se ter uma ideia, nos anos de 1850 a questão de saúde no Brasil era incipiente. Os médicos não tinham clientes e, no meio urbano, tinha-se o costume do cidadão utilizar os serviços de curandeiros, de benzedeiras e até de barbeiros aplicadores de “bichas” e ventosas no tratamento das doenças corriqueiras.

Neste enfoque, no livro “Região e Tradição”, de Gilberto Freyre (Rio, 1941, p. 138-9), consta: “A uma enfermidade séria de menino ou pessoa grande é que vinha um médico, com as sanguessugas, as “bichas hamburguesas”, as cataplasmas de linhaça, os sinapismos, a Raiz d’Altéia. Das doenças comuns era a dona de casa que cuidava.

A dona de casa do nordeste sabia remédios caseiros para os casos de urgência: o cravo para dor de dente furado; a lagartixa pegada viva e partida em duas metades, aplicada ainda quente e a latejar ao pescoço, para a dor de garganta; a papa de linhaça para queimaduras; o talo de couve para a prisão de ventre nos meninos pequenos; o unguento de água de sabão para alguma ferida brava que arrebentasse em escravo, cria ou menino de casa; o jucá para as cabeças quebradas e talhos fundos nos pés dos meninos e dos moleques. E às vezes, quem a iaiá mandava chamar para ver o menino ou pessoa grande de casa que aparecesse doente sem se saber de quê, era algum negro, velho curandeiro ou feiticeiro, recomendado pela comadre ou pela vendedora de bico – sempre cheia de vagares para os mexericos, ao lado do baú de lata com os ralos de renda escancarados sobre o chão”.

Percebe-se pelo relato acima, que nessa época os médicos lutavam com dificuldades para viver, em virtude da antiga e perniciosa concorrência do charlatanismo sob várias formas, sobreviventes da era colonial e sem repressão eficaz.

Além disto, no ano de 1850 sair às ruas era somente para os homens. As ruas não eram calçadas, não tinham saneamento básico e o esgoto era a céu aberto. De noite imperava o silêncio e era velado por poucos lampiões a azeite de peixe. Os meninos e as mulheres não punham os pés nas ruas.

Diversões não havia. A vida doméstica urbana era muito austera e a sedentariedade era a regra, principalmente entre as mulheres. Os meninos ficavam confinados em casa e dormiam cedo, depois do jantar.

Comparando-se os dias atuais com os relatos registrados da vida em 1850, percebem-se grandes avanços, como a educação em escolas formais, a existência de rede de saúde pública e privada, o direito das mulheres votarem e serem votadas, o reconhecimento da importância dos serviços da classe médica, a implantação dos serviços de saneamento básico, a universalização do serviço de iluminação pública, a igualdade de direitos e deveres dos homens e mulheres, o calçamento ou pavimentação das ruas.

Entretanto, apesar dos avanços significativos, os quais devemos reconhecer e agradecer, necessitamos de avanços nos serviços públicos e prestar atenção nas promessas dos candidatos, principalmente para os serviços de saúde e educação com qualidade, no estabelecimento de uma arrecadação de impostos justa, na melhoria do saneamento básico para garantir menores índices de doenças, na transparência dos gastos públicos, no fomento ao empreendedorismo, etc.

Não acredite em promessas evasivas e sem conteúdo, ou mesmo em candidatos falastrões, nem mesmo nos candidatos preocupados em realçar as suas qualidades e atacar constantemente a oposição.

Preste atenção e valorize os candidatos portadores de propostas e plataformas concretas de melhorias para a população, pois somente com pessoas obstinadas em fazer uma administração voltada para o futuro poderemos ter dias melhores, com avanços contínuos e sem retrocessos.

 

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