Pelo menos nove crimes relacionados à pedofilia são registrados diariamente em Minas, segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). Na quarta-feira (31), dez pessoas foram presas em flagrante por armazenar e compartilhar na internet conteúdo pornográfico envolvendo crianças e adolescentes. Dentre os presos, um médico e dois policiais militares.

A operação da Polícia Civil em parceria com a Polícia Militar, batizada de “Infância Reavida”, realizou 14 mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, Nova Lima e Betim, na região metropolitana, Ipatinga, no Vale do Aço e Barbacena, na Zona da Mata.

Além de diversos computadores, tablets, celulares, HDs e câmeras fotográficas encontrados nas residências dos detidos, os investigadores recolheram milhares de fotos e vídeos com cenas de pedofilia. “O material é vasto e ainda está sendo analisado, mas já sabemos que pelo menos 33 mil imagens com pedofilia foram compartilhadas”, afirmou a delegada da Polícia Civil responsável pela investigação, Isabella Franco Oliveira.

 Perfis 

O médico preso mora e atua em Belo Horizonte. Segundo as investigações, ele realizava filmagens das pacientes durante exames como ultrassons, sem o consentimento delas. Também possuía gravações caseiras de cenas de sexo dele com adolescentes.

A Polícia Civil deve, a partir de agora, trabalhar para identificar as vítimas atendidas nos consultórios e as adolescentes que mantiveram relação sexual com o suspeito para ver se há possibilidade de enquadrá-lo no crime de estupro.

Um dos policiais presos era reformado e morava em Betim, na Grande BH, segundo informações dos investigadores. O outro é cabo e ainda está na ativa, em Nova Lima. Os dois podem ser expulsos da corporação caso sejam condenados, de acordo com subcorregedor da PM, coronel Gláucio Porto Alves.

“Nós trabalhamos apenas no processo disciplinar. Esse policial (da ativa) irá passar por procedimentos administrativos, o que pode acarretar na exclusão dele dos quadros da PM”, afirmou o coronel.

Traumas

Tratar da forma correta crianças e adolescentes vítimas de violência sexual também é imprescindível para que os traumas sejam reduzidos.

A psicóloga Célia Carvalho Nahas, que atua na área de enfrentamento da violência contra crianças, explica que é importante evitar que a vítima se sinta responsabilizada pelo que aconteceu.

“É normal que haja desqualificação da fala dessas crianças e adolescentes, o que atrapalha muito”, diz. “Além disso, é preciso respeitar o tempo da criança, esperar o momento em que ela esteja disposta a relatar a violência sofrida”, orienta a especialista.

 

 

Fonte: Hoje em Dia ||

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