Nesta semana, uma amiga nos repassou uma interessante informação, retirada de um trecho do livro “Chão e Alma de Minas”, de autoria do jornalista/escritor/pesquisador e mineiro Delso Renault.

A partir daí, metaforicamente, fizemos um voo em direção ao passado, na tentativa de compararmos certos comportamentos de então com os adotados hoje, por alguns de nossos “ilustres” políticos.

É que no livro, dentre outros, Delso relata um fato muito interessante que foi protagonizado pelo então governador de Minas Gerais, Raul Soares, que adoeceu ainda no exercício de seu mandato. Preocupados em atendê-lo, seus assessores e correligionários mandaram chamar no Rio de Janeiro o médico Miguel Couto, que se deslocou até Belo Horizonte. Ali, consultou o homem e, como não poderia deixar de ocorrer, cobrou pelos serviços prestados.

Segunda relata o autor, a Coletoria Estadual, prontamente, fez o pagamento dos honorários, pegou o recibo e contabilizou a despesa na forma da lei – afinal, a despesa dizia respeito à enfermidade do governador que naquela época era chamado de presidente do Estado.

Pois bem; tão logo melhorou, Raul Soares ao saber do que havia acontecido, conseguiu algum dinheiro emprestado com um irmão e restituiu os recursos ao erário, juntando um bilhete em que agradecia o gesto mas lembrava que, “o dinheiro é público e minha doença, privada”.

É claro que você leitor, após ler o escrito acima, provavelmente se lembrará das manchetes que ultimamente tem sido escancaradas nas primeiras páginas dos jornais deste País, todas relatando comportamentos de muitos de nossos governadores, ex-presidentes e de outros figurões que atuam nos três poderes constituídos desta nação e que, pelo visto, não têm conseguido discernir entre o público e o privado e assim sendo, desfrutam a seu bel prazer de certas mordomias, da forma que melhor lhes convém.

Alguns, como no caso do ex-governador do Rio de Janeiro, até já se viram obrigados a ressarcir aos cofres públicos por determinações de Tribunais Superiores, quantias que se referem a gastos indevidos, pelo uso particular de aeronaves oficiais e de outros bens públicos. Este senhor, por sinal, pelo uso indevido e desmensurado do dinheiro público, está sendo mantido preso e, por conseguinte, nos causa ainda assim, maior prejuízo ainda. Continua comendo, bebendo, se tratando, sendo vigiado, viajando pra lá e pra cá, tudo às nossas custas!

Outros, como ocorreu agora com o governador de Minas, que ainda nesta semana, mais uma vez se envolveu em outro rumoroso escândalo, ao fazer uso do helicóptero oficial para buscar o filho, supostamente bêbado, em Escarpas do Lago, provavelmente curtindo aquela ressaca após as comemorações do Réveillon.

Parece-nos claro que Pimentel pensou, ao contrário de Raul Soares, que seu problema privado, poderia ser resolvido e pago com dinheiro público! Dois governadores do mesmo Estado, duas épocas diferentes, duas condutas e índoles, ídem!

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