Desde maio de 2012 quando foi divulgada a liberação para a instalação da terceira unidade do Centro de Referência em Assistência Social em Formiga (Cras), no bairro Souza e Silva, que atenderia ainda moradores dos bairros Maringá, Mangabeiras, Saudade, Industrial, Ouro Negro e adjacências, a população aguarda a inauguração e funcionamento da unidade.

Quatro anos depois, a instalação do Cras III continua sendo motivo de contradições e de desilusão dos moradores que já perderam a esperança de ver o centro funcionando.

De início, o Cras seria implantado no prédio que por anos, abrigou o posto de saúde do bairro Souza e Silva. Já na gestão de Moacir Ribeiro, a associação de moradores do bairro cedeu um imóvel que por um bom tempo esteve ocupado com os móveis e equipamentos destinados ao Cras III, sem que, no entanto, tenha funcionado como tal. Talvez em razão desta ociosidade é que sua área externa esteja tomada pelo lixo e mato.

O problema foi pauta recente de reunião do Conselho Municipal de Assistência Social, cujos representantes, acompanhados de membros da associação de bairro agendaram uma visita ao imóvel, que abrigaria o centro. A visita se deu na tarde de sexta-feira passada (10), e no local,  os visitantes foram informados de que pela manhã, todos os móveis que haviam sido deixados no interior do imóvel foram retirados e enviados para o almoxarifado da Prefeitura.

Durante a reunião da Câmara, na segunda-feira (13) o vereador Evandro Donizeth da Cunha (Piruca), que já presidiu a associação do bairro Souza e Silva, fez um requerimento pedindo informações ao secretário de Desenvolvimento Humano, Carlos Alberto Sales, sobre os motivos para a retirada dos móveis e cobrando uma previsão para a inauguração do Cras III, no bairro.

 

 

Secretário de Desenvolvimento Humano, Carlos Alberto Sales ( Foto: Arquivo UN)

O que diz a Prefeitura:

Ouvindo o secretário Carlos Alberto Sales, a respeito, este foi sucinto e incisivo em sua resposta: “Apenas atendi a solicitação do vereador que, há alguns dias me interpelou sobre os motivos do não funcionamento do Cras, quando também me disse que diante da demora, a associação, proprietária do imóvel, gostaria que o mesmo fosse desocupado. Assim sendo, e diante da impossibilidade de resolver o problema administrativo, causador do impasse, decidi atender ao pedido do vereador”, explicou.

Segundo o secretário o que impossibilita a celebração de um convênio com o município para que o Cras seja colocado em funcionamento, é a falta de documentação exigida (certidões negativas) relativas à Associação.

Carlos Alberto disse também que, resolvido este impasse, ele (secretário) se dispõe a promover um encontro entre o prefeito e os representantes da comunidade para viabilizar no menor tempo possível, a reinstalação e funcionamento do Cras, que no seu entender, já tem há muito tempo, sua supervisora (Izabel), treinada para tal e que, atualmente, presta outros serviços em sua secretaria sendo custeada pelo município. Frisou ainda que entende ser o vereador Piruca, um legítimo representante da comunidade, muito bem intencionado e que, se ele assim desejar, poderá acompanhar os demais no encontro com o prefeito, em busca de se  solucionar este impasse.

Carlinhos informou que os móveis e demais equipamentos que foram retirados daquele local, foram adquiridos através de verba federal, liberada ao município por intermédio do IGD Suas, e se destinavam ao Cras III.

Como respondeu o vereador Piruca

O vereador Evandro (Piruca), atual presidente da Câmara, ouvido, disse que realmente se encontrou e cobrou do secretário Carlos Sales uma posição, uma vez que, no seu entendimento, este atraso e má vontade, tem claramente um fundo político, pois na região, circula a ‘boca miúda’ a informação de que o prefeito já teria anunciado seu descontentamento com a escolha política de Piruca e que, publicamente, teria dito que se depender dele (do prefeito) o Cras não será instalado na região.

Piruca afirma também que se falta alguma certidão, a responsabilidade de custear e providenciar sua aquisição é do município, conforme ata lavrada e assinada pelo município quando lhe foi entregue o imóvel com a finalidade de funcionar o Cras. “Foi feita uma reforma no imóvel pela Associação e feitas as ligações de água e energia, tudo mais. Se alguém não cumpriu o compromisso não foi a Associação, foi o município”, disse.

Vereador Evandro Donizeth da Cunha (Piruca) (Foto: Arquivo UN)

O Cras

O Cras atua como a principal porta de entrada do Sistema Único de Assistência Social – Suas –  e é responsável pela organização e oferta de serviços da Proteção Social Básica nas áreas de vulnerabilidade e risco social.

Além de ofertar serviços e ações de proteção básica, o Cras possui a função de gestão territorial da rede de assistência social básica, promovendo a organização e a articulação das unidades a ele referenciadas e o gerenciamento dos processos nele envolvidos.

O principal serviço ofertado pelo Cras é o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif), cuja execução é obrigatória e exclusiva. Este consiste em um trabalho de caráter continuado que visa fortalecer a função protetiva das famílias, prevenindo a ruptura de vínculos, promovendo o acesso e usufruto de direitos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida.

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