Assim como a plateia é a parte mais importante para que o desenrolar do espetáculo ocorra com relativo sucesso, em outra esfera, a do ambiente político, também exerce grande influência na tomada de certas decisões.
Aqui mesmo na Câmara Municipal, nas Assembleias Legislativas, na Câmara Federal ou no Senado, a pressão exercida pela plateia, de corpo presente ou não, é fator primordial na aprovação de determinados pleitos. Mesmo que ela se apresente de forma virtual ou se mostre através de abaixo-assinados ou de manifestações tornadas públicas pelas redes sociais, pela via das manchetes estampadas nas páginas de noticiosos ou ainda pelas ondas do rádio ou através de programas de TV.
Estas formas de manifestação são ferramentas poderosas para que os clamores ou desejos de determinados nichos da população venham a ser atendidos por meio da aprovação de leis e/ou por outras formas de se exigir a atuação governamental.
E ao que parece, em certos momentos, a presença física de reivindicantes agrada e massageia o ego de considerável parte de nossas autoridades que, isolados em seus gabinetes ou coletivamente, logo se entusiasmam, acolhem e defendem tais reivindicações, com um vigor tal que é capaz de mudar a intenção de voto até mesmo de seus pares. Isto é o que ultimamente temos visto em Casas Legislativas onde as leis são gestadas e debatidas.
E como é óbvio, o mesmo ocorre também nas mais variadas esferas do Executivo, a quem ao final, cabe dar cumprimento ao que fora aprovado no outro Poder.
Não fosse este o ‘modus da roda cantar’, os regimentos de Casas Legislativas, por mais austeras que sejam, jamais aceitariam que a tal vontade do plenário, que sempre se afirma soberana, viria em certas ocasiões a se submeter a pressões, muitas destas até legítimas, desde que vindas do povão.
Isto só não vale, lá naquele outro poder, o Judiciário. A aprovação daquela aberração do aumento de dezesseis e poucos por cento no salário da mais alta corte, com todos os reflexos que certamente prejudicarão a esta e a muitas outras gerações de brasileiros pagantes de impostos, é a realidade que se constata. E o cara que poderia se valer do tal veto, sabe ele porque, e nós também, mais uma vez, amarelou.
Mas, voltando ao que nos interessa, o melhor é, ao que tudo indica, a nossa população, se não no todo, ao menos em considerável parcela, já saber da força que tem, quando unida e mobilizada, em torno de um mesmo objetivo.
Na segunda-feira (26), liderados por representante sindical, uma categoria de funcionários públicos municipais foi capaz de fazer o milagre de incluir na pauta de reuniões, um projeto de interesse deles, para ao final, ver aprovadas as reivindicações que, no caso em pauta, dormitavam na nossa Casa Legislativa, há algum tempo.
Foi exatamente isso o que ocorreu com a turma do Saae, que, merecida e ordeiramente, nos últimos tempos tem obtido, no Legislativo, vitórias mais que justas em seu favor.
E concluindo, essa semana, na mesma esteira, a Santa Casa também mobilizou parcela dos vereadores em favor de uma ‘santa causa’ para, em tempo recorde, obter do Legislativo a aprovação de um requerimento que certamente por seu teor em defesa de um interesse coletivo, portanto, de grande importância, evitará o fechamento do hospital, em parte, ou no todo. Certamente o que ali foi aprovado merecerá do chefe do Executivo um tratamento especial, ainda que assim agindo ele tenha que alterar sua programação financeira a curto prazo, nesta época que, sabidamente, é de “vacas magras”, ou melhor, magérrimas!

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