Paulo Coelho

é a constatação mais que óbvia que atualmente motiva o presidente da República, quando ele anuncia que pretende transformar a baía de Angra no maior polo de atração turística deste país.
E ele tem toda razão. Beleza natural ali não falta e certamente ao soltar algumas amarras que ainda impedem a região de receber investimentos voltados para a área turística, recursos não faltarão. E com eles, milhões de empregos surgirão beneficiando populações das mais variadas classes sociais, pois com a construção civil a pleno vapor, todo mundo sabe o que acontece. E também nos parece ser possível que, com inteligência e cuidado, permitamos o desenvolvimento e preservemos nossos recursos naturais, o que, não é algo assim tão difícil de ocorrer.
Numa segunda etapa, vencida a primeira, virão os turistas, a indústria náutica, os empreendimentos voltados ao lazer, à gastronomia, ao comércio de tudo quanto aqui se produz, os serviços, o turismo ecológico, e tantas outras atividades que lá serão instaladas, todas de olho nos milhares de dólares que os turistas estrangeiros ou mesmo do país, trarão.
Pensando nisto, ficamos a imaginar que o presidente também saberá como contornar alguns percalços que na esfera de proteção ambiental encontrará em seu caminho.
Por outro lado, sabendo que se a região de Angra é reconhecida mundialmente como a mais bela, extensa e propícia para receber um grande polo turístico em águas salgadas (marítimas) neste país, julgamos ser importante que nosso presidente saiba que aqui em Minas Gerais, nós também dispomos do chamado Mar de Minas, cujo espelho de água doce ocupa um espaço equivalente a quatro vezes o da baía de Guanabara e que, sendo cercado de belezas naturais e sem interferir em ecossistemas defendidos ambientalmente, abriga hoje, ainda que a duras penas, a melhor, mais bela e maior marina de água doce do país.
Banhando diretamente 34 municípios, este mar mineiro, por suas peculiaridades já foi indutor de muito crescimento e se hoje não se transforma em pouco tempo em um dos maiores atrativos turísticos do país, como previu e desejava seu criador, isto se deve apenas e tão somente, à falta de uma decisão política que nos permita manter o lago, pelo menos com 50% de seu volume útil armazenado.
Com uma simples “canetada”, – tecnicamente provado que isto é possível, – poderíamos garantir aos investidores que a cota mínima do lago de Furnas seria mantida na cota 762 e, certamente, em pouco tempo, refloresceria por aqui a indústria sem chaminés e com ela, todas as demais atividades que o múltiplo uso das águas, pode atrair.
Da agropecuária se valendo da irrigação, à piscicultura de grande porte, ao transporte de nossa produção pela hidrovia que há mais de 50 anos foi projetada e prometida por JK, à indústria de equipamentos náuticos hoje ainda incipiente, à hotelaria espalhada por toda a orla, clubes de pesca e de entretenimento, loteamentos e novos empreendimentos imobiliários dos mais diversos matizes, dentre outros, seriam sim, garantia de empregos para mão de obra das diversas classes sociais, com a consequente geração de renda nas localidades que, a bem da verdade, há algumas décadas já chegaram a experimentar estes efeitos. Isso, lá nos idos de 1980, 1990, antes que a ONS, insensível a este tipo de apelo, optasse por manter nosso lago em níveis que dizimaram nossa economia e promoveram aqui, no entorno de Furnas, a fuga do capital que acreditou ser possível implementar tudo que Juscelino como homem de visão, preconizou há muitas décadas.
Hoje Capitólio, por sua condição topográfica, é a mostra viva do que o lago poderia oferecer ao Estado se a sua operação se desse em termos mais racionais. Provado está que com 20% de seu volume útil, Furnas cumpre e bem o seu objetivo de gerar energia e de manter a contento as hidrelétricas à jusante.
Por que então, manter o lago, como ocorreu nos últimos anos, com nível inferior a 50% de sua capacidade de armazenamento? Esta é a pergunta que merece uma resposta, no mínimo plausível.
Basta que analisemos as planilhas disponibilizadas pela Agência Nacional de Águas (ANA), na página “Dados Históricos – Sistema de Acompanhamento de Reservatórios – SAR”, o qual nos fornece os registros diários sobre as vazões afluentes, defluentes, geradas e outras, para que então, este pertinente questionamento venha à tona: por que insistir em manter o lago em níveis tão baixos?
A nossa Minas Gerais perdeu e muito, com esta prática que perdura por anos! Nossos prejuízos são incalculáveis e quem afirma isto são os 34 prefeitos lindeiros que, agora, liderados pela Alago, se somam na defesa desta justa demanda.
Acredito que nosso governador também deva abraçar esta causa de grande interesse para a economia mineira. Esse lago é nosso e é através dele que poderemos alavancar o progresso desta extensa região, composta, repito, por 34 municípios lindeiros e que, com ou sem a privatização que já aponta no horizonte, têm todo o direito de desfrutar de suas águas.
Todos nós sabemos que houve sim, por parte de Furnas, uma irrisória indenização, segundo alguns, de parte de nossas terras, que aqui relembramos, eram as mais férteis. Mas, nossos ancestrais, os daquela época de antes da inundação, foram sim, obrigados pelo governo, a vender terras, água não!
Hoje, temos o direito e queremos usufruir do multiuso deste bem, que repetimos é nosso! Para tanto, basta que aqueles que têm a caneta na mão, determinem que a ONS ou quem quer que seja, cumpra o que pedimos: mantenha nosso lago, no mínimo na cota762.
Feito isto, o resto nós e os investidores que por aqui chegarão, garantimos gerar empregos e a renda de que tanto precisamos.
A indústria sem chaminés, o turismo, reconhecido em todo o mundo como a grande geradora de emprego e renda aqui florescerá, a exemplo do que ocorre em Portugal, Cancun ou na França, cuja extensão territorial é inferior à de Minas e sendo a 4ª maior economia do mundo contabiliza em sua fonte de receitas, nada menos que 20% advindos da atividade turística.
Avalizando isto, os espanhóis (GERC INARTUR ASSOCIADOS) já em 1996 afirmaram que, nossa vocação e principal indutor de desenvolvimento estavam, exatamente, na exploração turística proporcionada pelo multiuso do lago.

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