Como classificaríamos a bolada que Trump deu nas costas de Bolsonaro neste início de dezembro? Depois de tanta bajulação, esperava-se que Trump tratasse melhor o presidente Bolsonaro, mas… Empresto o inglês do técnico de futebol Joel Santana para esclarecer: Trumpisnotclosedto Bolsonaro, justclosed!

Oras, bolas! Que se esperaria de um presidente de uma nação “amiga”? Amigos, amigos, negócios à parte, já diz a sabedoria popular. Não é de hoje que o presidente Bolsonaro escolhe mal não somente seus ministros, mas também seus países parceiros. Decepcionou Israel e agrediu nossos melhores parceiros comerciais.

Um grande problema, gerado pelo próprio Bolsonaro, é que o Brasil está sem embaixador dos Estados Unidos da América desde o dia 10 de abril, quando o ministro -da Terra Plana- das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, removeu o embaixador Sérgio Amaral, um grande e experiente embaixador.

Naquela época, o mais cotado para o posto nos EUA era o diplomata Nestor Forster, que é alinhado com o ministro Araújo e com o guru ideológico do governo, o autodidata Olavo de Carvalho. Um mau sinal, já que seguir OC mostra que leu poucos livros de filosofia e tem um baixo respeito à educação formal.

Até junho, Nestor Forster era ministro de segunda classe, mas foi finalmente promovido à primeira classe da carreira do Itamaraty em junho, juntamente com outros seis diplomatas.

Então, chegou julho, e quem foi alçado a candidato a Embaixador nos EUA? O presidente Bolsonaro decidiu indicar seu filho Eduardo como embaixador nos EUA. Para o presidente, Eduardo é amigo dos filhos do Donald Trump, fala inglês e espanhol, tem uma vivência muito grande do mundo. E dá-lhe desgaste, agora também ao filho…

Enquanto a indefinição persistia, aconteceu o episódio dos dois navios que ficaram sem abastecimento por sofrerem sanções dos EUA por causa do programa nuclear iraniano. Os navios trouxeram ureia e levavam milho para o Irã.

Em agosto, O presidente Jair Bolsonaro determinou a preparação de uma medida provisória modificando a lei da TV paga no país para atender a um pedido do presidente dos EUA. Trump apoiou as candidaturas de Argentina e Romênia na OCDE, deixando o Brasil de lado, depois de desistir do tratamento especial e diferenciado na OMC – Organização Mundial do Comércio. Eduardo Bolsonaro encontrou-se com Donald Trump e afirmou Brasil e os EUA estão alinhados. Acreditamos…

Não custa lembrar que o Brasil ampliou a importação de etanol e trigo sem tarifa, reivindicações americanas. Mas os EUA não removeram as barreiras sanitárias que impedem a importação de carne bovina, nem a proteção do açúcar americano, outro pedido brasileiro. E o Brasil votou pela primeira vez em 27 anos contra a resolução anual da ONU que condena o embargo econômico americano a Cuba.

Alguém precisa lembrar o presidente que o Brasil é uma nação soberana, a nona maior economia do globo (sim, o planeta é um geoide, não é plano), com PIB de US$ 1,85 trilhão. É preciso respeitar-nos primeiramente e fazer- nos ser respeitados, tenho certeza que é o que todos os brasileiros esperam do presidente.

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