Somente nesta semana, a Companhia Energética de Minas Gerais ? Cemig registrou três graves ocorrências no sistema elétrico de alta tensão, causadas por queimadas. O principal incidente foi no interior do Estado, onde uma queimada de grandes proporções provocou a destruição total de uma estrutura e atingiu parcialmente outra. As cidades de Bambuí, Medeiros e Tapiraí tiveram o fornecimento de energia interrompido, deixando mais de 14 mil consumidores desligados. A queimada ocorreu na segunda-feira (1º), sob a linha de distribuição que interliga as subestações (SEs) de Bambuí e Iguatama 2.
As outras ocorrências foram registradas na Região Metropolitana, sendo uma na linha de distribuição que interliga as subestações Adelaide, no bairro Caiçara, em Belo Horizonte, e Neves 2, em Ribeirão das Neves, provocada pela queima de material após a limpeza de um terreno. O segundo incidente ocorreu sob a linha que interliga as SEs Barreiro e Nova Lima. Apesar de potencialmente perigosas, essas ocorrências não provocaram interrupções de energia, mas demandaram mobilização de equipes da Cemig e realização de transferências de cargas no sistema elétrico, provocando sobrecarga.
No primeiro semestre deste ano, a Cemig registrou 43 interrupções no fornecimento de energia em redes de distribuição provocadas por queimadas, cerca de 14 mil consumidores sem energia. No mesmo período de 2010, houve 76 interrupções. No entanto esse número aumenta significativamente na época de estiagem. A partir dos meses de julho e agosto do ano passado, ocorreram 529 desligamentos, que deixaram 433 mil consumidores sem luz. Em 2009, foram 111 interrupções e 117 mil consumidores afetados.
O engenheiro Fernando César Bragança, da Cemig, explica que ?quando o fogo atinge sedes municipais, vários órgãos públicos de saúde e segurança são prejudicados, pois o tempo de restabelecimento de energia nesses casos é elevado devido aos danos provocados na rede elétrica?.
Segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar, em 2010, quase metade das 17.249 ocorrências de incêndio atendidas em Minas Gerais foram em lotes vagos e vegetações, totalizando 8.669 registros. Apenas as cidades de Varginha e Divinópolis foram responsáveis por 3.608 atendimentos em lotes vagos e vegetações.
Nas unidades de conservação do Estado e entorno, o Instituto Estadual de Florestas ? IEF registrou, só no primeiro semestre deste ano, 1.202 focos de calor. Em 2010, foram detectadas 17.436 ocorrências, mais de quatro vezes o número registrado em 2009, quando ocorreram 4.132 casos.
Campanha e dicas
Desde o início de julho, a Cemig está veiculando nas emissoras de rádio de todo o Estado a campanha ?Quem faz uma queimada pode perder o controle do fogo e causar um grande problema?. O objetivo é alertar a população sobre os riscos das queimadas.

De acordo com a Empresa, as principais causas de queimadas em Minas são a queima preparatória de pastos e de terrenos para plantio, especialmente em períodos de altas temperaturas e baixa umidade do ar, além da queima de lixos e de tocos de cigarros jogados em beiras de estradas, atingindo a vegetação seca, e descargas atmosféricas. Para ajudar a diminuir os índices de focos de queimadas, a Cemig recomenda:

 fazer queimadas somente com autorização do IEF (0800 283 2323), Ibama ou órgãos competentes e de forma controlada, com a construção de aceiros e barreiras que impedem a propagação das chamas. O aceiro pode ser feito em forma de vala ou limpeza do terreno, de modo a obstruir a passagem do fogo;
 não jogar pontas de cigarro próximo a qualquer tipo de vegetação;

 apagar com água o resto do fogo em acampamentos para evitar que o vento leve as brasas para a mata;
 não realizar queimadas a menos de 15 metros de rodovias, de ferrovias e do limite das faixas de segurança das linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica.
A Cemig lembra que é proibido o uso de fogo em áreas de reservas ecológicas, preservação permanente e parques florestais. De acordo com a legislação, o indivíduo que cometer o crime ambiental terá que responder a processo, com possibilidade de prisão, e deverá pagar multa pelo dano ambiental causado.
Em caso de incêndios, o Corpo de Bombeiros (193) ou as Brigadas Voluntárias de Combate a Incêndios Florestais devem ser avisados o mais depressa possível.

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